sexta-feira, 13 de outubro de 2017

OBSERVATÓRIO ESPACIAL INDIANO DIVULGA FOTO DE AGLOMERADO DE ESTRELAS EM GALÁXIA IRREGULAR


A imagem foi adquirida pelo Astrosat, que é o primeiro observatório espacial indiano que foi lançado dois anos atrás. WLM, que está localizada a cerca de 3 milhões de anos-luz de distância da Terra.
Os cientistas do Instituto Indiano de Astrofísica participaram desse registro que mostra o aglomerado de estrelas com as estrelas coloridas em azul e em amarelo de acordo com suas características.
O cientista Annapurni Subramaniam do Instituto Indiano de Astrofísica, em Bengaluru e sua estudante Chayan Mondal, usaram o telescópio de imageamento ultravioleta a bordo do Astrosat para fazer a imagem do aglomerado de estrelas mais jovem da WLM.
Eles querem estudar e entender como essa pequena galáxia consegue formar novas estrelas de forma tão eficiente, apesar de ter pouca massa, ela é milhares de vezes menos massiva que a Via Láctea, e pouca metalicidade.
De forma impressionante a galáxia forma estrelas numa taxa 12 vezes maior que a Via Láctea. Os astrônomos ainda não possuem um modelo que explique de forma definitiva como a WLM faz isso.
Os astrônomos do Instituto Indiano de Astrofísica estão analisando os dados que eles coletaram atrás dessas respostas.
O telescópio do observatório espacial que trabalha com múltiplos comprimentos de onda que foi lançado em Setembro de 2015, registrou a imagem do aglomerado de estrelas da galáxia que fica na constelação de Cetus.
O observatório espacial indiano tem cinco instrumentos a bordo – o Telescópio de Imageamento no Ultra Violeta, o Telescópio de Raios-X Soft, o Contador Proporcional de Raios-X de Grande Área, o Imageador de Cádmio-Zinco-Telúrio e o Monitor de Escaneamento do Céu.
Para quem quiser seguir os avanços do AstroSat, a comunidade de cientistas que trabalha com o telescópio espacial irá manter a chamada AstroSat Picture of The Month, como uma forma de divulgar o trabalho. Acesse aqui:

Fonte:
http://timesofindia.indiatimes.com/home/science

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O ÚLTIMO RETRATO DE CORPO INTEIRO DE SATURNO FEITO PELA SONDA CASSINI


Como a sonda Cassini deveria se despedir de Saturno? Três dias antes de mergulhar em Saturno, a sonda Cassini passou pelo lado noturno de Satruno com suas câmeras bem ligadas e fazendo imagens maravilhosas. 
Trinta e seis dessas imagens foram então integradas para formar esse belo mosaico, que foi processado por um cientista cidadão e então mostra o último retrato completo de Saturno feito pela sonda nos seus 13 anos de trabalho no planeta. O Sol está acima do frame, fazendo com que Saturno gere uma sombra escura nos seus enormes anéis. Essa posição da sombra não pode ser imageada da Terra, e não será nunca vista até que uma sonda lançada da Terra passe ou entre em órbita de Saturno. Os dados e as imagens obtidas pela sonda Cassini durante o seu mergulho em Saturno em 15 de Setembro de 2017 continuam sendo estudados e analisados.
Fonte:
https://apod.nasa.gov/apod/ap170926.html

terça-feira, 10 de outubro de 2017

SONDA OSIRIS-REX FAZ IMAGEM DO SISTEMA TERRA-LUA DURANTE A ASSISTÊNCIA GRAVITACIONAl


A primeira imagem feita pela sonda OSIRIS-REx da NASA depois de completar sua manobra de assistência gravitacional pela Terra, em 22 de Setembro, mostra toda a grandiosidade do nosso planeta. 
A imagem foi feita no dia 22 de Setembro de 2017 a uma distância de 110 mil km de distância da Terra. A imagem foi rotacionada da imagem original para manter o polo norte na parte superior da imagem. A região de Baja Califórnia pode ser vista acima e a direita do centro da imagem. As nuvens cobrindo o Oceano Pacífico dominam essa imagem, mas o Furacão Maria e a parte restante do Furacão Jose, podem ser vistos na parte extrema direita da imagem. Essa imagem foi adquirida pela NavCam 1, um imageador preto e branco que é uma das 3 câmeras que fazem parte do TAGCAMS, que por sua vez, é parte do sistema de guiagem, navegação e controle da sonda OSIRIS-REx. As imagens da NavCam serão usadas para rastrear o campo de estrelas e feições na superfície do asteroide Bennu para determinar a posição da sonda durante as operações.
Essa outra imagem em preto e branco mostra o sistema Terra-Lua e foi feita no dia 25 de Setembro de 2017 pela NavCam 1 também. Essa imagem foi feita a cerca de 1297000 quilômetros da Terra e 1185000 quilômetros da Lua e mostra a separação de 401200 quilômetros dos dois objetos no momento da imagem. Essa imagem fez parte do conjunto de imagens feitas pela sonda OSIRIS-REx, durante a sua manobra de assistência gravitacional realizada pelo planeta Terra no dia 22 de Setembro de 2017.
Fonte:
https://www.nasa.gov/feature/goddard/2017/osiris-rex-snaps-pictures-of-earth-and-the-moon

sábado, 7 de outubro de 2017

MUNDO INFERNAL COM CÉU DE TITANIO


O VLT do ESO faz a primeira detecção de óxido de titânio num exoplaneta
Astrônomos usaram o Very Large Telescope do ESO para detectar pela primeira vez óxido de titânio na atmosfera de um exoplaneta. Esta descoberta feita em torno do planeta do tipo Júpiter quente chamado WASP-19b fez uso do poder do instrumento FORS2, tendo-nos fornecido informações únicas sobre a composição química e a estrutura de temperatura e pressão na atmosfera deste mundo quente e incomum. Os resultados foram publicados hoje na revista Nature.
Uma equipe de astrônomos liderada por Elyar Sedaghati, um bolsista do ESO recentemente graduado pela TU Berlim, examinou a atmosfera do exoplaneta WASP-19b com o maior detalhe conseguido até hoje. Este planeta notável tem aproximadamente a mesma massa de Júpiter, mas encontra-se tão perto da sua estrela hospedeira que completa uma órbita em apenas 19 horas. Estima-se que a sua atmosfera tenha uma temperatura de cerca de 2000 graus Celsius.
Quando WASP-19b passa em frente da sua estrela hospedeira, parte da luz estelar atravessa a atmosfera do planeta, deixando assinaturas sutis na luz que chega eventualmente à Terra. Ao usar o instrumento FORS2 montado no Very Large Telescope, a equipe conseguiu analisar cuidadosamente esta luz e deduzir que a atmosfera contém pequenas quantidades de óxido de titânio, água e vestígios de sódio, além de uma forte neblina global de dispersão.
“A detecção de tais moléculas não é fácil,” explica Elyar Sedaghati, que passou dois anos como estudante do ESO trabalhando neste projeto. “Além de dados de qualidade excepcional, precisamos ainda realizar uma análise muito sofisticada. Usamos um algoritmo que explora muitos milhões de espectros, que cobrem uma grande variedade de composições químicas, temperaturas e propriedades de nuvens ou neblinas, de modo a tirar as nossas conclusões.”
O óxido de titânio é raramente visto na Terra. Sabe-se que existe em atmosferas de estrelas frias. Nas atmosferas de planetas quentes como WASP-19b, esta molécula atua como um absorvedor de calor. Se estiverem presentes em grandes quantidades, estas moléculas impedem o calor de entrar ou escapar da atmosfera, levando a uma inversão térmica — a temperatura apresenta-se mais elevada na atmosfera superior e mais baixa na inferior, ou seja, o contrário do que acontece numa situação normal. O ozônio desempenha um papel semelhante na atmosfera terrestre, causando uma inversão na estratosfera.
“A presença de óxido de titânio na atmosfera de WASP-19b tem efeitos substanciais na estrutura da temperatura atmosférica e na circulação,” explica Ryan MacDonald, outro membro da equipe e astrônomo da Universidade de Cambridge, Reino Unido. ”Conseguir estudar exoplanetas com este nível de detalhe é muito promissor e excitante.”
Os astrônomos coletaram observações de WASP-19b durante um período de mais de um ano. Ao medir as variações relativas do raio do planeta em diferentes comprimentos de onda da luz que passa através da atmosfera do exoplaneta e comparando-as aos modelos atmosféricos, os pesquisadores puderam extrapolar diferentes propriedades, tais como o conteúdo químico da atmosfera do exoplaneta.
Esta nova informação sobre a presença de óxidos de metal, tais como o óxido de titânio e outras substâncias, permitirá uma modelagem muito melhor das atmosferas de exoplanetas. Olhando para o futuro, quando os astrônomos conseguirem observar atmosferas de planetas possivelmente habitáveis, estes modelos melhorados darão uma ideia muito melhor de como interpretar tais observações.
“Esta importante descoberta é o resultado de uma renovação do instrumento FORS2, feita exatamente para este efeito,” acrescenta o membro da equipe Henri Boffin do ESO, que liderou o projeto de renovação. “Desde essa altura, o FORS2 tornou-se o melhor instrumento para realizar este tipo de estudos a partir do solo.”

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

RAIOS-X REVELAM O TEMPERAMENTO DAS POSSÍVEIS ESTRELAS EM RELAÇÃO A HOSPEDGEM DA VIDA


Os raios-X podem fornecer informações valiosas sobre se um sistema estelar será hospitaleiro na vida em planetas.
Atividade magnética do espelho estelar dos raios-X, que pode produzir radiações e erupções energéticas que podem afetar os planetas circundantes.
Os pesquisadores usaram Chandra e XMM-Newton para estudar 24 estrelas como o Sol que tinha pelo menos um bilhão de anos.
O último estudo indica que as estrelas mais antigas do sol se acalmaram relativamente rapidamente, aumentando as perspectivas de vida a desenvolver em planetas em torno deles.
Um novo estudo usando dados do Observatório de Raio-X de Chandra da NASA e XMM-Newton da ESA sugere que os raios X emitidos pela estrela hospedeira de um planeta podem fornecer pistas críticas para o quão hospitaleiro um sistema estelar poderia ser. Uma equipe de pesquisadores olhou para 24 estrelas semelhantes ao Sol, cada um com pelo menos um bilhão de anos, e como seu brilho de raios X mudou ao longo do tempo.
Uma vez que a atividade magnética espelhada dos raios-X reflete, as observações de raios X podem dizer aos astrônomos sobre o ambiente de alta energia ao redor da estrela. No novo estudo, os dados de raios-X de Chandra e XMM-Newton revelaram que estrelas como o Sol e seus primos menos maciços se acalmam surpreendentemente rapidamente após uma turbulenta juventude.
A ilustração desse artista descreve uma dessas estrelas relativamente semelhantes, parecidas com o sol, com um planeta em órbita ao redor. A grande área escura é um "furo coronal", um fenômeno associado a baixos níveis de atividade magnética. A caixa de inserção mostra os dados de Chandra de um dos objetos observados, uma estrela de dois bilhões de anos chamada GJ 176, localizada a 30 anos-luz da Terra.
Para entender quão rápido o nível de atividade magnética estelar muda ao longo do tempo, os astrônomos precisam de idades precisas para muitas estrelas diferentes. Esta é uma tarefa difícil, mas novas estimativas de idade precisas recentemente se tornaram disponíveis a partir de estudos da forma como uma estrela pulsa usando as missões da CoRoT da Kepler e da ESA da NASA. Estas novas estimativas de idade foram utilizadas para a maioria das 24 estrelas estudadas aqui.
Os astrônomos observaram que a maioria das estrelas são muito magneticamente ativas quando são jovens , já que as estrelas estão girando rapidamente. À medida que a estrela rotativa perde energia ao longo do tempo, a estrela gira mais devagar e o nível de atividade magnética, juntamente com a emissão de raios-X associada, cai.
Embora não seja certo por que as estrelas mais antigas se estabelecem relativamente rapidamente, os astrônomos têm idéias que estão explorando. Uma possibilidade é que a diminuição da taxa de rotação das estrelas mais antigas ocorre mais rapidamente do que para as estrelas mais jovens. Outra possibilidade é que o brilho do raio-X declina mais rapidamente com o tempo para as estrelas mais velhas e mais lentas do que as estrelas mais novas.
Um documento descrevendo esses resultados foi aceito para publicação nos Avisos Mensais da Royal Astronomical Society, e está disponível on-line . Os outros co-autores são Victor Silva Aguirre da Universidade de Aarhus na Dinamarca e Scott Wolk da CfA.
O Centro de Vôos Espaciais Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, administra o programa de Chandra para a Direcção da Missão de Ciências da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Massachusetts, controla a ciência e operações de vôo de Chandra.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ALMA DESCOBRE RESERVATÓRIOS DE GÁS FRIO ESCONDIDOS EM GALÁXIAS DISTANTES

 
O ALMA detectou reservatórios turbulentos de gás frio em torno de galáxias distantes com formação estelar explosiva. Ao detectar CH+ pela primeira vez, este trabalho abre uma nova janela na exploração de uma época crítica de formação estelar no Universo. A presença deste íon lança uma nova luz sobre como é que as galáxias conseguem estender o seu período de formação estelar rápida. Os resultados foram publicados hoje na revista Nature.
Uma equipe liderada por Edith Falgarone (Ecole Normale Supérieure e Observatoire de Paris, França) utilizou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para detectar assinaturas do íon de hidreto de carbono CH+ em galáxias distantes com formação estelar explosiva. O grupo de pesquisadores identificou os fortes sinais de CH+ em cinco das seis galáxias estudadas, incluindo a Pestana Cósmica (eso1012). Este trabalho fornece novas informações que ajudam os astrônomos a compreender melhor o crescimento das galáxias e como é que o meio que envolve estes objetos alimenta a formação estelar.

“O CH+ é um íon especial. Precisa de muita energia para se formar e é muito reativo, o que significa que o seu tempo de vida é muito curto e não pode ser transportado para muito longe. 
Por isso, o CH+ mostra-nos como é que a energia flui nas galáxias e no meio ao seu redor” diz Martin Zwaan, astrônomo do ESO, que contribuiu para o artigo científico que descreve os resultados.
Para percebermos como é que o CH+ rastreia a energia podemos fazer uma analogia com estar num barco num oceano tropical durante uma noite escura e sem Lua. Quando as condições são apropriadas, o plâncton fluorescente pode iluminar a região em redor do barco à medida que este avança. A turbulência causada pelo barco deslizando na água excita o plâncton, que emite luz, revelando assim a presença de regiões turbulentas na água escura por baixo de nós. Uma vez que o CH+ se forma exclusivamente em pequenas áreas onde os movimentos turbulentos do gás se dissipam, a sua detecção rastreia essencialmente a energia em escala galáctica.
O CH+ observado revela densas ondas de choque, alimentadas por ventos galácticos rápidos e quentes que têm origem nas regiões de formação estelar das galáxias. Estes ventos fluem ao longo da galáxia e empurram o material para fora desta, no entanto os seus movimentos turbulentos são tais que parte deste material pode ser de novo capturado pela atração gravitacional da própria galáxia. A matéria aglomera-se em enormes reservatórios turbulentos de gás frio de baixa densidade, estendendo-se mais de 30 mil anos-luz a partir da região de formação estelar da galáxia.
“Com o CH+ aprendemos que a energia está armazenada no interior de vastos ventos do tamanho de galáxias e que termina como movimentos turbulentos em reservatórios invisíveis de gás frio que rodeiam a galáxia,” disse Falgarone, autor principal do novo artigo científico. “Os nossos resultados desafiam a teoria de evolução galáctica. Ao dar origem a turbulência nos reservatórios, estes ventos galácticos aumentam a fase de formação estelar explosiva, em vez de a extinguirem.”
A equipe determinou que os ventos galácticos não podem por si próprios alimentar os reservatórios gasosos recentemente descobertos, sugerindo que a massa vem de fusão ou acreção galácticas de correntes de gás escondidas, como previsto pela atual teoria.
“Esta descoberta representa um enorme passo em frente na nossa compreensão de como o fluxo de material é regulado em torno das galáxias com a mais intensa formação estelar explosiva do Universo primordial,” disse o Diretor de Ciência do ESO, Rob Ivison, co-autor do novo artigo. “Este trabalha demonstra bem o que pode ser alcançado quando cientistas de uma variedade de áreas se juntam para explorar as capacidades de um dos mais poderosos telescópios do mundo.”

domingo, 1 de outubro de 2017

OS CONTATOS IMEDIATOS DE ESTRELAS COM O NOSSO SISTEMA SOLAR


Os movimentos de mais de 300 mil estrelas pesquisadas pelo satélite GAIA da ESA revelam que raros encontros com o nosso Sol podem perturbar a nuvem de cometas localizada nos confins do nosso Sistema Solar, e enviar alguns deles em direção à Terra num futuro distante.
À medida que o Sistema Solar se move através da Via Láctea, e à medida que as outras estrelas também seguem suas trajetórias, encontros próximos entre as estrelas se torna algo inevitável, só lembrando que esse próximo quer dizer muitos trilhões de quilômetros.
Uma estrela, dependendo da sua massa e da sua velocidade, precisaria estar a cerca de 60 trilhões de quilômetros antes de começar a afetar o distante reservatório de cometas do nosso Sistema Solar, a chamada Nuvem de Oort, que acredita-se se estenda a cerca de 15 trilhões de quilômetros do Sol, ou seja, 100 mil vezes a distância da Terra ao Sol.
Só para comparação, o planeta mais externo do Sistema Solar, Netuno, orbita o Sol a uma distância média de 4.5 bilhões de quilômetros, ou seja, 30 vezes a distância entre a Terra e o Sol.
A influência gravitacional das estrelas que passam perto da Nuvem de Oort poderia perturbar a trajetória dos cometas que ali residem, colocando-os numa órbita em direção ao Sistema Solar interno.
Acredita-se que é essa interação de estrelas passando perto da nuvem de Oort que faça com que alguns cometas apareçam no nosso céu a cada centenas de milhões de anos, e essa interação de alguma maneira poderia colocar cometas em rota de colisão com alguns planetas, inclusive a Terra.
Desse modo, entender os movimentos passados e futuro das estrelas é o principal objetivo da missão GAIA, que faz isso coletando dados precisos sobre as posições das estrelas e seus movimentos no decorrer dos seus 5 anos de missão. Depois de 14 meses, o primeiro catálogo com mais de 1 bilhão de estrelas foi lançado, esse catálogo inclui as distâncias e os movimentos pelo céu de mais de 2 milhões de estrelas.
Combinando os novos resultados com informações já existentes, os astrônomos começaram a fazer um estudo detalhado da passagem de estrelas perto do nosso Sol.
Para isso, os movimentos relativos ao Sol de mais de 300 mil estrelas foram rastreados através da galáxia e suas maiores aproximações foram determinadas para um intervalo de tempo de 5 milhões de anos no passado e no futuro.
De todas essas estrelas estudadas, 97 passarão a uma distância de 150 trilhões de quilômetros do Sol, enquanto que 16 chegaram a uma distância de aproximadamente 60 trilhões de quilômetros.
Enquanto essas 16 são consideradas estrelas que passarão relativamente perto do Sol, uma em particular passará bem perto mesmo, a Gliese 710, em 1.3 milhão de anos. A previsão a partir desse estudo é que ela passe a apenas 2.3 trilhões de quilômetros do Sol, ou seja, 16 mil vezes a distância da Terra ao Sol, bem dentro da Nuvem de Oort.
A estrela é bem documentada, e graças aos dados da missão Gaia, a distância desse encontro foi recentemente revisada. Anteriormente, existia 90% de probabilidade da estrela passar entre 3.1 e 13.6 trilhões de quilômetros de distância. Agora, os dados mais precisos sugerem que ela passará entre 1.5 e 3.2 trilhões de quilômetros, sendo que 2.3 trilhões de quilômetros é a distância mais provável.
Além disso, embora a Gliese 710 tenha uma massa de 60% da massa do Sol, ela viaja a uma velocidade muito mais lenta que as demais estrelas, aproximadamente 50 mil km/h, enquanto as demais estrelas viajam a cerca de 100 mil km/h.
A velocidade dessa passagem significa que ela terá um bom tempo para exercer sua influência gravitacional nos corpos da Nuvem de Oort, potencialmente mandando uma chuva de cometas para dentro do Sistema Solar.
Apesar de passar lentamente pela Nuvem de Oort ela ainda aparecerá como o objeto mais brilhante e mais rápido no céu noturno da Terra, durante a sua aproximação máxima.
O último estudo usando medidas feitas pelo Gaia para fazer uma estimativa geral da taxa de encontro estelares, leva em consideração incertezas como a de estrelas que podem não ter sido observadas no catálogo.
Para um intervalo de tempo de 5 milhões de anos no passado e no futuro, a taxa geral de encontro próximo com uma estrela é estimada em cerca de 550 estrelas por milhão de anos, para uma passagem dentro de 150 trilhões de quilômetros, das 20 estrelas chegaram mais perto do que 30 trilhões de quilômetros.
Isso mostra que um potencial encontro próximo pode ocorrer a cada 50 mil anos. É importante notar que não é garantido que uma estrela perturbe de verdade qualquer cometa e que eles entrarão nas regiões mais internas do Sistema Solar, e além disso que a Terra estará na linha de fogo desses cometas.
Todas essas estimativas serão refinadas com futuros dados da missão Gaia. O segundo catálogo está programado para ser lançado em Abril de 2018, contendo a informação de 20 vezes mais estrelas, permitindo a reconstrução em um intervalo de tempo de 25 milhões de anos no passado e no futuro.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ESTRELA ENVELHECENDO SOPRA BOLHA DIFUSA

Bolha delicada de material expelido encontrada em torno da estrela vermelha fria U Antliae
Astrônomos usaram o ALMA para capturar esta bela imagem de uma delicada bolha de material expelido pela exótica estrela vermelha U Antliae. 
Estas observações irão ajudar os astrônomos a compreender melhor como é que as estrelas evoluem durante as fases finais do seu ciclo de vida.
Na fraca constelação austral da Máquina Pneumática, um observador cuidadoso munido de binóculos poderá ver uma estrela muito vermelha, que varia ligeiramente em brilho de semana para semana. Esta estrela muito incomum chama-se U Antliae e novas observações obtidas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) revelam uma concha esférica bastante fina à sua volta.
U Antliae  é uma estrela de carbono, isto é, uma estrela evoluída, luminosa e fria do ramo assintótico das gigantes. Há cerca de 2700 anos, U Antliae sofreu um período curto de perda de massa rápida. Durante este período de apenas algumas centenas de anos, o material que compõe a concha, que agora observamos nos novos dados ALMA, foi ejetado a alta velocidade. A análise detalhada desta concha mostrou também a existência de nuvens de gás finas e esparsas, as chamadas subestruturas filamentares.
Esta imagem se tornou possível devido à capacidade única do rádio telescópio ALMA em criar imagens nítidas em vários comprimentos de onda. O ALMA, situado no planalto do Chajnantor no deserto chileno do Atacama, conseguiu observar a estrutura da concha da U Antliae com muito mais detalhe do que o conseguido até então.
Os novos dados ALMA não consistem apenas numa única imagem: o ALMA produz um conjunto de dados tridimensionais (um cubo de dados) com cada “fatia” correspondente a um comprimento de onda ligeiramente diferente. Devido ao efeito Doppler, cada fatia diferente do cubo de dados mostra imagens do gás deslocando-se a velocidades diferentes, aproximando-se ou afastando-se do observador. Ao dispormos de velocidades diferentes, podemos cortar a bolha cósmica em fatias virtuais, tal como uma tomografia do corpo humano feita pelo computador. A concha observada apresenta-se simetricamente bastante redonda e muito fina, o que faz dela uma estrutura notável.
Compreender a composição química das conchas e atmosferas destas estrelas, e saber como é que estas conchas se formam por perda de massa, é importante para compreendermos como é que as estrelas, e consequentemente as galáxias, evoluíram no Universo primordial. Conchas como a que observamos em torno de U Antliae mostram uma enorme variedade de componentes químicos baseados no carbono e em outros elementos. Estas conchas ajudam igualmente a reciclar matéria, contribuindo com até 70% da poeira do meio interestelar.

NADA DE MEGAESTRUTURA ALIENÍGENA: A ESTRELA DE TABBY PROVAVELMENTE É EMPOEIRADA


A megaestrutura alienígena está descartada. Uma nova pesquisa mostra que a variação incomum de brilho da estrela KIC 8462852 provavelmente é causada por nuvens de poeira ou por um ciclo anormal de aumento e diminuição brilho, sugerem dois novos artigos.
Huan Meng da Universidade do Arizona em Tucson e seus colegas, sugerem que a KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Tabby, está diminuindo seu brilho graças a uma fina nuvem de partículas de poeira orbitando a estrela. A equipe observou a estrela com os telescópios espaciais de infravermelho Spitzer e ultravioleta Swift, de Outubro de 2015 até Dezembro de 2016 – a primeira vez que a estrela foi observada com múltiplos comprimentos de onda. Eles descobriram que a estrela está diminuindo de brilho mais rápido nos comprimentos de onda mais curtos do azul do que nos comprimentos de onda infravermelho mais longos, sugerindo partículas menores.
“Isso quase que absolutamente descarta o cenário de uma megaestrutura alienígena, a menos que essa estrutura seja micro e não mega”, disse Meng.
A estrela de Tabby é mais famosa pela sua repentina queda de brilho de cerca de 22% no decorrer de alguns dias. Observações posteriores sugerem que a estrela está perdendo 4% de seu brilho por ano, o que a equipe de Meng confirmou no artigo publicado.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

HUBBLE MOSTRA PRIMEIRAS PISTAS DE ÁGUA NOS PLANETAS DO SISTEMA TRAPPIST-1


Uma equipe internacional de astrônomos usou o Telescópio Espacial Hubble, da NASA e ESA para estimar se pode existir água em alguns dos sete planetas que orbitam a estrela anã próxima TRAPPIST-1. Os resultados sugerem que os planetas mais externos podem ainda ter uma boa quantidade de água. Isso inclui os 3 planetas dentro da zona habitável da estrela, o que conta muito sobre a possibilidade que eles possam ser habitáveis.
No dia 22 de fevereiro de 2017, os astrônomos anunciaram a descoberta de sete planetas com o tamanho parecido com a Terra na órbita da estrela anã ultrafria, TRAPPIST-1, localizada a 40 anos-luz de distância da Terra. Isso fez com que o sistema da TRAPPIST-1 se tornasse o sistema planetário com o maior número de planetas com o mesmo tamanho da Terra já descoberto.
Agora, um grupo internacional de astrônomos liderado pelo astrônomo suíço Vincent Bourrier do Observatorie de l’Université de Genéve, usou o Space Telescope Imaging Spectrograph (STIS) no Hubbble  para estudar a quantidade de radiação ultravioleta recebida por cada planeta do sistema. “A radiação ultravioleta é um fator importante na evolução atmosférica dos planetas”, explica Courrier. “Como na nossa atmosfera, onde a luz solar ultravioleta quebra as moléculas, a radiação ultravioleta emitida por uma estrela pode quebrar as moléculas de vapor d’água na atmosfera dos exoplanetas em hidrogênio e oxigênio”.
Enquanto que a radiação ultravioleta de energia mais baixa, quebra as moléculas de água, num processo chamado de fotodissociação, os raios ultravioleta de maior energia, a radiação XUV, e os raios-X aquecem a atmosfera superior de um planeta o que permite que os produtos da fotodissociação, hidrogênio e oxigênio, escapem.
Como é muito leve, o gás hidrogênio pode escapar da atmosfera dos exoplanetas e ser detectado ao redor deles com o Hubble, e essa detecção age como um indicador de vapor de água atmosférico. A quantidade de radiação ultravioleta observada emitida pela TRAPPIST-1 sugere que os planetas possam ter tido uma gigantesca perda de água no decorrer da sua história.
Isso é especialmente verdade para os dois planetas mais internos, o TRAPPIST-1b e o TRAPPIST-1c, que recebem uma maior quantidade de energia ultravioleta. “Nossos resultados indicam que o escape atmosférico pode ter um papel importante na evolução desses planetas”, resume Julien de Wit, do MIT, co-autor do trabalho.
Os planetas internos poderiam ter uma perda de mais de 20 oceanos terrestres de água durante os últimos 8 bilhões de anos. Contudo os planetas mais externos do sistema, incluindo o e, f e o g que estão na zona habitável, apresentaram uma perda de água muito menor, sugerindo que eles podem ter retido uma porção dessa água na sua superfície. A taxa de perda de água calculada bem como a taxa de água geofísica lançada também favorece a ideia de que os planetas mais externos, mais massivos conseguiram reter alguma água. Contudo, com os dados atualmente disponíveis não é possível se ter uma conclusão definitiva sobre o conteúdo de água nos planetas que orbitam a TRAPPIST-1.
“Enquanto nossos resultados sugerem que os planetas externos são os melhores candidatos para uma pesquisa futura a ser realizada com o Telescópio Espacial James Webb. Eles também destacam a necessidade de estudos teóricos e observações complementares em todos os comprimentos de onda para determinar a natureza dos planetas ao redor da TRAPPIST-1 e sua potencial habitabilidade”, conclui Bourrier.