segunda-feira, 24 de julho de 2017

SSERÁ QUE PODEREMOS ENCONTRAR VEGETAÇÃO NO SISTEMA TRAPPIST-1

vegetação no sistema TRAPPIST-1 - possibilidade
Um dos planetas do sistema TRAPPIST-1 pode ser o lar de uma densa vegetação escura e bem diferente daquela que conhecemos na Terra...
Um novo estudo, liderado por Tommaso Alberti, da Universidade da Calábria, na Itália, está desvendando a possibilidade de haver vegetação no sistema TRAPPIST-1 e como podemos detectá-la.
A equipe analisou qual seria a quantidade de água e de terra que poderia existir em cada planeta do sistema TRAPPIST-1, e deduziu que qualquer vegetação deveria mudar a aparência de cada planeta. A pesquisa foi divulgada na revista The Astrophysical Journal.
TRAPPIST-1 - ilustração
Ilustração artística mostra como poderia ser a aparência de um dos planetas do sistema TRAPPIST-1.
Créditos: NASA / JPL-Caltech
O sistema TRAPPIST-1 ganhou o estrelato no início de 2017, quando foram descobertos sete planetas em órbita ao redor de uma estrela anã vermelha a 40 anos-luz de distância, com a maior quantidade de planetas rochosos encontrados em um sistema. Pelo menos três deles pareciam estar na zona habitável da estrela, onde as condições são propícias para que a água exista na forma líquida na superfície, e talvez, a vida como a conhecemos.
No estudo, os pesquisadores usaram um "modelo de equilíbrio de energia simples climático-vegetativo" para estudar o clima de cada planeta. O planeta TRAPPIST-1d parece ser o planeta mais estável para condições de vida parecidas com a da Terra, pois ele orbita sua estrela a uma distância mais adequada para a existência de água líquida. Isso foi surpreendente, pois anteriormente, os planetas f e g pareciam mais propícios.
Embora não possamos olhar diretamente para os planetas, podemos observar a luz da estrela que passa pela atmosfera deles. No futuro, também poderemos ver a luz refletida em suas superfícies, o que poderia ser vital para descobrir se eles são habitáveis.
Neste último estudo, os pesquisadores disseram que a radiação emitida por cada planeta poderia estar ligada com a vegetação e também com a composição atmosférica, de modo que estudos adicionais poderiam revelar algumas características da superfície.
Uma vez que o efeito de estufa de uma atmosfera possa ser detectado e medido, futuros telescópios poderão confirmar a presença de continentes e de vegetação nos planetas de TRAPPIST-1, assim como em outros mundos, segundo a equipe.
Vegetação em outros planetas
Vegetação em outros planetas
Ilustração artística mostra como poderia ser a vegetação em outros mundos.
Créditos: Caltech / Doug Cummings / divulgação
"Somos capazes de investigar diferentes cenários para o sistema planetário TRAPPIST, desde planetas rochosos até planetas parecidos com a Terra, com condições de efeito estufa similar ou diferente, e definir a vegetação em um estado climático particular", disse Alberti.
E não é a primeira vez que esse assunto vem á tona. Os cientistas já propuseram que o tipo de luz refletida poderia revelar se existe vegetação presente, e qual seria a forma dessa vegetação. Curiosamente, como a estrela do sistema TRAPPIST-1 emite luz principalmente no infravermelho, acredita-se que a vegetação nesses planetas poderia ser mais escura a fim de absorver mais energia.
"Se pousássemos em um desses planetas, não espere ver um oásis ou florestas verdes", disse Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan, em Nova York. "Você realmente veria plantas que basicamente absorvem toda a luz, e que não refletem nada. Portanto, seria uma vegetação muito escura para absorver toda a luz, e qualquer energia."
Imagens: (capa-ilustração/NASA) / NASA / JPL-Caltech / Doug Cummings / divulgação

domingo, 23 de julho de 2017

ESTRANHOS SINAIS DE RÁDIO FORAM DETECTADOS VINDOS DE ESTRELA ANÃ VERMELHA PRÓXIMA

sinais de radio vindo da estrela Ross 128
Existem três grandes hipóteses para explicar os estranhos sinais, mas nenhuma delas parece estar correta...
Estranhos sinais de rádio foram detectados vindo da zona de uma estrela relativamente próxima. O rádio telescópio de Arecibo, que mede 305 metros de largura, localizado no Porto Rico, detectou "alguns sinais peculiares" no dia 12 de maio de 2017. Os sinais aparentemente estavam vindo de Ross 128 - uma estrela anã vermelha que fica a apenas 11 anos-luz de distância, na constelação de Virgem. Apesar de ser uma estrela bem próxima de nós, seu brilho é muito tênue para ser enxergado a olho nu.
"Os sinais consistiam em pulsos quasi-periódicos não polarizados de banda larga com características de dispersão muito fortes", disse Abel Mendez, diretor do Laboratório de Habitabilidade Planetária da Universidade de Porto Rico.
"Acreditamos que os sinais não são interferências locais de radiofrequência (RFI), uma vez que são exclusivas de Ross 128, e as observações de outras estrelas feitas um pouco antes e depois não mostraram nada semelhante", acrescentou.
De acordo com Mendez, as três principais explicações para os estranhos sinais são emissões de energia solar de Ross 128; emissões de outro objeto no mesmo campo de visão ou então uma explosão de algum satélite em órbita da Terra.
Mas não é tão fácil entender de fato o que está acontecendo. Cada uma dessas explicações tem seus contraditórios. As emissões de energia solar, por exemplo, geralmente ocorrem em frequências mais baixas, e nunca foi registrado um satélite explodindo que emitisse sinais dessa magnitude
Rádio telescópio de Arecibo
Rádio telescópio de Arecibo, em Porto Rico. Créditos: Observatório de Arecibo / NSF
No quesito vida extraterrestre avançada, Mendez explica que essa é uma das últimas hipóteses a ser cogitada. A equipe responsável por essa descoberta continuará observando a estrela Ross 128, juntamente com a estrela de Barnard, uma anã vermelha localizada a apenas 6 anos-luz da Terra. Essas observações, feitas com o telescópio de Arecibo fazem parte de uma campanha para entender melhor a radiação e os ambientes magnéticos das anãs vermelhas, e procurar por sinais de planetas que ainda não foram descobertos. Outras equipes de investigadores também estão acompanhando essas estrelas, como os cientistas do instituto SETI (pesquisa de Inteligência Extraterrestre), por exemplo.
De acordo com todos os pesquisadores envolvidos, a hipótese do sinal se tratar de algum tipo de comunicação de civilização extraterrestre inteligente é realmente muto pouco provável. Um dos motivos seria o fato do sinal não ter sido replicado, o que, de acordo com os pesquisadores, seria um requisito fundamental para um sinal crível de uma civilização extraterrestre.
Por outro lado, os cientistas não descartam a possibilidade de civilização inteligente. Segundo Seth Shostak, astrônomo senior do Instituo SETI, a hipótese de E.T.s não deve ser descartada. "A lição histórica é clara. Essas coisas aparecem, e você tem que acompanhá-las, porque você nunca sabe qual será um verdadeiro contato, se é que haverá um", disse ele. "O acompanhamento é obrigatório."
Imagens: (capa-ilustração/STELLARIUM) / Observatório de Arecibo / NSF

sábado, 22 de julho de 2017

ESO OBSERVA BILHÕES DE NOVOS VIZINHOS

Bilhões de novos vizinhos?
Os objetos que os astrônomos chamam de anãs marrons estão entre a definição de planeta e estrela. 
Tratam-se de esferas de gás com mais massa que um planeta, mas sem massa suficiente para sustentarem a fusão estável de hidrogênio, como acontece numa estrela. Como emitem pouca luz visível, foram descobertas apenas em 1995, e até agora a maioria das anãs marrons conhecidas encontram-se a no máximo 1500 anos-luz de distância de nós.
Agora, astrônomos usaram a câmera infravermelha com óptica adaptativa NACO, montada no Very Large Telescope do ESO, para observar o aglomerado estelar RCW 38 na constelação da Vela, a cerca de 5500 anos-luz de distância da Terra. Esta Foto da Semana mostra a região central de RCW 38; as imagens inseridas de lado mostram um subconjunto de candidatas a anãs marrons detectadas no centro deste aglomerado.
Os cientistas encontraram cerca de uma anã marrom para cada duas estrelas nesse aglomerado. A partir destes resultados, e do estudo de outros aglomerados estelares, os astrônomos estimaram que a Via Láctea contenha, pelo menos, de 25 a 100 bilhões de anãs marrons. RCW 38 contém muito provavelmente ainda mais anãs marrons mais tênues e menos massivas, que por isso se encontram além dos limites de detecção da imagem. Ou seja, esta nova estimativa poderá estar significativamente subestimada. Rastreios adicionais revelarão o verdadeiro número de anãs marrons que se escondem na Via Láctea.

terça-feira, 18 de julho de 2017

CHANDRA OBSERVA A REGIÃO DE FORMAÇÃO ESTELAR W 51


Nuvens moleculares gigantes, contendo principalmente hidrogênio e hélio, são onde a maioria das novas estrelas e planetas se formam.
W51 é um dos objetos mais próximos da Terra, por isso é um excelente objetivo para aprender mais sobre o processo de formação de estrelas.
Uma nova imagem composta de W51 com dados de raios X de Chandra (azul) e Spitzer (laranja e amarelo-verde) está sendo liberada.
Os dados de raios-X mostram que as estrelas jovens são muitas vezes agrupadas em aglomerados, enquanto banham seus arredores em luz de alta energia.
No contexto do espaço, o termo "nuvem" pode significar algo bastante diferente das coleções brancas macias de água no céu ou uma maneira de armazenar dados ou processar informações. As nuvens moleculares gigantes são vastos objetos cósmicos, compostos principalmente por moléculas de hidrogênio e átomos de hélio, onde nascem novas estrelas e planetas. Essas nuvens podem conter mais massa do que um milhão de sóis e se esticar em centenas de anos-luz .
A nuvem molecular gigante conhecida como W51 é uma das mais próximas da Terra a uma distância de aproximadamente 17 mil anos-luz. Devido à sua proximidade relativa, o W51 fornece aos astrônomos uma excelente oportunidade de estudar como as estrelas estão se formando na nossa galáxia da Via Láctea .
Uma nova imagem composta do W51 mostra a saída de alta energia deste viveiro estelar, onde os raios X de Chandra são de cor azul. Em cerca de 20 horas de tempo de exposição de Chandra , mais de 600 estrelas jovens foram detectadas como fontes de raios-X semelhantes a pontos, e também foi observada emissão difusa de raios-X de gás interestelar com uma temperatura de um milhão de graus ou mais. A luz infravermelha observada com o telescópio espacial Spitzer da NASA parece laranja e amarelo-verde e mostra gás fresco e estrelas cercadas por discos de material legal.
W51 contém múltiplos conjuntos de estrelas jovens. Os dados de Chandra mostram que as fontes de raios X no campo são encontradas em pequenos grupos, com uma clara concentração de mais de 100 fontes no cluster central, chamado G49.5-0.4 (pan sobre a imagem para encontrar essa fonte).
Embora a nuvem molecular gigante W51 preenche todo o campo de visão desta imagem, há grandes áreas em que Chandra não detecta raios X difusos e de baixa energia a partir de gás interestelar quente. Presumivelmente, regiões densas de material refrigerante deslocaram esse gás quente ou bloquearam os raios X dele.
Imagem de raio-X etiquetada mostrando localização em estrela maciça
Imagem de raio-X etiquetada mostrando localização em estrela maciça
Uma das estrelas maciças do W51 é uma fonte de raios-X brilhante que é cercada por uma concentração de fontes de raios-X muito mais fracas, como mostrado em uma visão de close-up da imagem de Chandra. Isso sugere que as estrelas maciças podem se formar quase isoladamente, com apenas algumas estrelas de massa mais baixas do que o conjunto completo de centenas que são esperados em conjuntos de estrelas típicas.
Outro grupo jovem e massivo localizado perto do centro do W51 hospeda um sistema estelar que produz uma fração extraordinariamente grande das raios X de energia mais altas detectadas por Chandra da W51. As teorias para a emissão de raios-X de estrelas únicas maciças não podem explicar esse mistério, então provavelmente requer a interação próxima de duas estrelas muito jovens e maciças. Essa radiação intensa e energética deve mudar a química das moléculas que cercam o sistema estelar, apresentando um ambiente hostil para a formação de planetas.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

IMAGEM DE BETELGEUSE CAPTURADO PELO ALMA

Betelgeuse capturada pelo ALMA
Esta mancha alaranjanda é a estrela próxima Betelgeuse, vista pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).
É a primeira vez que o ALMA observa a superfície de uma estrela, sendo esta primeira tentativa resultado na imagem com a maior resolução conseguida até hoje para Betelgeuse.
Betelgeuse é uma das maiores estrelas conhecidas — com um raio de cerca de 1400 vezes superior ao do Sol no contínuo milimétrico. Situada a cerca de 600 anos-luz de distância na constelação de Orion, esta supergigante vermelha brilha intensamente, o que lhe dará uma vida curta. A estrela tem apenas cerca de 8 milhões de anos de idade, mas já está no processo de se transformar numa supernova. Quando isso acontecer, a explosão resultante poderá ser vista a partir da Terra, mesmo em plena luz do dia.
Comparação de tamanhos: Betelgeuse e o Sol
Comparação de tamanhos: Betelgeuse e o Sol
Esta imagem, obtida com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), mostra a supergigante vermelha Betelgeuse  uma das maiores estrelas conhecidas.
 No contínuo milimétrico, esta estrela é cerca de 1400 vezes maior que o Sol. As anotações sobrepostas mostram quão grande é a estrela quando comparada ao Sistema Solar.
Betelgeuse cobriria os quatro planetas terrestres — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte  e ainda o gigante gasoso Júpiter.
Apenas Saturno ficaria para além da sua superfície.
Esta estrela tem sido observada em muitos comprimentos de onda, em particular no visível, no infravermelho e no ultravioleta. Com o auxílio do Very Large Telescope do ESO, os astrônomos descobriram uma enorme pluma de gás quase tão grande como o nosso Sistema Solar e também uma bolha gigante em ebulição na superfície de Betelgeuse. Estas estruturas ajudam a explicar como é que a estrela perde gás e poeira a taxas elevadíssimas (eso0927, eso1121). Nesta imagem, o ALMA observou o gás quente da cromosfera inferior de Betelgeuse nos comprimentos de onda submilimétricos — onde temperaturas elevadas localizadas explicam a sua assimetria. O ALMA ajuda-nos assim a compreender as atmosferas extensas destas estrelas quentes e resplandescentes.
Crédito:
ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O’Gorman/P. Kervella

domingo, 16 de julho de 2017

SONDA ESPACIAL FAZ A MAIOR APROXIMAÇÃO DA GRANDE MANCHA VERMELHA COM IMAGENS ESPETACULARES

A Grande Mancha Vermelha fotografada durante máxima aproximação de Juno
A Grande Mancha Vermelha fotografada durante máxima aproximação de Juno 
Uma das características mais intrigantes de Júpiter é revelada em imagens inéditas!
A câmera a bordo da sonda Juno, da NASA, registrou imagens das características mais icônicas da famosa Grande Mancha Vermelha durante seu sobrevoo ocorrido em 10 de julho. As imagens mostram o maior furacão do Sistema Solar de uma forma nunca antes vista!
"Por centenas de anos, os cientistas observaram, imaginaram e teorizaram sobre A Grande Mancha Vermelha de Júpiter", disse Scott Bolton, investigador principal da missão Juno. "Agora, temos as melhores fotos dessa tempestade icônica. Levará algum tempo para analisar todos os dados, não só da JunoCam, mas dos oito instrumentos científicos de Juno, e assim lançar uma nova luz sobre o passado, presente e futuro da Grande Mancha Vermelha".
Conforme planejado pela equipe Juno, voluntários de projetos de ciência cidadã processaram as imagens brutas do sobrevoo de Juno, fornecendo um nível de detalhamento mais elevado. As imagens processadas por voluntários, bem como as imagens brutas prontas para processamento podem ser encontradas na galeria de fotos do site oficial da missão Juno.
A Grande Mancha Vermelha - aproximação da sonda Juno
A Grande Mancha Vermelha de Júpiter registrada em sobrevoo feito por Juno, no dia 10 de julho de 2017. Créditos: NASA / SwRI / MSSS / Gerald Eichstädt / Seán Doran © PUBLIC DOMAIN
"Eu tenho acompanhado a missão Juno desde seu lançamento", disse Jason Major, cientista cidadão da JunoCam e designer gráfico da Warwick, em Rhode Island. "É sempre empolgante ver essas novas imagens brutas de Júpiter à medida que elas chegam. Mas é ainda mais emocionante pegar as imagens brutas e transformá-las em algo que as pessoas possam apreciar. É para isso que eu vivo."
Medindo 16.350 quilômetros de largura (segundo medição feita em 3 de abril de 2017), a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é 1,3 vezes maior do que a Terra. Essa tempestade tem sido monitorada desde 1830 e possivelmente existe a mais de 350 anos. Atualmente, a Grande Mancha Vermelha parece estar encolhendo.
Todos os instrumentos científicos a bordo da sonda Juno estavam operando durante o sobrevoo, coletando dados que agora estão sendo retornados para a Terra. A nave espacial alcançou seu ponto mais próximo com Júpiter no dia 10 de julho, chegando a 3.500 quilômetros acima das nuvens do planeta. Onze minutos e 33 segundos após a máxima aproximação, Juno cobriu mais de 39.771 quilômetros, ao passar diretamente sobre as nuvens turbulentas da Grande Mancha Vermelha - a uma distância de 9.000 quilômetros.
A Grande Mancha Vermelha de Júpiter fotografada pela sonda Juno
A Grande Mancha Vermelha de Júpiter registrada em sobrevoo feito por Juno, no dia 10 de julho de 2017.Créditos: NASA / SwRI / MSSS / Gerald Eichstädt / Seán Doran © PUBLIC DOMAIN / Gerald Eichstädt
A sonda Juno foi lançada em 5 de agosto de 2011, do Cabo Canaveral, na Flórida, EUA. Os grandes sobrevoos realizados pela sonda fazem parte da missão, e visam estudar as origens, estrutura, auroras, atmosfera e magnetosfera do planeta.
Os primeiros resultados científicos da missão Juno retratam o maior planeta do Sistema Solar como um mundo turbulento, de estrutura interior complexa, com auroras polares energéticas e o local de grandes ciclones polares.
"Essas imagens da Grande Mancha Vermelha são a 'tempestade perfeita' de arte e ciência. Com dados da Voyager, Galileo, New Horizons, Hubble e agora da Juno, temos uma melhor compreensão da composição e evolução desta característica do planeta", disse Jim Green, diretor de ciência planetária da NASA. "Estamos satisfeitos em compartilhar a beleza e a emoção da ciência espacial com todos".
Imagens: (capa-NASA/SwRI) / NASA / SwRI / MSSS / Gerald Eichstädt / Seán Doran © PUBLIC DOMAIN / Gerald Eichstädt

sexta-feira, 14 de julho de 2017

OBSERVADA A MAIOR MANCHA SOLAR DE 2017 E CAUSA BLECAUTES DE RÁDIO E FALHAS NA COMUNICAÇÃO NA TERRA

mancha solar AR 2665
Ela tinha duas vezes o tamanho da Terra, agora já está do tamanho de Júpiter!
A mancha solar AR 2665 cresceu muito desde a primeira vez que a mostramos aqui. Agora ela já está com o tamanho do planeta Júpiter! E parece que ela não pára de crescer...
Com mais de 125.000 km de uma ponta à outra, e contendo dezenas de núcleos, a região ativa pode ser facilmente detectada em fotografias ou através de observações com telescópios (devidamente equipados com filtros solares, cuidado!). O astrônomo amador Peter Desypris registrou a mancha solar no último dia 9 de julho, na ilha de Ciros, Grécia:
AR 2665 - Peter Desypris - Grécia
AR 2665 - Peter Desypris - Grécia
Mancha solar AR 2665 registrada no dia 9 de julho de 2017, em Ciros, na Grécia.
Créditos: Peter Desypris
"Essa é a maior mancha solar de 2017 até agora", disse Peter. "Eu fotografei usando um telescópio de 200 mm de abertura, com um filtro solar seguro."
Nesse domingo, dia 9 de julho, a mancha solar produziu uma explosão de classe M 1.3 (moderada). Telescópios a bordo do Observatório Solar Dynamics, da NASA, registraram o momento da explosão através do ultravioleta extremo:
AR 2665 - explosão - 9 de juhlo de 2017
Imagem da explosão solar produzida pela mancha AR 2665 em 9 de julho de 207.
Créditos: NASA / SDO / AIA 131
Um pulso de UV e de raio-X, proveniente dessa explosão solar, ionizou o topo da atmosfera terrestre, o que alterou a propagação normal das ondas de rádio, que tiveram interrupções de transmissão no lado diurno do nosso planeta. Um mapa da NOAA nos mostra as regiões afetadas (basicamente a Austrália e o leste da Ásia):
Mapa das regiões afetadas pela explosão solar do dia 9 de julho de 2017. As regiões escuras não foram afetadas. Créditos: NOAA
Várias pessoas relataram o blecaute de rádio e irregularidades em outras transmissões, principalmente aviadores, marinheiros e operadores de rádio.
Considerando seu tamanho gigantesco. a mancha solar AR 2665 está relativamente calma, mas é claro que explosões solares e Ejeções de Massa Coronal intensas não estão descartadas, e ainda podem ocorrer conforme a mancha solar segue se alinhando de frente com a Terra.
Imagens: (capa-NASA/SDO) / Peter Desypris / NASA / SDO / AIA 131

quinta-feira, 13 de julho de 2017

RAIOS X ESTÃO VINDO DE PLUTÃO E EIXA OS CIENTISTAS CONFUSOS. O QUE ESTARIA CAUSANDO ISSO?

raios-X de Plutão
O que estaria causando essa emissão de raios-X em Plutão? Os cientistas ainda não decifraram esse enigma...
Mesmo sendo considerado um planeta-anão, Plutão se torna grande quando o assunto é "interesse científico". E mesmo após o encontro com a sonda New Horizons, realizado em julho de 2015, muitos mistérios continuam deixando os astrônomos com a pulga atrás da orelha...
Os dados obtidos pela sonda New Horizons continuam sendo analisados, e recentemente têm revelado um novo mistério. Um estudo feito por uma equipe de astrônomos, publicado na revista Icarus, indicou que uma pesquisa do Observatório de raios-X Chandra revelou a presença de intensas emissões de raios-X provenientes de Plutão. Isso pegou todos os cientistas "de calças curtas", pois achava-se que já tínhamos conhecimento suficiente sobre a atmosfera de Plutão e sua interação com o vento solar.
O estudo foi conduzido por astrônomos do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (JHUAPL), do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, do Southwest Research Institute (SwI), do Centro Espacial Vikram Sarabhai (VSCC), do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e do Centro de Pesquisa Ames.
Plutão - 14 de julho de 2015 - a 18.000 km da superfície - área de 380 km e montanhas de até 3.500 metros
Plutão fotografado em 14 de julho de 2015, quando a sonda New Horizons estava a 18.000 km de sua superfície. A área de 380 km registrada na imagem mostra montanhas de até 3.500 metros de altura.  Créditos: NASA / JHUAPL / SwRI         /      
Muitos objetos do Sistema Solar emitem raios-X por conta da interação com o vento solar e outros gases (como o nitrogênio e o argônio). Vênus e Marte possuem argônio e nitrogênio em suas atmosferas, assim como outros corpos menores, como cometas.
Quando a sonda New Horizons se encontrou com Plutão, os cientistas perceberam que sua atmosfera muda de tamanho e densidade de acordo com as estações. Basicamente, quando o planeta-anão atinge o periélio (máxima aproximação com o Sol), sua atmosfera se torna mais densa por conta do derretimento do nitrogênio e do metano congelado em sua superfície.
A última vez que Plutão atingiu o periélio foi em 5 de setembro de 1989, o que significa que ainda está no verão. A sonda New Horizons detectou uma atmosfera composta principalmente por nitrogênio gasoso, metano e dióxido de carbono. Os astrônomos então decidiram procurar por sinais de raios-X provenientes de sua atmosfera usando o Observatório de raios-X Chandra.
Ilustração artística da sonda New Horizons durante seu encontro com Plutão e sua lua Caronte
Ilustração artística da sonda New Horizons durante seu encontro com Plutão e sua lua Caronte.  Créditos: NASA / JHU APL / SwRI / Steve Gribben
Antes de enviar uma sonda para Plutão, os astrônomos acreditavam que sua atmosfera fosse bastante estendida, mas eles estavam errados - a atmosfera de Plutão é bem mais compactada, e sua taxa de perda é bem menor do que os modelos previam. Agora, o novo estudo consultou os dados do espectrômetro de Imagem Avançado do Chandra, e descobriu que as emissões de raios-X de Plutão são muito maiores do que sua física permitiria.
Em alguns casos, foram observadas emissões de raios-X em outros objetos menores do Sistema Solar, devido à dispersão de raios-X solares por pequenos grãos de poeira compostos por carbono, nitrogênio e oxigênio, mas essa explicação não é consistente com os raios-X emitidos por Plutão.
Outra possibilidade discutida pela equipe diz que os raios-X podem ocorrer devido a algum processo que concentre o vento solar perto de Plutão, o que aumentaria os efeitos em sua tênue atmosfera.
Até agora, a verdadeira causa das emissões de raios-X de Plutão permanece um mistério. Segundo os cientistas, mais pesquisas devem ser feitas, não somente em Plutão, como também em outros objetos menores do Cinturão de Kuiper (KBOs) para que talvez possamos entender o que estaria causando as emissões de raios-X. Felizmente, os dados obtidos pela sonda New Horizons fornecerão material suficiente para décadas de estudo, e quem sabe, mais pra frente, os astrônomos não encontrem a peça que está faltando nesse quebra-cabeças...
Imagens: (capa-ilustração/NASA/New Horizons) / NASA / JHUAPL / SwRI / Steve Gribben

quarta-feira, 12 de julho de 2017

ESTRELAS HIPER- VELOZES PODEM ESTAR ENTRANDO NA VIA LÁCTEA

estrelas hipervelozes invadindo a Via Láctea
Ao invés de estarem escapando da nossa Galáxia, elas estão apenas chegando aqui...
Há algum tempo, pesquisadores haviam encontrado um pequeno número de estrelas que pareciam estar sendo ejetadas da Via Láctea. Esse estudo foi publicado aqui em nosso site em janeiro de 2014. Mas agora, novas pesquisas revelam que, na verdade, essas estrelas não estão escapando da nossa Galáxia, mas sim, invadindo-a.
Acreditava-se que as estrelas hiper-velozes da Via Láctea se originavam quando estrelas binárias eram atraídas pelo buraco negro central da nossa Galáxia, que consumia uma delas, e arremessava a outra pra bem longe a velocidades altíssimas.
estrelas hipervelozes
estrelas hipervelozes  Créditos: Design gráfico por Julie Turner / Universidade de Vanderbilt / NASA / ESO
Existem vários cenários alternativos, mas nenhum deles explica porque a maioria das estrelas hiper-velozes (cerca de 20 encontradas até agora) estão acumuladas na mesma região do céu, nas constelações de Leo e Sextans.
Astrônomos utilizaram dados de localização e de velocidade do Observatório Sloan Digital Sky Survey junto com simulações de computador que replicam a evolução das estrelas da grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia satélite da Via Láctea, que possui apenas cerca de 10% da massa da nossa Galáxia. O estudo sugeriu que as estrelas hiper-velozes podem surgir quando uma estrela pertencente a um par binário explode em uma supernova, lançando sua parceira pra bem longe...
A Estrela de Belém realmente existiu? O que era afinal?
Eventos como esse, na Grande Nuvem de Magalhães, poderiam facilmente lançar estrelas para o espaço. E como a Grande Nuvem de Magalhães orbita a Via Láctea numa velocidade média de 400 quilômetros por segundo, uma estrela ejetada poderia ultrapassar os 500 quilômetros por segundo, que é justamente a velocidade média das estrelas hipervelozes encontradas na Via Láctea.
Grande Nuvem de Magalhães - Hubble
A Grande Nuvem de Magalhães registrada pelo Telescópios Espacial Hubble.
Créditos: NASA / Hubble
O estudo foi publicado na revista mensal da Royal Astronomical Society, e revela que a maioria das estrelas hiper-velozes encontradas em nossa Galáxia, na verdade não estariam escapando da Via Láctea, mas sim, a invadindo. Novas pesquisas devem confirmar essa hipótese dentro de mais algum tempo. A equipe acredita que mais estrelas hiper-velozes deverão ser encontradas em breve.

Como se não bastasse a troca de matéria que ocorre entre planetas e corpos mais próximos, temos agora evidências de que isso também é comum entre galáxias! Uma descoberta que, se confirmada, abrirá uma grande janela de possibilidades, e poderá dizer muito sobre o passado e o futuro das galáxias...
Imagens: (capa-Hubble) / Julie Turner / Universidade de Vanderbilt / NASA / ESO / Hubble

domingo, 9 de julho de 2017

ESO OBSERVA ESPIRAL DESLUMBRANTE COM CORAÇÃO ATIVO

A ofuscante galáxia Messier 77
O Very Large Telescope do ESO (VLT) capturou esta bela imagem de face da galáxia espiral barrada Messier 77. A imagem faz justiça à beleza da galáxia, mostrando os seus cintilantes braços entrecortados por faixas de poeira, no entanto não consegue mostrar a natureza turbulenta deste objeto.
Esta pitoresca galáxia espiral parece ser muito tranquila. No entanto, a aparência não corresponde de modo nenhum à realidade, já que Messier 77 (também conhecida por NGC 1068) é uma das galáxias ativas mais próximas de nós. As galáxias ativas são os objetos mais energéticos e espetaculares do Universo, e os seus núcleos são frequentemente suficientemente brilhantes para ofuscar o resto do brilho da galáxia. As galáxias ativas estão entre os objetos mais brilhantes do Universo, emitindo radiação em quase todos, senão todos, os comprimentos de onda, desde os raios gama e raios X até às microondas e ondas rádio. Messier 77 foi classificada como uma galáxia Seyfert do Tipo II, caracterizada por ser particularmente brilhante nos comprimentos de onda infravermelhos.
Esta imensa luminosidade é causada pela radiação intensa emitida pelo seu “motor” central — um disco de acreção que rodeia o buraco negro supermassivo. O material que cai em direção ao buraco negro é comprimido e aquecido a temperaturas extremamente elevadas, o que o leva a emitir enormes quantidades de energia. Pensa-se que este disco de acreção se encontra rodeado por uma estrutura espessa em forma de rosquinha constituída por gás e poeira, o chamado “torus”. Observações de Messier 77 obtidas em 2003 conseguiram resolver tal estrutura com o auxílio do Interferômetro do VLT (eso0319).
Esta imagem de Messier 77 foi obtida em quatro bandas diferentes de comprimentos de onda representadas pelas cores azul, vermelho, violeta e cor de rosa (hidrogênio alfa). Cada comprimento de onda mostra uma característica diferente: por exemplo, o hidrogênio alfa rosado destaca as estrelas mais quentes e jovens que se formam nos braços em espiral, enquanto o vermelho mostra as finas estruturas filamentares do gás que rodeiam Messier 77 . Vemos também em primeiro plano uma estrela pertencente à Via Láctea, que mostra o efeito típico da difração. Adicionalmente, observam-se ainda muitas galáxias distantes, situadas depois dos braços espirais. Estes objetos aparecem-nos minúsculos e delicados quando comparados com a enorme galáxia ativa.
Situada a 47 milhões de anos-luz de distância na constelação da Baleia, Messier 77 é uma das galáxias mais remotas do catálogo de Messier. Inicialmente, Messier acreditava que o objeto altamente luminoso que ele observava através do seu telescópio se tratava de um aglomerado de estrelas, mas à medida que a tecnologia foi avançando a verdadeira estrutura da galáxia acabou por ser revelada. Com aproximadamente 100 000 anos-luz de comprimento de uma ponta à outra, Messier 77 é também uma das maiores galáxias do catálogo de Messier — tão massiva que a sua gravidade faz com que as outras galáxias próximas se distorçam e deformem (eso1707) .
Esta imagem foi obtida com o instrumento FORS2 (FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph 2) montado no Telescópio Principal 1 (Antu) do VLT, situado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile. A imagem foi obtida no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa de divulgação que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica.