quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

APEX REVELA FORMAÇÃO ESTELAR ESCONDIDA EM PROTO AGLOMERADO GALÁTICO


Segredos de construção de uma metrópole galática. Esta é a primeira vez que se consegue realizar um censo completo da formação estelar em tais objetos.
Astrônomos utilizaram o telescópio APEX para investigar um enorme aglomerado de galáxias, que está se formando no Universo primordial, e revelaram que boa parte da formação estelar que está ocorrendo e que não apenas se encontra escondida pela poeira, mas também acontece em locais inesperados.
Os aglomerados de galáxias são os maiores objetos do Universo unidos pela força da gravidade, no entanto a sua formação ainda não é completamente compreendida. A Galáxia da Teia de Aranha (conhecida pelo nome formal de MRC 1138-262 , e seus arredores, é estudada há vinte anos, tanto com telescópios do ESO como com outros telescópios . Pensa-se que este objeto é um dos melhores exemplos de um protoaglomerado no processo de se juntar, há mais de dez bilhões de anos atrás.
No entanto, Helmut Dannerbauer (Universidade de Viena, Áustria) e a sua equipe suspeitavam que esta explicação estaria muito aquém da realidade. A equipe pretendia investigar o lado escuro da formação estelar e descobrir quanta formação estelar escondida por trás da poeira estava a ocorrer no aglomerado da Galáxia da Teia de Aranha.
A equipe utilizou a câmera LABOCA montada no telescópio APEX no Chile, para observar durante 40 horas este aglomerado nos comprimentos de onda do milímetro que são suficientemente longos para permitir espreitar através da maioria das espessas nuvens de poeira. A LABOCA tem um campo largo, tornando-se no instrumento perfeito para este tipo de rastreio.
Carlos De Breuck (Cientista de Projeto do APEX no ESO e co-autor do novo estudo) enfatiza: “Esta é uma das observações mais profundas executadas pelo APEX e que levou este telescópio aos seus limites tecnológicos, tendo levado igualmente aos limites a resistência do pessoal que trabalha no local do APEX a elevada altitude, 5050 metros acima do nível do mar”.
As observações APEX revelaram que existiam cerca de quatro vezes mais fontes na região da Teia de Aranha do que no meio circundante. Depois de comparar detalhadamente os novos dados com observações complementares obtidas a comprimentos de onda diferentes, a equipe pôde confirmar que muitas destas fontes se encontravam à mesma distância que o aglomerado de galáxias e por isso deviam fazer parte do aglomerado em formação.
Helmut Dannerbauer explica: “As novas observações APEX acrescentaram a peça final que precisávamos para realizar um censo completo de todos os habitantes desta megacidade estelar. Estas galáxias estão no processo de formação e por isso, tal como um estaleiro na Terra, encontram-se muito empoeiradas”.
Mas uma surpresa esperava a equipe quando foi investigado onde é que a nova formação estelar detectada estava a ocorrer. Os astrônomos esperavam encontrar estas regiões de formação estelar nos grandes filamentos que ligam as galáxias mas, em vez disso, encontraram-nas concentradas principalmente numa única região, sendo que esta região nem sequer se encontra centrada na Galáxia da Teia de Aranha, central no protoaglomerado.
Helmut Dannerbauer conclui: ”Esperávamos encontrar formação estelar escondida no aglomerado da Teia de Aranha - e conseguimos - no entanto, desenterramos ao mesmo tempo um novo mistério no processo; esta formação estelar não está a ocorrer onde esperávamos! A megacidade está a desenvolver-se de modo assimétrico”.
Para que esta história se desenvolva melhor novas observações são necessárias - e o ALMA será o instrumento perfeito para nos dar os próximos passos no estudo destas regiões empoeiradas com muito mais detalhes.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ESO OBSERVA EM INFRA VERMELHO A REGIÃO DE FORMAÇÃO ESTELAR RHO OPHIUCHI

Imagem infravermelha da região de formação estelar Rho Ophiuchi
Imagem infravermelha da região de formação estelar Rho Ophiuchi
Esta imagem mostra a região de formação estelar Rho Ophiuchi no infravermelho, obtida pelo Wide-field Infrared Explorer (WISE) da NASA. O azul e o ciano representam a radiação emitida nos comprimentos de onda de 3,4 e 4,6 micrômetros, emitidos predominantemente por estrelas. O verde e o vermelho representam a radiação a 12 e 22 micrômetros, respectivamente, principalmente emitida pela poeira.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/WISE Team

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

JOIAS DO BAÚ: ESO OBSERVA UMA CONCENTRAÇÃO COLORIDA DE ESTRELAS DE MEIA IDADE


O telescópio MPG/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, capturou uma linda imagem colorida do aglomerado estelar brilhante NGC 3532.
Algumas das estrelas ainda brilham numa cor quente azulada, mas muitas das mais massivas já tornaram-se gigantes vermelhas e brilham em tons de laranja.
NGC 3532 é um aglomerado aberto brilhante situado a cerca de 1300 anos-luz de distância na constelação de Carina (a Quilha do navio Argos). Este aglomerado é conhecido de modo informal por aglomerado do Poço dos Desejos, já que faz lembrar moedas de prata espalhadas, lançadas num poço. Também é, às vezes, chamado aglomerado da Bola de Futebol Americano, embora esta designação dependa do país em que se vive. Este nome tem origem na sua forma oval, que faz lembrar uma bola de rugby aos cidadãos das nações que praticam este esporte.
Este aglomerado estelar muito brilhante pode facilmente ser visto a olho nu a partir do hemisfério sul. Foi descoberto pelo astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille quando observava na África do Sul em 1752 e catalogado três anos mais tarde, em 1755. Trata-se de um dos aglomerados abertos mais espetaculares de todo o céu.
NGC 3532 cobre uma área no céu que é quase duas vezes o tamanho da Lua Cheia. Foi descrito como um aglomerado rico em binários de estrelas por John Herschel, que observou “várias estrelas duplas elegantes” neste local durante a sua estadia no sul de África na década de 1830. Adicionalmente, e muito mais relevante como história recente, NGC 3532 foi o primeiro alvo a ser observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, a 20 de maio de 1990.
Este grupo de estrelas tem cerca de 300 milhões de anos de idade, sendo por isso de meia-idade nos padrões de aglomerados estelares abertos [1]. As estrelas do aglomerado que iniciaram as suas vidas com massas moderadas ainda se encontram a brilhar intensamente em tons azuis-esbranquiçados, mas as estrelas mais massivas gastaram já todo o seu combustível de hidrogênio e transformaram-se em estrelas gigantes vermelhas. O resultado é que o aglomerado parece rico tanto em estrelas azuis como em estrelas laranjas. As estrelas mais massivas no aglomerado original viveram já as suas breves mas muito brilhantes vidas, tendo explodido em supernovas há muito tempo. Existem também numerosas estrelas mais tênues e portanto menos óbvias. São estrelas de massas menores que vivem vidas mais longas e brilham em tons amarelos e vermelhos. NGC 3532 tem cerca de 400 estrelas no total.
O céu de fundo, situado numa região rica da Via Láctea, encontra-se inundado de estrelas. Vemos também algum gás vermelho brilhante e faixas sutis de poeira que bloqueiam a radiação emitida por estrelas mais distantes. Este gás e poeira provavelmente não estão ligados ao aglomerado propriamente dito, o qual tem idade suficiente para ter "varrido" já há muito tempo atrás qualquer material que tivesse restado no seu meio circundante.
Esta imagem do NGC 3523 foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager, no Observatório de La Silla do ESO em fevereiro de 2013.

domingo, 28 de dezembro de 2014

O QUE É UMA LAB OU BOLHA LYMAN-ALFA

bolha lyman-alpha
Uma bolha Lyman-alfa ou (Lyman-alpha blob - LAB), é um objeto enorme com uma enorme concentração de gás, do tamanho de várias galáxias, ou seja, um tamanho de várias centenas de milhares de anos-luz.
O LAB são os maiores objetos conhecidos no universo. Algumas destas estruturas moles são mais de 400 000 anos-luz de diâmetro.
Estas estruturas gigantescas de hidrogênio, do início do universo, como uma nebulosa, eles emitem fortemente na emissão de hidrogênio linha Lyman-alpha.
Normalmente, a emissão Lyman-alfa é no ultravioleta, mas as bolhas de Lyman-alfa estão tão distantes que sua luz é deslocada para o vermelho, e se tornam visíveis no domínio óptico.
Dados das observações de raios-X indicam a presença de um buraco negro supermassivo, alimentação em uma galáxia ativa, se localizado dentro da bolha primitiva.
As bolhas de Lyman-alfa pode representar um estágio inicial da formação de galáxias e seus buracos negros.bolhas Lyman-alpha pode conter pistas valiosas para os cientistas e determinar como as galáxias se formaram.
A mais famosa bolha Lyman-alpha foi descoberta em 2000 por Steidel e Matsuda.
Uma vez que, usando o telescópio Subaru Observatório Astronómico Nacional do Japão, mais de 30 LAB, menores que (200 milhões de anos-luz), foram encontrados.
Não é conhecido no presente, nem o mecanismo que produz a linha de emissão Lyman-alfa, ou como o LAB estão ligados às galáxias vizinhas.
"Nós mostramos pela primeira vez a influência deste objeto enigmático é a partir da luz dispersa pelas galáxias luminosas que são escondidos, em vez de a propagação de gás de brilho em toda a nuvem", disse Matthew Hayes (Universidade de Toulouse , França), no artigo da revista Nature em 18 de agosto de 2011 : “Central Powering of the Largest Lyman-alpha Nebula is Revealed by Polarized Radiation” by Hayes et al.
Esta bolha Lyman-alpha é visto no passado,  quando o Universo tinha apenas 2 bilhões de anos, há cerca de 12 bilhões de anos.
Nota : Em espectroscopia astronômica, Lyman-alpha,  é a soma das linhas de absorção decorrentes da transição de luz do hidrogênio neutro nos espectros de galáxias distantes e de quasares.
crédito: NASA / ESA, CXC, JPL-Caltech, STScI, NAOJ, J.E. Geach (Univ. Durham) et al.

sábado, 27 de dezembro de 2014

OBSERVAÇÕES DO ALMA E HUBBLE REVELAM ANEIS DE EINSTEIN EM GALÁXIAS DISTANTES


Imagens ALMA de galáxias distantes com formação estelar intensa foram amplificadas por efeito de lente gravitacional.
Esta montagem combina dados do ALMA com imagens do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, de cinco galáxias distantes. As imagens ALMA, em vermelho, mostram as galáxias distantes de fundo sendo distorcidas pelo efeito de lente gravitacional produzido pelas galáxias que se encontram em primeiro plano, e que são apresentadas a azul com dados do Hubble. As galáxias de fundo aparecem em forma de anéis de luz, os chamados anéis de Einstein, rodeando as galáxias mais próximas.
Id: eso1313a

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

PESQUISADORES INGLESES ANUNCIARAM DESCOBERTA DE VIDA ALIENÍGENA


A descoberta considerada "revolucionária" foi publicada no periódico especializado Journal of Cosmology no dia 19 de Setembro.
Pesquisadores ingleses anunciaram ter provas de vida alienígena que veio parar na Terra, após um experimento em Agosto passado
Um grupo de biólogos moleculares da Universidade de Sheffield afirma ter encontrado os pequenos organismos após soltarem um balão na estratosfera terrestre, a 27 quilômetros de altitude, durante a chuva de meteoros Perseidas -  que ocorre todo ano no mês de Agosto, quando a Terra passa por um jato de 'destroços' deixados pelo cometa Swift-Tuttle.
 Segundo o professor Milton Wainwright, que liderou a pesquisa, dificilmente as partículas surgiram no nosso planeta, pois elas são muito "grandes" para levantarem do chão até essa camada intermediária da atmosfera. Apenas uma violenta erupção vulcânica poderia fazer isso com os organismos.
 "Na ausência de um mecanismo que pudesse levar as partículas de 'grandes dimensões' para a estratosfera, só podemos concluir que as entidades biológicas têm origem espacial. A conclusão, portanto, é que a vida está constantemente chegando à Terra a partir do espaço. Ela não se restringe ao nosso planeta e quase certamente não se originou aqui."
O balão carregava tubos microscópios (imagem acima), que só foram expostos quando chegaram a uma altitude entre 22 quilômetros e 27 quilômetros, evitando contaminação durante a coleta do "material espacial". A equipe afirma que precauções rigorosas foram tomadas durante todo o processo, da amostragem à análise.
O equipamento foi lançado perto de Chester e aterrissou intacto na região de Wakefield, trazendo "um fragmento de diatomácea e algumas entidades biológicas incomuns da estratosfera, todas muito 'grandes' para serem da Terra".
Wainwright afirma que o próximo passo é confirmar os resultados  em um novo teste com balões em Outubro, durante a chuva de meteoros Orionídeas (associada à passagem do cometa Haley), quando haverá uma grande quantidade de poeira cósmica sobre o globo terrestre.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

OBSERVANDO AS ESTRELAS QUENTES E AZUIS DE MESSIER 47

The star cluster Messier 47
Esta linda imagem espetacular do aglomerado estelar Messier 47 foi obtida com a câmera Wide Field Imager, instalada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla do ESO, no Chile.
Apesar deste jovem aglomerado aberto ser dominado por estrelas azuis e brilhantes, contém também algumas estrelas gigantes vermelhas contrastantes.
O aglomerado estelar Messier 47 situa-se a aproximadamente 1600 anos-luz de distância da Terra, na constelação da Popa (a ré do navio mitológico Argo). Foi observado pela primeira vez alguns anos antes de 1664 pelo astrônomo italiano Giovanni Battista Hodierna e descoberto mais tarde de forma independente por Charles Messier que, aparentemente, não tinha conhecimento da observação feita anteriormente por Hodierna.
Embora seja brilhante e fácil de observar, Messier 47 é um dos aglomerados abertos com menos população. São apenas visíveis cerca de 50 estrelas neste aglomerado, distribuídas numa região com uma dimensão de 12 anos-luz, isto comparado com objetos similares que podem conter milhares de estrelas.
Messier 47 nem sempre foi fácil de identificar. De fato, durante anos foi dado como desaparecido, já que Messier anotou as suas coordenadas de forma errada. O aglomerado foi posteriormente redescoberto, tendo-lhe sido atribuída outra designação de catálogo - NGC 2422. A certeza do erro de Messier e a conclusão firme de que Messier 47 e NGC 2422 eram de fato o mesmo objeto apenas foi estabelecida em 1959 pelo astrônomo canadense T. F. Morris.
As cores azuis-esbranquiçadas brilhantes destas estrelas são indicativas da sua temperatura, com estrelas mais quentes apresentando a cor azul e as mais frias a vermelha. Esta relação entre cor, brilho e temperatura pode ser visualizada através da curva de Planck. No entanto, um estudo mais detalhado das cores das estrelas usando espectroscopia dá muita informação aos astrônomos - incluindo a sua velocidade de rotação e composição química. Vemos também na imagem algumas estrelas vermelhas brilhantes - tratam-se de estrelas gigantes vermelhas que se encontram numa fase mais avançada das suas curtas vidas do que as estrelas azuis menos massivas. Estas últimas duram portanto mais tempo
Por mero acaso, Messier 47 parece estar próximo no céu de outro aglomerado estelar contrastante - Messier 46. Messier 47 encontra-se relativamente perto de nós, a cerca de 1500 anos-luz,  enquanto o Messier 46 se situa a cerca de 5500 anos-luz de distância e contém muito mais estrelas, pelo menos 500. Apesar de conter mais estrelas, este aglomerado apresenta-se significativamente mais tênue devido à maior distância a que se encontra da Terra.
Messier 46 poderia ser considerado o irmão mais velho de Messier 47, com aproximadamente 300 milhões de anos comparado com os 78 milhões de anos de Messier 47. Consequentemente, muitas das estrelas mais massivas e brilhantes de Messier 46 viveram já as suas curtas vidas, não sendo visíveis, e por isso a maioria das estrelas que vivem no seio deste aglomerado mais velho são mais vermelhas e frias.
Esta imagem de Messier 47 foi criada no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza pouco tempo de observação, combinado com tempo de telescópio inutilizado, de modo a minimizar o impacto nas observações científicas. Todos os dados são também postos à disposição dos astrônomos através do arquivo científico do ESO.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

CONHECENDO A NUVEM DE OORT

A nuvem de Oort, também chamada de nuvem de Öpik-Oort, é uma nuvem esférica de planetesimais voláteis que se acredita localizar-se a cerca de 50 000 UA, ou quase um ano-luz apartir do Sol.
Isso significa que ela está a aproximadamente um quarto da distância a Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol. O cinturão de Kuiper e o disco disperso, as outras duas regiões do Sistema Solar que contêm objetos transnetunianos, se localizam a menos de um milésimo da distância estimada da nuvem de Oort.
Os astrônomos conjecturam que a matéria que compõe a nuvem de Oort tenha se formado perto do Sol, nos primeiros estágios da formação do Sistema Solar, e tenha se espalhado pelo espaço devido aos efeitos gravitacionais dos planetas gigantes.
Embora não se tenha feito nenhuma observação direta da nuvem de Oort, ela pode ser a fonte de todos os cometas de longo período e de tipo Halley que entram no Sistema Solar interior, além de muitos centauros e cometas de Júpiter. A parte externa da nuvem de Oort é muito pouco influenciada pela gravidade do Sol, e isso faz com que outras estrelas e a própria Via Láctea possam interferir na órbita de seus objetos dentro da nuvem e mandá-los para o Sistema Solar interior. Dependendo de suas órbitas, a maioria dos cometas de curto período do Sistema Solar pode ter vindo do disco disperso, mas alguns podem ter se originado na nuvem de Oort
Hipóteses
Em 1932, o astrônomo estoniano Ernst Öpik postulou que os cometas de período longo se originaram numa nuvem que orbitava nos confins do Sistema Solar. A ideia foi retomada em 1950 pelo astrônomo holandês Jan Oort, de modo independente, para resolver um paradoxo. Ao longo da existência do Sistema Solar, as órbitas dos cometas são muito instáveis, e eventualmente a dinâmica determina que um cometa colida contra o Sol ou um planeta ou seja ejetado do Sistema Solar devido às perturbações planetárias. Adicionalmente, sua composição volátil faz com que, em suas repetidas aproximações do Sol, a radiação gradualmente vaporize as substâncias voláteis, até que o cometa se divida ou adquira uma casca isolante que freia a desgaseificação. Assim, Oort sugeriu que os cometas não poderiam ter se formado na sua órbita atual, e que deveriam ter permanecido durante quase toda a sua existência num depósito afastado destes corpos celestes.
Existem dois tipos de cometas: os de período curto (também chamados cometas eclípticos) e os de período longo (cometas quase isotrópicos). Os cometas eclípticos possuem órbitas relativamente pequenas (menos de 10 UA) e seguem o plano eclíptico, o plano em que se posicionam os planetas. Os cometas de longo período possuem órbitas muito grandes, da ordem de milhares de UA, e surgem de todas as direções do céu. Oort notou que havia um pico na quantidade de cometas de longo período com afélio (a sua maior distância do Sol) de aproximadamente 20 000 UA, o que sugeria um depósito àquela distância, com uma distribuição isotrópica, esférica. Os escassos cometas que possuem afélios de 10 000 UA devem ter passado por uma ou mais órbitas no Sistema Solar e tiveram suas órbitas empurradas para dentro pela gravidade dos planetas.
Composição e estrutura
Distância presumida da Nuvem de Oort comparada com o restante do Sistema Solar.
 A parte externa da nuvem de Oort define o limite cosmográfico do Sistema Solar e a região de influência gravitacional do Sol.
Acredita-se que a nuvem de Oort, que recebe o seu nome graças ao astrônomo holandês Jan Oort, compreenda duas regiões distintas: uma parte externa esférica e uma parte interna em forma de disco, ou nuvem de Hills. Os objetos da nuvem de Oort são compostos principalmente por voláteis como gelo, amônia e metano.
Acredita-se que a nuvem de Oort ocupe um vasto espaço desde 2 000 ou 5 000 UA até 50 000 UA do Sol, embora algumas fontes situem o seu limite entre 100 000 UA e 200 000 UA. A nuvem de Oort pode ser dividida em duas regiões: a nuvem de Oort exterior (20 000 - 50 000 UA), esférica, e a nuvem de Oort interior (2 000 - 20 000 UA), que tem forma toroidal. A nuvem exterior está pouco ligada ao Sol e é a fonte da maior parte dos cometas de período longo (e possivelmente os do tipo Halley) para o interior da órbita de Netuno. A nuvem interior também é conhecida como nuvem de Hills, em homenagem a J. G. Hills, o astrônomo que propôs a sua existência em 1981.  Os modelos predizem que a nuvem interior deve possuir dezenas ou centenas de vezes mais núcleos cometários do que a nuvem exterior; a nuvem de Hills parece ser uma fonte de novos cometas para a nuvem exterior à medida que eles vão gradualmente se esgotando, e explica a existência da nuvem de Oort após bilhões de anos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

LINDA OBSERVAÇÃO DE CAMPO AMPLO DO CÉU EM TORNO DA NEBULOSA DO LÁPIS

Vista de campo amplo do céu em torno da Nebulosa do Lápis
Esta imagem da região do céu em torno da Nebulosa do Lápis mostra uma bela paisagem celeste, onde se observam os filamentos azuis do resto da supernova da Vela, o brilho vermelho das nuvens de hidrogênio e inúmeras estrelas. É uma imagem a cores composta, obtida a partir de exposições do Digitized Sky Survey.

Crédito:
ESO/Digitized Sky Survey 2
Acknowledgment: Davide De Martin.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O GRANDE MISTÉRIO DA MATÉRIA ESCURA PODE TER SIDO FINALMENTE REVELADO


"Astrônomos podem finalmente ter detectado um sinal de matéria escura, o material misterioso que os cientistas acreditam que seja responsável pela formação da maior parte do Universo.
Debruçada sobre os dados coletados pela nave Newton XMM da Agência Espacial Europeia, uma equipe de pesquisadores avistou um ponto estranho em emissões de raios-X provenientes de dois corpos celestes diferentes: a galáxia de Andrômeda e o aglomerado de galáxias Perseus.
O sinal não corresponde a qualquer partícula conhecida ou átomo e, portanto, podem ter sido produzidos por matéria escura, disseram os investigadores.
A distribuição do sinal dentro da galáxia corresponde exatamente ao que nós estávamos esperando da matéria escura, concentrado e intenso no centro de objetos e mais fraco e difuso nas bordas", comenta o co-autor do estudo Oleg Ruchayskiy, da École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL), na Suíça.

"Com o objetivo de verificar os achados, em seguida, observamos os dados de nossa própria galáxia, a Via Láctea, e as mesmas observações foram confirmadas", acrescentou o principal autor Alexey Boyarsky, da EPFL e da Universidade de Leiden, na Holanda.

A matéria escura é assim chamada porque ela não absorve nem emite luz e, portanto, não pode ser observada diretamente. Mas os astrônomos sabem que existe matéria escura porque ela interage gravitacionalmente com a matéria "normal" que podemos ver e tocar.
Mapa em 3D da distribuição em larga escala da matéria escura, reconstruído através de medições de lente gravitacional fraca com o Telescópio Espacial Hubble. Créditos: Hubble / Wikimedia commons

E aparentemente, existe uma grande quantidade de matéria escura lá fora. Observações dos movimentos de estrelas e de galáxias sugerem que cerca de 80% de toda matéria no Universo é "escura", que exerce força gravitacional mas não interage com a luz.
Os pesquisadores propuseram uma série de diferentes partículas exóticas como os constituintes da matéria escura, incluindo partículas de interação fraca (WIMPs), axions e neutrinos estéreis, primos hipotéticos de neutrinos "comuns" (partículas confirmadas que se assemelham aos elétrons, mas sem a carga elétrica).
Acredita-se que a decadência de neutrinos estéreis pode produzir raios-X, de modo que a equipe de pesquisa suspeita que estas podem ser as partículas da matéria escura responsáveis pelo sinal misterioso vindo de Andrômeda e do aglomerado Perseus.
Misteriosa emissão de rádio foi detectada pelos cientistas
Se os resultados (que serão publicadas na próxima semana na revista Physical Review Letters) forem confirmados, eles podem dar início a uma nova era na Astronomia, segundo membros da equipe de estudos.
 "A confirmação desta descoberta pode levar à construção de novos telescópios especialmente concebidos para o estudo dos sinais de partículas de matéria escura", disse Boyarsky. "Vamos saber para onde olhar, a fim de traçar estruturas escuras no espaço, e seremos capazes de entender e reconstruir a formação do Universo".
Fonte: Space / Physical Review Letters
Imagens: (capa-ilustração) / Hubble / NASA / Wikimedia commons