domingo, 30 de abril de 2017

OBSERVATÓRIO APEX DIVULGA IMAGEM DA NEBULOSA CARINA

As nuvens frias de Carina
As nuvens frias de Carina . Observações obtidas com o telescópio APEX em ondas submilímetricas revelaram as nuvens frias de poeira onde se formam estrelas na Nebulosa Carina.
 Este local de intensa formação estelar, que abriga algumas das estrelas de maior massa da nossa galáxia, é o local ideal para se estudar a interação entre as estrelas jovens e as suas nuvens progenitoras.
Utilizando a câmera LABOCA montada no telescópio APEX (sigla do inglês Atacama Pathfinder Experiment) instalado no planalto do Chajnantor nos Andes chilenos, uma equipe de astrônomos liderada por Thomas Preibisch (Universitäts–Sternwarte München, Ludwig-Maximilians-Universität, Alemanha), em estreita colaboração com Karl Menten e Frederic Schuller (Max-Planck-Institut für Radioastronomie, Bonn, Alemanha), obteve imagens na região espectral do submilímetro. Nestes comprimentos de onda a maior parte da radiação observada corresponde ao brilho tênue do calor irradiado pelos grãos de poeira cósmica. A imagem revela-nos assim as nuvens de poeira e gás molecular - essencialmente hidrogênio - a partir das quais se formam as estrelas. A -250º C os grãos de poeira estão muito frios e o tênue brilho que deles emana apenas pode ser visto nos comprimentos de onda submilimétricos, que são muito maiores que os da radiação visível. A radiação submilimétrica é por isso a chave para estudarmos como é que as estrelas se formam e como é que interagem com as nuvens que lhes dão origem.
As observações APEX LABOCA são visíveis a tons de laranja, combinadas com a imagem no visível do telescópio Curtis Schmidt, instalado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo. O resultado é esta espetacular imagem de grande campo, que nos mostra as zonas de formação estelar em Carina. A nebulosa contém estrelas com uma massa total equivalente a mais de 25 000 sóis, enquanto a massa do gás e das nuvens de poeira corresponde a cerca de 140 000 sóis.
No entanto, apenas uma pequena fração do gás da Nebulosa Carina está em nuvens suficientemente densas para que se dê o seu colapso e consequentemente se formem novas estrelas num futuro imediato (em termos astronômicos isto corresponde ao próximo milhão de anos). A longo prazo, os efeitos dramáticos das estrelas de grande massa que já se encontram na região rodeadas pelas suas nuvens, podem fazer acelerar a taxa de formação estelar.
As estrelas de grande massa vivem no máximo apenas alguns milhões de anos (um tempo muito curto quando comparado com os dez bilhões de anos de vida do Sol), mas ao longo das suas vidas influenciam fortemente o meio onde estão inseridas. Quando jovens, estas estrelas emitem ventos estelares fortes e radiação que dão forma às nuvens que as rodeiam, e provavelmente comprimem-nas o suficiente para que se formem novas estrelas. No final das suas vidas, tornam-se muito instáveis, estando sujeitas a perdas consideráveis de material estelar, até às suas mortes que se dão sob a forma de violentas explosões de supernova.
Um bom exemplo deste tipo de estrelas violentas é a Eta Carinae, uma estrela brilhante amarelada situada no centro da imagem um pouco para cima e à esquerda. Esta estrela possui cerca de 100 vezes mais massa que o nosso Sol e encontra-se entre as estrelas mais brilhantes conhecidas. No próximo milhão de anos, mais ou menos, a Eta Carinae explodirá como supernova, seguida de mais supernovas com origem noutras estrelas de grande massa que se encontram na região.
Estas explosões violentas “rasgam” as nuvens de gás molecular que estão nas suas vizinhanças, mas assim que a onda de choque percorra mais de cerca de dez anos-luz, tornam-se mais fracas e podem, em vez de destruir, comprimir as nuvens que se encontram um pouco mais afastadas, dando origem à formação de uma nova geração de estrelas. As supernovas podem ainda produzir átomos radioativos de curta duração, que são incorporados nas nuvens que estão a colapsar. Existem evidências fortes de que semelhantes átomos radioativos foram incorporados na nuvem que colapsou para formar o nosso Sol e os planetas. Assim, a Nebulosa Carina pode ajudar-nos a melhor compreender a formação do nosso próprio Sistema Solar.
A Nebulosa Carina encontra-se a cerca de 7500 anos-luz de distância na constelação do mesmo nome (Carina ou Quilha). É uma das nebulosas mais brilhantes do céu devido à sua grande população de estrelas de grande massa. Com uma dimensão de aproximadamente 150 anos-luz, é cerca de várias vezes maior que a bem conhecida Nebulosa de Orion. Embora se encontre várias vezes mais afastada de nós que a Nebulosa de Orion, o seu tamanho aparente no céu é aproximadamente o mesmo, fazendo com que seja uma das maiores nebulosas no céu.
O telescópio APEX de 12 metros de diâmetro é o percursor do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, um novo telescópio revolucionário que o ESO está a construir e a operar no planalto do Chajnantor, em colaboração com os seus parceiros internacionais. O APEX baseia-se numa única antena protótipo construída para o projeto ALMA, enquanto o ALMA será constituído por uma rede de 54 antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas de 7 metros de diâmetro. Embora o ALMA vá ter uma resolução angular muito melhor que o APEX, o seu campo de visão é muito menor. Os dois telescópios são por isso complementares: por exemplo, o APEX descobrirá muitos objetos interessantes em vastas áreas do céu, enquanto que o ALMA poderá posteriormente estudá-los com todo o pormenor.
O APEX é um projeto de colaboração entre o Instituto Max-Planck para a Radioastronomia (MPIfR), o Observatório Espacial de Onsala (OSO) e o ESO. O telescópio é operado pelo ESO.
O projeto ALMA, uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, o Japão e a América do Norte, em cooperação com a República do Chile.  A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção e operação do ALMA.

sábado, 29 de abril de 2017

ESO OBSERVA UMA SUPER BOLHA CÓSMICA

 Superbubble LHA 120-N 44 in the Large Magellanic Cloud
O Very Large Telescope do ESO capturou esta imagem extraordinária da nebulosa que envolve o aglomerado estelar NGC 1929 situado na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa própria Via Láctea. 
Esta maternidade estelar é dominada por o que os astrônomos chamam uma superbolha. Este objeto está sendo esculpido tanto pelos ventos ejetados pelas estrelas brilhantes jovens como pelas ondas de choque originárias das explosões de supernovas.
A Grande Nuvem de Magalhães é uma pequena galáxia vizinha da Via Láctea. Possui muitas regiões onde nuvens de gás e poeira estão formando novas estrelas. Esta nova imagem do Very Large Telescope do ESO mostra em grande plano uma dessas regiões, situada em torno do aglomerado estelar NGC 1929. Esta nebulosa é oficialmente conhecida por LHA 120-N 44, ou apenas pelo diminutivo N 44.
As estrelas jovens quentes do NGC 1929 estão emitindo radiação ultravioleta extremamente intensa, o que faz com que o gás em sua volta brilhe. Este efeito põe em evidência a superbolha, uma vasta concha de matéria com um tamanho de cerca de 325 por 250 anos-luz. Em termos de comparação importa dizer que a estrela mais próxima do Sol se encontra a uma distância de pouco mais de quatro anos-luz.
A superbolha N 44 formou-se devido à combinação de dois processos. Primeiro, ventos estelares - correntes de partículas carregadas emitidas por estrelas muito quentes de grande massa situadas no centro do aglomerado - limparam a região central. Seguidamente, estrelas de grande massa do aglomerado explodiram como supernovas criando ondas de choque e empurrando o gás para fora formando-se assim uma bolha brilhante.
Embora a superbolha seja formada por forças destrutivas, estrelas novas estão se formando em torno dos limites onde o gás está sendo comprimido. Tal como reciclagem em escala cósmica, esta próxima geração de estrelas trará vida nova ao NGC 1929.
A imagem foi criada pelo ESO a partir de dados observacionais identificados por Manu Meijas, da Argentina, que participou no concurso de astrofotografia Tesouros Escondidos do ESO 2010. A competição foi organizada pelo ESO em Outubro e Novembro de 2010, e foi dirigida a qualquer pessoa com gosto em produzir imagens bonitas do céu ncturno utilizando dados astronômicos obtidos com telescópios profissionais.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

PLANETA ANÃO DISTANTE ERIS É GÊMEO DE PLUTÃO

Calculando com precisão o tamanho do planeta anão no momento em que ocultou uma estrela de fraca luminosidade
Astrônomos mediram pela primeira vez de modo preciso o diâmetro de Éris, o longínquo planeta anão, no momento em que este passou em frente de uma estrela de luminosidade baixa. Este fenômeno foi observado no final de 2010 por telescópios no Chile, incluindo o telescópio belga TRAPPIST que se encontra instalado no Observatório de La Silla do ESO.
As observações mostram que Éris é um gêmeo quase perfeito de Plutão em termos de tamanho. Éris parece ter uma superfície muito refletora, sugerindo que se encontra uniformemente coberto por uma fina camada de gelo, provavelmente uma atmosfera gelada. Os resultados foram publicados  na revista Nature.
Em Novembro de 2010 o distante planeta anão Éris passou em frente de uma estrela de fundo de luminosidade baixa, num acontecimento a que chamamos ocultação. Estes eventos são muito raros e difíceis de observar, uma vez que o planeta anão se encontra muito longe e é muito pequeno. O próximo acontecimento do gênero envolvendo Éris terá lugar apenas em 2013. As ocultações oferecem-nos a maneira mais precisa, e muitas vezes a única maneira, de medir o tamanho e estimar a forma de corpos muito distantes do Sistema Solar. 
A estrela candidata a ocultação foi identificada ao serem estudadas imagens obtidas com o telescópio MPG/ESO de 2.2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO. As observações foram planejadas cuidadosamente e levadas a cabo por uma equipe internacional de astrônomos de várias universidades (principalmente de França, Bélgica, Espanha e Brasil), que utilizaram, entre outros, o telescópio TRAPPIST  (sigla do inglês TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope, eso1023), também instalado em La Silla.
“Observar ocultações de pequenos corpos do Sistema Solar situados para além de Netuno requer grande precisão e planejamento. Esta é a melhor maneira de medir o tamanho de Éris, além de ir até lá, é claro!” explica Bruno Sicardy, o autor principal do trabalho.
As observações da ocultação foram feitas em 26 locais diferentes espalhados por toda a Terra e que se encontravam na trajetória prevista da sombra do planeta anão - incluindo alguns telescópios de observatórios amadores. No entanto, só foi possível observar o evento diretamente em dois lugares apenas, ambos situados no Chile: um no Observatório de La Silla do ESO com o telescópio TRAPPIST e o outro em São Pedro de Atacama, onde se utilizaram dois telescópios. Os três telescópios registaram uma diminuição do brilho da estrela distante correspondente à altura em que Éris bloqueou a sua radiação.
As observações combinadas dos dois locais chilenos indicam que Éris tem uma forma praticamente esférica. Estas medições são bastante precisas no que dizem respeito à forma e ao tamanho do objeto, mas apenas se não tiverem sido distorcidas pela presença de montanhas altas, o que dificilmente existirá num corpo gelado tão grande.
Éris foi identificado como sendo um objeto grande situado no Sistema Solar exterior em 2005. A sua descoberta foi um dos motivos que levou à criação de uma nova classe de objetos chamados planetas anões e à reclassificação de Plutão de planeta para planeta anão em 2006. Éris encontra-se atualmente três vezes mais longe do Sol do que Plutão.
Embora observações anteriores utilizando métodos diferentes sugerissem que Éris era provavelmente 25% maior do que Plutão, com uma estimativa para o diâmetro de 3000 quilômetros, este novo estudo prova que os dois objetos têm essencialmente o mesmo tamanho. O novo diâmetro calculado para Éris é de 2326 quilômetros com uma precisão de 12 quilômetros, o que torna o seu tamanho melhor conhecido que o de Plutão, que tem um diâmetro estimado entre 2300 e 2400 quilômetros. O diâmetro de Plutão é mais difícil de medir devido à presença de uma atmosfera que torna impossível detectar diretamente a sua borda utilizando ocultações. O movimento do satélite de Éris, Disnomia, foi utilizado para estimar a massa de Éris. Descobriu-se que Éris é 27% mais pesado do que Plutão. Combinando este resultado com o diâmetro estimou-se que a densidade de Éris é de 2,52 gramas por cm3.
“Esta densidade significa que Éris é provavelmente um grande corpo rochoso coberto por um manto relativamente fino de gelo,” comenta Emmanuel Jehin, que participou neste trabalho.
Descobriu-se que a superfície de Éris é muito refletora, refletindo 96% da luz que lhe chega (albedo visível de 0,96 . Esta valor corresponde a uma superfície ainda mais brilhante do que neve fresca na Terra, o que torna Éris dum dos objetos do Sistema Solar mais refletores, em simultâneo com a lua gelada de Saturno, Enceladus. A superfície brilhante de Éris é muito provavelmente composta por uma mistura de gelo rico em nitrogênio e metano gelado - como nos indica o espectro do planeta - que cobre todo o planeta com uma camada de gelo fina muito refletora com menos de um milímetro de espessura.
“Esta camada de gelo pode ter resultado da condensação em gelo da atmosfera de nitrogênio ou metano do planeta anão, que atinge a superfície à medida que o planeta se afasta do Sol ao longo da sua órbita alongada e entra cada vez mais num ambiente frio,” acrescenta Jehin. O gelo pode posteriormente voltar a transformar-se em gás à medida que Éris se aproxima do ponto mais próximo do Sol, a uma distância de cerca de 5,7 bilhões de quilômetros.
Com os novos resultados a equipe pôde também estimar a temperatura à superfície do planeta anão, obtendo um resultado de no máximo -238º Celsius para a superfície iluminada pelo Sol e menos ainda para o lado noturno de Éris.
“É extraordinário o quanto podemos aprender sobre um objeto distante pequeno como Éris quando o observamos a passar em frente de uma estrela tênue, utilizando telescópios relativamente pequenos. Cinco anos depois da criação da nova classe dos planetas anões estamos finalmente a conhecer bem um dos seus membros fundadores,” conclui Bruno Sicardy.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

TELESCÓPIO SPITZER OBSERVA COLISÃO DE ASTEROIDES

Ilustração de artista que mostra o rescaldo imediato de um grande impacto de asteróide em torno de NGC 2547-ID8, uma estrela parecida com o Sol e com apenas 35 milhões de anos. O Spitzer testemunhou um grande surto de poeira em redor da estrela, provavelmente o resultado da colisão entre dois asteróides.
NASA / JPL-Caltech Ilustração de artista que mostra o rescaldo imediato de um grande impacto de asteróide em torno de NGC 2547-ID8, uma estrela parecida com o Sol e com apenas 35 milhões de anos. O Spitzer testemunhou um grande surto de poeira em redor da estrela, provavelmente o resultado da colisão entre dois asteróides.
O Telescópio Espacial Spitzer da NASA avistou uma erupção de poeira em redor de uma estrela jovem, possivelmente o resultado de uma colisão entre dois asteróides grandes. Este tipo de colisão pode eventualmente conduzir à formação de planetas.
Os cientistas rastreavam regularmente a estrela, com o nome NGC 2547-ID8, quando entre Agosto de 2012 e Janeiro de 2013 surgiu uma enorme quantidade de poeira fresca.
“Achamos que dois grandes asteroides colidiram um com o outro, criando uma enorme nuvem de partículas do tamanho de grãos de areia muito fina, que agora estão quebrando-se em pedaços e lentamente afastando-se da estrela,” afirma Huan Meng, astrônomo da Universidade do Arizona em Tucson, EUA, autor principal do estudo publicado na Science que relata a descoberta.
O Spitzer já observou vários episódios empoeirados de colisões suspeitas entre asteroides, mas esta é a primeira vez que os cientistas recolheram dados do “antes e depois” de uma colisão deste género noutro sistema planetário.
A observação fornece um vislumbre do violento processo de formação de planetas rochosos como o nosso.
Os planetas rochosos começam a sua vida como material poeirento em redor de estrelas jovens. O material agrupa-se para formar asteroides que chocam uns com os outros.
Muitas vezes os asteroides são destruídos, mas alguns crescem ao longo do tempo e transformam-se em protoplanetas. Depois de aproximadamente 100 milhões de anos, os objectos tornam-se planetas terrestres plenamente desenvolvidos.
Pensa-se que a nossa Lua tenha sido formada a partir de um impacto gigante entre a proto-Terra e um objecto do tamanho de Marte.
Observações anteriores da estrela NGC 2547-ID8 já tinham registado variações na quantidade de poeira em seu redor, sugerindo umaa possível existência de colisões entre asteróides.
Na esperança de testemunhar um impacto ainda maior, um passo fundamental no nascimento de um planeta terrestre, os astrónomos observaram regularmente a estrela com o Spitzer.
A mudança dramática na estrela surgiu quando o Spitzer teve de apontar para longe de NGC 2547-ID8, porque o Sol estava no caminho.
A equipa científica ficou em estado de choque quando retomou as observações da estrela, cinco meses depois, e recebeu os novos dados.
Os astrónomos ficaram surpreendidos ao ver estes dados do Telescópio Espacial Spitzer em Janeiro de 2013, que mostravam uma grande erupção de poeira em redor de uma estrela chamada NGC 2547-ID8. Neste gráfico, o brilho infravermelho é representado no eixo vertical, o tempo no horizontal.
NASA / JPL-Caltech / Universidade do Arizona
Os astrônomos ficaram surpreendidos ao ver estes dados do Telescópio Espacial Spitzer em Janeiro de 2013, que mostravam uma grande erupção de poeira em redor de uma estrela chamada NGC 2547-ID8. Neste gráfico, o brilho infravermelho é representado no eixo vertical, o tempo no horizontal.
Os astrônomos ficaram surpreendidos ao ver estes dados do Telescópio Espacial Spitzer em Janeiro de 2013, que mostravam uma grande erupção de poeira em redor de uma estrela chamada NGC 2547-ID8. Neste gráfico, o brilho infravermelho é representado no eixo vertical, o tempo no horizontal.
“Não só testemunhamos o que parecem ser os restos de uma enorme colisão, mas fomos capazes de seguir as mudanças – o sinal está a desaparecer à medida que a nuvem se autodestrói, moendo os grãos para que possam escapar da estrela,” afirma Kate Su, da Universidade do Arizona, co-autora do estudo.
“O Spitzer é o melhor telescópio para monitorizar estrelas regularmente e com precisão, em busca de pequenas mudanças na radiação infravermelha, durante meses e até mesmo anos.”
Uma nuvem muito espessa de detritos de poeira orbita agora a estrela na zona onde os planetas rochosos se formam.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

UMA ESTRELA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR

A star that should not exist
Uma equipe de astrônomos europeus utilizou o Very Large Telescope do ESO (VLT) para descobrir uma estrela na Via Láctea que muitos pensavam não poder existir. 
Os astrônomos descobriram que esta estrela é composta quase inteiramente por hidrogênio e hélio, com quantidades minúsculas de outros elementos químicos. Esta intrigante composição química coloca a estrela na chamada “zona proibida” dentro da teoria de formação estelar mais aceita, o que significa que esta estrela nunca deveria ter se formado. Os resultados foram publicados na revista Nature .
Uma estrela de baixa luminosidade situada na constelação do Leão, chamada SDSS J102915+172927 mostrou possuir a menor quantidade de elementos mais pesados que o hélio (a que os astrônomos chamam de “metais”) do que todas as estrelas estudadas até hoje. Este objeto possui uma massa menor que a do Sol e tem provavelmente mais de 13 bilhões de anos de idade.
“Uma teoria muito aceita prediz que estrelas como esta, com pequena massa e quantidades de metais extremamente baixas, não deveriam existir porque as nuvens de material a partir das quais tais objetos se formariam nunca se poderiam ter condensado,” disse Elisabetta Caffau (Zentrum für Astronomie der Universität Heidelberg, Alemanha e Observatoire de Paris, França), autora principal do artigo científico que descreve estes resultados. “É surpreendente encontrar pela primeira vez uma estrela na “zona proibida”. Isto significa que iremos provavelmente ter que verificar alguns dos modelos de formação estelar.”
A equipe analisou as propriedades da estrela com o auxílio dos instrumentos X-shooter e UVES, montados no VLT . Os astrônomos mediram a abundância dos vários elementos químicos presentes na estrela e descobriram que a proporção de metais na SDSS J102915+172927 é mais de 20 mil vezes menor que a proporção de metais no Sol .
“A estrela é tênua e tão pobre em metais que apenas conseguimos detectar a assinatura de um único elemento mais pesado que o hélio - o cálcio -  nas primeiras observações que fizemos,” disse Piercarlo Bonifacio (Observatoire de Paris, França), que supervisionou o projeto. “Tivemos que pedir tempo de telescópio adicional ao Diretor Geral do ESO para estudar a radiação da estrela com mais detalhe, com longos tempos de exposição, de modo a tentar encontrar mais metais.”
Os cosmólogos acreditam que os elementos químicos mais leves - hidrogênio e hélio - foram criados pouco depois do Big Bang, juntamente com um pouco de lítio  enquanto que a maioria dos outros elementos foram posteriormente formados nas estrelas. As explosões de supernovas espalharam o material estelar para o meio interestelar, tornando-o rico em metais. As novas estrelas que se formam a partir deste meio enriquecido possuem por isso maiores quantidades de metais na sua composição do que as estrelas mais velhas. Por conseguinte, a proporção de metais numa estrela nos dá informação sobre a sua idade.
“A estrela que estudamos é extremamente pobre em metais, o que significa que é muito primitiva. Pode ser uma das estrela mais velhas jamais encontrada,” acrescenta Lorenzo Monaco (ESO, Chile), que também participou neste estudo.
É igualmente surpreendente a falta de lítio na SDSS J102915+172927. Uma estrela tão velha deveria ter uma composição semelhante àquela do Universo pouco depois do Big Bang, com apenas um pouco mais de metais. No entanto, a equipe descobriu que a proporção de lítio na estrela é pelo menos cinquenta vezes menor que a esperada devido à matéria produzida pelo Big Bang.
“É um mistério como é que o lítio produzido logo após o início do Universo foi destruído nesta estrela”, acrescenta Bonifacio.
Os investigadores também apontam para o fato desta estrela incomum não ser provavelmente única. “Identificamos vários outras estrelas candidatas que podem ter níveis de metais semelhantes, ou até inferiores, aos da SDSS J102915+172927. Planeamos agora observar estes candidatos com o VLT para verificarmos se é realmente este o caso,” conclui Caffau.

terça-feira, 25 de abril de 2017

EXOPLANETA RECENTEMENTE DESCOBERTO PODE SER O MELHOR CANDIDATO POR SINAIS DE VIDA

Concepção artística do exoplaneta do tipo super-Terra LHS 1140bUm exoplaneta em órbita de uma estrela anã vermelha, situada a 40 anos-luz de distância da Terra, pode ser o novo detentor do título “melhor local para procurar sinais de vida para além do Sistema Solar".
Com o auxílio do instrumento HARPS montado em La Silla, e outros telescópios em todo o mundo, uma equipe internacional de astrônomos descobriu uma “super-Terra” em órbita na zona de habitabilidade da fraca estrela LHS 1140. Este mundo é um pouco maior do que a Terra, mas possui mais massa e muito provavelmente ainda mantém sua atmosfera. Este aspecto, juntamente com o fato de passar em frente da sua estrela hospedeira ao longo da sua órbita, torna-o num dos mais interessantes alvos futuros para estudos atmosféricos. Os resultados deste trabalho serão publicados em 20 de abril de 2017 na revista Nature.
A recentemente descoberta super-Terra LHS 1140b orbita na zona de habitabilidade de uma fraca estrela anã vermelha, chamada LHS 1140, situada na constelação da Baleia [1]. As anãs vermelhas são menores e mais frias que o Sol e, embora LHS 1140b esteja dez vezes mais próximo da sua estrela do que a Terra está do Sol, recebe apenas cerca de metade da luz de sua estrela, quando comparado com a Terra, situando-se no meio da zona de habitabilidade. A partir da Terra vemos a sua órbita quase de perfil e quando o exoplaneta passa em frente da estrela bloqueia um pouco da luz estelar emitida, algo que acontece uma vez por órbita, a cada 25 dias.
“Trata-se do exoplaneta mais interessante que descobrimos na última década,” explica o autor principal deste estudo Jason Dittmann, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (Cambridge, EUA). “Não podíamos desejar um melhor alvo para realizar uma das maiores buscas da ciência — a procura de vida fora da Terra.”
“As atuais condições da anã vermelha são particularmente favoráveis — LHS 1140 gira mais lentamente e emite menos radiação de alta energia que outras estrelas de baixa massa semelhantes,” explica o membro da equipe Nicola Astudillo-Defru do Observatório de Genebra, na Suíça [2].
Para que a vida tal como a conhecemos possa existir, um planeta tem que ter água em sua superfície e possuir atmosfera. Sabe-se que quando as anãs vermelhas são jovens emitem radiação que pode ser prejudicial às atmosferas dos planetas que as orbitam. Neste caso, o grande tamanho do planeta aponta para que um oceano de magma possa ter existido na sua superfície durante milhões de anos. Este oceano de lava fervente pode ter alimentado a atmosfera com vapor, muito depois da estrela ter atingido o seu atual estado calmo e de brilho constante, tendo assim fornecido água ao planeta.
A descoberta foi inicialmente feita pela infraestrutura MEarth, que detectou os primeiros apagões característicos na luz estelar quando o planeta passa em frente à estrela. O instrumento HARPS do ESO (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) fez em seguida as cruciais observações de acompanhamento que confirmaram a presença de um exoplaneta do tipo super-Terra. O HARPS também ajudou a determinar o período orbital e permitiu que tanto a massa do exoplaneta como a sua densidade fossem deduzidas.
Os astrônomos estimaram que a idade do planeta é pelo menos de 5 bilhões de anos e deduziram também que tem um diâmetro 1,4 vezes maior do que o da Terra — quase 18000 km. A massa é cerca de 7 vezes maior que a da Terra e por isso a sua densidade é muito mais elevada, o que aponta para que o exoplaneta seja muito provavelmente constituído por rochas com um núcleo denso de ferro.
Esta super-Terra pode ser a melhor candidata descoberta até agora para futuras observações para estudar e caracterizar a sua atmosfera, se esta existir. Dois dos membros europeus da equipe, Xavier Delfosse e Xavier Bonfils, ambos no CNRS e no IPAG em Grenoble, França, concluem: ”O sistema LHS 1140 pode vir a ser um alvo ainda mais importante para a futura caracterização de planetas na zona de habitabilidade do que o Proxima b ou o TRAPPIST-1. Este tem sido um ano extraordinário no que concerne descobertas de exoplanetas!”
Em particular, observações a serem realizadas em breve com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostrarão exatamente quanta radiação de alta energia está sendo enviada para LHS 1140b, por isso a sua capacidade de poder suportar vida poderá ser melhor limitada.
Num futuro não muito distante  quando novos telescópios como o Extremely Large Telescope do ESO estiverem operacionais — é muito provável que possamos fazer observações detalhadas das atmosferas de exoplanetas e o LHS 1140b é um candidato excepcional para tais estudos.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

MANCHA SOLAR PRODUZ UMA IMENSA EJEÇÃO DE MASSA CORONAL

Mancha solar produz ejeção de massa coronal super brilhante
A antiga mancha solar AR 2644 retornou, e está ainda mais ativa! No dia 18 de abril, aproximadamente ás 20:00 UTC, a mancha solar explodiu após ficar instável, lançando uma enorme Ejeção de Massa Coronal para o espaço. O Observatório Solar e Heliosférico da ESA / NASA capturou a nuvem de plasma enquanto ela se afastava do Sol:
A imagem acima é uma composição de dois registros, um feito pela sonda SOHO (instrumento Lasco C2, que registra ejeções de massa coronal) e outro pela sonda SDO (magnetograma, que mostra o Sol em preto e branco no centro).
A mancha solar, denominada AR 2644 desapareceu há alguns dias por conta do movimento de rotação do Sol, e ao reaparecer, por tradição, recebeu uma nova designação: AR 2651.
A Ejeção de Massa Coronal (EMC) produzida por essa mancha solar provavelmente não irá atingir a Terra. O epicentro da explosão estava muito distante da linha que liga o Sol com o nosso planeta. Pesquisadores da NOAA ainda estão avaliando a possibilidade de um golpe de raspão, portanto, fiquem atentos ao monitoramento da atividade solar em tempo real.
Mais EMCs podem estar a caminho
No início de abril, essa mesma mancha solar produziu uma série de explosões e apagões de rádio de ondas curtas aqui na Terra. Os efeitos intensos gerados aqui na Terra só cessaram quando a mancha solar ficou escondida no lado oculto do Sol. Mas após algumas semanas, ela está de volta, com força total...
A qualquer momento, a mancha solar agora denominada AR 2651 pode nos pegar de surpresa com novas Ejeções de Massa Coronal. E vale lembrar que dentro de alguns dias, ela estará quase de frente com a Terra, mais uma vez. Se o seu aparelho de GPS falhar nos próximos dias, provavelmente você já saberá o motivo...
Imagens: (capa-SOHO/Lasco C2) / SOHO / SDO / NASA / ESA / HelioViewer / divulgação

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A VIA LÁCTEA NOSSA GALÁXIA

Nossa galáxia com fontes e braços marcados
Hoje sabemos que a Via Láctea é a nossa galáxia doméstica - uma vasta espiral rotativa de gás, poeira e centenas de bilhões de estrelas. 
A Via Láctea, também conhecida como Via Látea, é uma galáxia espiral da qual o Sistema Solar faz parte. Vista da Terra, aparece como uma faixa brilhante e difusa que circunda toda a esfera celeste, recortada por nuvens moleculares que lhe conferem um intrincado aspecto irregular e recortado. Sua visibilidade é severamente comprometida pela poluição luminosa. Com poucas exceções, todos os objetos visíveis a olho nu pertencem a essa galáxia.
Sua idade estimada é de mais de treze bilhões de anos, período no qual passou por várias fases evolutivas até atingir sua forma atual. Formada por centenas de bilhões de estrelas, a galáxia possui estruturas diferenciadas entre si. No bojo central, que possui forma alongada, há uma grande concentração de estrelas, sendo que o exato centro da galáxia abriga um buraco negro supermassivo. Ao seu redor estende-se o disco galáctico, formado por estrelas dos mais diversos tipos, nebulosas e poeira interestelar, dentre outros. É nesta proeminente parte da Via Láctea que se manifestam os braços espirais. Ao seu redor encontram-se centenas de aglomerados globulares. Entretanto, a dinâmica de rotação da galáxia revela que sua massa é muito maior do que a de toda a matéria observável, sendo este componente adicional denominado matéria escura, cuja natureza se desconhece.
Há tempos a humanidade buscou descrever a natureza da galáxia, sendo esta referida em inúmeras lendas e mitos entre vários povos. Embora tenha sido proposto anteriormente, constatou-se que a faixa brilhante de aspecto leitoso (a partir do qual seu nome derivou-se) se tratava na verdade de um grande conjunto de estrelas a partir das observações de Galileu Galilei utilizando um telescópio. Entretanto, nos últimos dois séculos, a concepção científica da Via Láctea passou de uma simples nuvem de estrelas na qual o Sol situava-se próximo ao centro para uma grande galáxia espiral complexa e dinâmica, da qual nossa estrela é somente uma das bilhões existentes, o que aconteceu graças aos avanços tecnológicos de observação, que permitiram sondar estruturas além das nuvens moleculares.
O Sol e seu sistema planetário se formaram nos confins da Via Láctea cerca de 4,5 bilhões de anos atrás.
No centro da galáxia está a protuberância galáctica em forma de barra que abriga um buraco negro supermassivo com uma massa igual à de cerca de 3 milhões de sóis. Em torno da protuberância central é um disco relativamente fino de estrelas cerca de dois mil anos-luz de espessura e cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro. Quase todas as estrelas vistas pelo olho humano estão no disco fino, que responde por cerca de 90% da luz visível na Via Láctea.
Nossa galáxia com fontes e braços marcados
Nossa galáxia com fontes e braços marcados
Enfrente a ilustração da galáxia da Via Láctea , mostrando os braços espirais proeminentes, a protuberância galáctica central e a localização do Sol. Rollover imagem para ver objetos discutidos em mais detalhes. (Ilustração: CXC / M.Weiss)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

NASA DIVULGA INCRÍVEIS IMAGENS DETALHADAS DOS ANÉIS DE SATURNO


De acordo com o pessoal da NASA, as imagens foram capturadas pela Cassini durante uma série de “mergulhos” que a sonda está fazendo enquanto orbita pelo principal sistema de anéis de Saturno. 
Essa etapa da missão teve início em novembro do ano passado, e o equipamento já concluiu cerca da metade das últimas 20 órbitas que ele deve realizar antes de finalmente se lançar em direção à atmosfera saturniana — e morrer.
Voltando às imagens, apesar de algumas das características mostradas já serem conhecidas pelos astrônomos, as imagens apresentam uma riqueza de detalhes e foram capturadas com uma resolução sem precedentes. Segundo a agência espacial, as imagens mostram objetos com apenas 550 metros de comprimento — ou o equivalente ao tamanho de alguns edifícios aqui na Terra —, o que, em escalas astronômicas, é extremamente pequeno.
Ondinhas

A figura que você pode ver acima, por exemplo, mostra detalhes do anel A, o mais externo do sistema de anéis e que se encontra a cerca de 134,5 mil quilômetros de Saturno. Reparou que ele parece cheio de ondinhas? Essas formações são conhecidas como “ondas de densidade”, que são criadas pela ação da gravidade das luas Janus e Epimetheus e consistem em partículas de gelo que se agregam formando esses padrões.
Detalhes de uma região do anel B

Já a figura que você acabou de conferir mostra uma região do anel B, também um dos mais externos de Saturno, e o nível de detalhe da imagem é duas vezes superior ao de qualquer imagem anterior registrada dessa mesma área. A imagem abaixo mostra outra região do anel A — também com o dobro de detalhes —, e as “pintinhas” mais claras que dá para ver consistem em raios cósmicos e partículas radioativas que foram capturadas pela Cassini.
Partículas energéticas e raios cósmicos

Na realidade, a Cassini já chegou mais pertinho dos anéis de Saturno do que agora, isso quando a sonda chegou ao planeta em 2004. No entanto, como a nave estava viajando rápido demais e o sistema de anéis se encontrava a “contraluz” com relação ao Sol, a qualidade das imagens capturadas na época não era lá aquelas coisas.
Parte do anel B

Desta vez, o equipamento registrou as imagens dos anéis iluminados diretamente e a contraluz com exposições mais longas, e o resultado é esse que você viu nas imagens. Então, no dia 26 de abril, a Cassini vai iniciar sua aproximação a Saturno com uma série de 22 órbitas — até ela mergulhar na atmosfera do planeta no dia 15 de setembro e ser destruída como se um meteoro.
Curiosidade rápida
Você sabe o motivo de a sonda ser destruída, em vez de ser deixada lá vagando pelos anéis ou ser enviada para dar uma bisbilhotada em alguma das luas de Saturno? De acordo com Peter Dockrill, do portal Science Alert, os cientistas acreditam que uma dupla de satélites naturais do gigante gasoso — Titan e Enceladus — oferecem ambientes que poderiam, potencialmente, abrigar formas de vida.
Portanto, os astrônomos não querem correr o risco de interferir com o ambiente das luas ou “contaminar” os possíveis organismos alienígenas que poderiam existir por lá com micróbios que eventualmente tenham pegado uma caroninha com a Cassini aqui da Terra — apesar de todos os cuidados tomados antes do lançamento da sonda, e por mais impossível que pareça que essas criaturas tenham sobrevivido à viagem a Saturno.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ESA DIVULGA IMAGENS COM VESTÍGIOS DE INUNDAÇÃO NO PLANETA MARTE


A Agência Espacial Europeia (ESA) ofereceu nesta quinta-feira fotografias em detalhe feitas pela sonda Mars Express dos efeitos de uma grande inundação em Marte, em que é possível ver vários impactos de meteoritos.
"A cena conserva um registro da atividade geológica durante bilhões de anos no planeta vermelho", afirmou a ESA em comunicado.
A agência explicou que é possível observar nas fotografias a erosão produzida por uma enorme inundação, ocorrida há cerca de 3,5 bilhões de anos, em uma cratera de 25 quilômetros de diâmetro.
Na mesma imagem aparecem os escombros intactos produzidos pelo impacto de outros meteoritos, o que sugere que aconteceram depois da inundação.
A ESA indicou que a aparência destes sinais geológicos mostram que o terreno era "rico em água ou gelo".
As imagens foram tomadas em 25 de maio de 2016 pela sonda Mars Express, a primeira missão europeia em Marte, lançada em 2003 com o objetivo de estudar a atmosfera marciana, sua geologia e para buscar vestígios de água.