sexta-feira, 31 de março de 2017

OBSERVAÇÕES REVELAM UMA NEBULOSA PRODUZIDA POR UMA ESTRELA WOLF RAYET

http://apod.nasa.gov/apod/image/1406/wr124_hubbleschmidt_1289.jpg
WR 124 e sua nebulosa M1-67. Créditos: Imagem do Hubble Legacy Archive, NASA, ESA; Processamento por Judy Schmidt
Algumas estrelas explodem em ‘câmera lenta’. As raras e massivas estrelas de Wolf-Rayet são tão violentas e quentes que elas lentamente se desintegram aos olhos dos nossos telescópios.
Globos gigantes de gás ionizado, cerca de 30 vezes mais massivos que a nossa Terra são ejetados em violentos ventos estelares.
A explosão da estrela de Wolf-Rayet WR 124, é visível próxima do centro na imagem acima que abrange uma área com diâmetro de 8 anos luz,e está criando uma nebulosa, a M1-67.
Os astrônomos tem estudado detalhes de como esta estrela está se autodestruindo ao longo de 20.000 anos.
A WR 124 reside a 15.000 anos luz de distância na direção da constelação de Sagitário.
O destino de uma estrela de Wolf-Rayet está diretamente ligado a sua massa inicial. Quando o combustível nuclear se esgota e o núcleo começa a fundir ferro e outros metais remanescentes pesados e acaba numa mega explosão produzindo uma espetacular supernova e eventualmente explosões de raios gama.
Dados da WR 124:
Massa
9 M☉
Raio 10,1 R☉
Luminosidade 150.000 L☉
Temperatura 35.900 K
Idade
8,6 milhões de anos
Fonte APOD: Wolf-Rayet Star 124: Stellar Wind Machine – Créditos: Hubble Legacy Archive, NASA, ESA, processamento por Judy Schmidt

quinta-feira, 30 de março de 2017

NGC 1672 UMA PROEMINENTE GALÁXIA ESPIRAL BARRADA OBSERVADA PELO HUBBLE

http://apod.nasa.gov/apod/image/1609/NGC1672_HubbleCooper_1898.jpg
Muitas galáxias espirais têm barras cruzando seus núcleos. Os astrônomos julgam que até a nossa Galáxia Via Láctea também possui uma modesta barra central.
NGC 1672: Uma bela galáxia espiral barrada capturada pelo Hubble e processada por Steve Cooper
A galáxia espiral barrada NGC 1672 exibida na imagem em destaque foi capturada em alto nível de detalhes através do Telescópio Espacial Hubble. Na imagem são visíveis escuras raias de poeira filamentares, jovens aglomerados de majestosas estrelas azuis, nebulosas de emissão avermelhadas por causa do gás hidrogênio brilhando, uma longa e luminosa barra de estrelas cruzando o centro e um intenso núcleo ativo que provavelmente hospeda uma buraco negro supermassivo.
A luz emanada pela NGC 1672 leva cerca de 60 milhões de anos para nos atingir. Essa galáxia tem um diâmetro estimado em aproximadamente 75.000 anos luz.
NGC 1672 reside na direção da constelação de Dorado e tem sido estudada para se descobrir como a presença da barra em galáxias espirais contribui para a formação de estrelas em sua região central.
Fonte
APOD: NGC 1672: Barred Spiral Galaxy from Hubble – crédito da Imagem: Hubble Legacy Archive, NASA, ESA; processamento ©: Steve Cooper

quarta-feira, 29 de março de 2017

HUBBLE CAPTURA IMAGEM DE DUPLA GALÁTICA EM ARP 116

http://apod.nasa.gov/apod/image/1601/M60HST_large.jpg
Arp 116: a galáxia elíptica M60 (centro) + a galáxia espiral NGC 4647 (acima e á direita) – crédito da imagem ©: NASA, ESA, Hubble Heritage Team (STScI/AURA)
A galáxia elíptica gigante M60 ao lado da galáxia espiral NGC 4647 parecem de fato uma estranha dupla nesse preciso retrato cósmico capturado pelo Telescópio Espacial Hubble.
No entanto, esse par se encontra em uma região do espaço onde as galáxias tende a se aglomerar, no lado leste do vizinho aglomerado de galáxias de Virgem.
M60 reside a cerca de 54 milhões de anos de distância. O formato oval dessa brilhante galáxia elíptica foi criado pelas suas estrelas mais velhas que pululam aleatoriamente. Em contrapartida, na NGC 4647, as jovens estrelas azuis, o gás e a poeira cósmica estão organizados em braços sinuosos rotativos em um disco achatado.
Estima-se que a galáxia espiral NGC 4647 seja mais distante que a M60, situada a cerca de 63 milhões de anos de nós.
O par de galáxias é também conhecido como Arp 116, um componente do Atlas de Galáxias Peculiares de Halton Arp. Provavelmente a dupla está prestes a participar de um significativo encontro gravitacional.
A M60 (NGC 4649) tem cerca de 120.000 anos luz de diâmetro enquanto que a galáxia menor NGC 4647 se espalha por 90.000 anos luz, ou seja, é quase do tamanho da nossa galáxia Via Láctea.
Fonte
APOD: Elliptical M60, Spiral NGC 4647 – crédito da imagem ©: NASA, ESA, Hubble Heritage Team (STScI/AURA)

terça-feira, 28 de março de 2017

A GALÁXIA NGC 7714 DEPOIS DA COLISÃO CATACLISMICA


NGC 7714 depois da colisão… Créditos da Imagem: NASA, ESA e A. Gal-Yam (Weizmann Inst.)
Estará essa galáxia pulando através de um anel gigantesco de estrelas? Provavelmente não.
Embora a precisa dinâmica por trás desta imagem peculiar seja incerta, o que está claro é que a galáxia em questão, a NGC 7714, foi esticada e retorcida por uma recente colisão com uma galáxia próxima.
Os astrônomos julgam que a galáxia vizinha menor, a NGC 7715, situada à esquerda da imagem (mas fora deste quadro), deve ter simplesmente passado através da NGC 7714.
Observações indicam que o anel dourado em destaque é composto de milhões de sóis mais velhos que o nosso que se movem concomitantemente com as estrelas azuis do interior.
Em contraste, o centro brilhante da NGC 7714 parece hospedar um surto de formação estelar.
Na imagem abaixo vemos as duas galáxias em destaque, com a NGC 7715 à esquerda da NGC 7714, formando o par chamado de Arp 284.
http://www.spacetelescope.org/images/heic1503b/
O par de galáxias em interação Arp 284
A NGC 7714 reside a 100 milhões de anos luz na direção da constelação de Peixes (Pisces).
As interações entre o par de galáxias provavelmente se iniciaram há 150 milhões de anos no passado e deve persistir por mais centenas de milhões de anos mais, resultando, ao final, em uma singular galáxia central.
Os astrônomos caracterizam a NGC 7714 como uma típica galáxia em surto de formação de estrelas de Wolf-Rayet. Isto é devido ao fato de um grande número de estrelas novas são da categoria Wolf-Rayet, extremamente quentes e brilhantes com dúzias de vezes a massa do nosso Sol e que ejetam suas camadas externas em poderosos ventos estelares.
Fontes Hubble: heic1503 — The tell-tale signs of a galactic merger
APOD: Galaxy NGC 7714 After Collision – Créditos da Imagem: NASA, ESA e A. Gal-Yam (Weizmann Inst.)

segunda-feira, 27 de março de 2017

EVIDÊNCIAS DE MATÉRIA ESCURA CAPTURADAS PELO HUBBLE NA GLÁXIA DO GIRASSOL

http://apod.nasa.gov/apod/image/1611/M63_Hubble_1098.jpg
Conhecida popularmente como a Galáxia do Girassol, M63 também está catalogada com o nome de NGC 5055.M63 é uma das mais brilhantes galáxias espirais visíveis nos céus do hemisfério norte Créditos da imagem: ESA, NASA, Hubble
Essa galáxia pode ser encontrada com auxílio de um pequeno telescópio na direção da constelação dos Cães de Caça  (Canes Venatici).
A fotografia em destaque, capturada pelo Telescópio Espacial Hubble exibe o centro da M63, envolvido por longos braços espirais ondulantes que brilham em tons de azul devido a presença de estrelas jovens energéticas. Nebulosas de emissão irradiam tons avermelhados originados do gás hidrogênio aquecido. Completando a pintura cósmica, raias de poeira formam numerosos filamentos escuros.
http://apod.nasa.gov/apod/image/1403/M63_PS1V10snyder.jpg
M63 interage gravitacionalmente com a M51 (a Galáxia do Rodamoinho) e várias outras galáxias menores.
A luz de M63 leva 35 milhões de anos para atingir a Terra e cerca de 60.000 anos para cruzar essa galáxia espiral.
Matéria Escura
Estrelas nas regiões externas da Galáxia do Girassol giram em torno do centro em velocidades tão altas que, dada a matéria [convencional] observada e assumindo a gravidade normal, elas deveriam derivar para fora da galáxia dento do espaço intergaláctico. O fato das estrelas não se dispersarem e permanecerem ligadas gravitacionalmente na M63 indicam a presença da invisível matéria escura.
Fontes Hubble: A galactic sunflower APOD: M63: The Sunflower Galaxy from Hubble – crédito da imagem: ESA, NASA, Hubble

domingo, 26 de março de 2017

COLISÃO GALÁTICA FORMA IMAGEM DE CABEÇA DE PÁSSARO

Consulte Explicação.  Clicando na imagem, você baixará a versão mais alta resolução disponível.
O que aparece como a cabeça de um pássaro, inclinando-se sobre para arrebatar acima uma refeição é um exemplo impressionante de uma colisão galática com caudas de marés da galáxia em NGC 6745.
Uma grande galáxia espiral, com seu núcleo ainda intacto, na galáxia de passagem por uma  menor (quase fora do Campo de visão no canto inferior direito), enquanto um bico azul brilhante e brilhantes penas azul esbranquiçado mostram o caminho distinto tomado durante a viagem da galáxia menor. Essas galáxias não interagiam apenas gravitacionalmente à medida que passavam umas pelas outras, elas realmente colidiam.
Quando as galáxias colidem, as estrelas que normalmente compreendem a maior parte da massa luminosa de cada uma das duas galáxias quase nunca colidirão entre si, mas passarão livremente entre si com pouco dano. Isso ocorre porque o tamanho físico das estrelas individuais é minúsculo em comparação com suas separações típicas, tornando a chance de encontro físico relativamente pequena. Em nossa própria galáxia da Via Láctea, o espaço entre nosso Sol e nosso próximo vizinho estelar, Próxima Centauri (parte do sistema triplo Alpha Centauri), é de 4,3 anos-luz.
No entanto, a situação é bastante diferente para a mídia interestelar nas duas galáxias acima o material consistindo principalmente de nuvens de gases atômicos e moleculares e de partículas minúsculas de matéria e poeira, fortemente acoplado ao gás. Onde quer que as nuvens interestelares das duas galáxias colidem, elas não se movem livremente uma para a outra sem interrupção, mas sim, sofrem uma colisão prejudicial.
Velocidades relativas elevadas causam pressões do cilindro na superfície de contato entre as nuvens interestelares que interagem com ondas de choque. Esta pressão, por sua vez, produz densidades de material suficientemente extremas para desencadear a formação estelar através do colapso gravitacional.
As estrelas azuis quentes nesta imagem são evidência desta formação de estrelas.
Esta imagem foi criada pela equipe da herança de Hubble usando dados do arquivo do telescópio espacial de Hubble da NASA tomados com a câmera planetária larga do campo 2 em março de 1996. Os membros da equipe da ciência, que incluem Roger Lynds (KPNO / NOAO) e Earl J. O'Neil , Jr. (Steward Obs.), Utilizou filtros infravermelhos, vermelhos, visuais e ultravioletas para a imagem deste sistema de galáxias. Lynds e O'Neil estão atualmente usando os dados do Hubble juntamente com observações de rádio terrestres para estudar as interações no NGC 6745.
Créditos NASA e a equipe da herança de Hubble ( STScI / AURA ); Agradecimentos: Roger Lynds (KPNO / NOAO)

sábado, 25 de março de 2017

M64: MISTÉRIO DE ROTAÇÃO DEFINE A FORMAÇÃO DA GALÁXIA

http://apod.nasa.gov/apod/image/1106/m64_hst_897.jpg
A belíssima, grande e brilhante galáxia espiral Messier 64 (NGC 4826) é comumente chamada de Galáxia do Olho Negro (Black Eye Galaxy) ou de Galáxia da Bela Adormecida (Sleeping Beauty Galaxy) devido a sua aparência exótica. M64 aparece com um “olho com pálpebras pesadas” quando a observamos por telescópios.
M64 reside a cerca de 17 milhões de anos-luz de distância na ‘bem penteada’ constelação boreal de Coma Berenices (Cabeleira de Berenice, em homenagem a Berenice II – rainha do Egito).
Na verdade, a designação “Galáxia do Olho Negro” pode também ser um apelido apropriado ao analisarmos esta composição colorida. As enormes nuvens de poeira que obscurecem o lado mais próximo da  região central da M64 estão entrelaçadas com o brilho avermelhado revelador da massiva presença do hidrogênio, substância comumente associada as regiões de formação estelar.
Mas estas não são únicas características peculiares desta galáxia. Observações revelam que M64 é realmente composta de dois sistemas concêntricos em contra-rotação. Enquanto todas as estrelas na M64 giram na mesma direção que o gás interestelar na região central da galáxia, em contrapartida, o gás nas regiões exteriores, que se estende até cerca de 40.000 anos-luz, roda na direção oposta. O ‘olho empoeirado’ e os sistemas em rotações bizarras são provavelmente consequências da fusão de duas galáxias distintas, em um processo de um bilhão de anos de idade.
Em 2004 o time do Hubble liberou esta intrigante imagem da M64, capturada em 2001:
M64: A Galáxia da Bela Adormecida.
Créditos: NASA & Hubble Heritage Team (AURA/STScI), S. Smartt (IoA) & D. Richstone (U. Michigan) et al.

sexta-feira, 24 de março de 2017

NGC 5866: POR QUE ESTA GALÁXIA PARECE TÃO FINA

http://apod.nasa.gov/apod/image/1603/ngc5866_hubble_4096.jpg
A galáxia vista pelas bordas NGC 5866 (Messier 102) – crédito da imagem: NASA, ESA, Hubble Legacy Archive; Processada por ©: Hunter Wilson
Na verdade, a maioria dos discos galáticos são justamente tão finos quanto o da NGC 5866, como aparece na imagem em destaque. Na prática, contudo, a maior parte das galáxias não são vistas de perfil sob o nosso ponto de observação. Não o bastante,mas devemos nos lembrar que uma galáxia muito familiar por nós foi observada em perfil que é a nossa própria Galáxia a Via Láctea!
NGC 5866 foi classificada pelos astrônomos como uma galáxia lenticular. A NGC 5866, apelidada de ‘Spindle Galaxy’ (Galáxia do Fuso ou Galáxia do Eixo) e catalogada como Messier 102, foi descoberta provavelmente por Pierre Méchain ou Charles Messier em 1781 e também localizada independentemente por William Herschel em 1788.
NGC 5866 tem numerosas e complexas faixas de poeira que aparecem escuras e em tons de vermelho, enquanto que as estrelas brilhantes do seu disco fornecem uma silhueta luminosa.
O disco azulado de estrelas jovens pode ser visto se estendendo além da poeira no extremamente fino plano galáctico, enquanto que o bojo no centro do disco aparece tingido em tons mais alaranjado que as estrelas antigas mais antigas que lá habitam.
Embora estima-se que NGC 5866 tenha aproximadamente a mesma massa que a nossa Via Láctea, essa galáxia é menos densa pois a luz leva cerca de 60.000 anos para cruzá-la, ou seja, 30% menos tempo que leva para atravessar a nossa galáxia.
Em geral, os discos galácticos são usualmente muito finos porque o gás que os formou coalesceu a medida  em que gira em torno do seu centro gravitacional.
A galáxia NGC 5866 reside a 50 milhões de anos luz na direção da constelação do Dragão ou (Draco).
Fonte APOD: Edge-On Galaxy NGC 5866 – crédito da imagem: NASA, ESA, Hubble Legacy Archive; Processada por: Hunter Wilson

quinta-feira, 23 de março de 2017

UGC 12591 UMA GALÁXIA COM A ROTAÇÃO MAIS RÁPIDA JÁ OBSERVADA

https://apod.nasa.gov/apod/image/1703/UGC12591_Hubble_4000.jpg
Primeiramente, tentar identificar de que tipo de galáxia a UGC 12591 consiste é uma tarefa bastante difícil. A UGC 12591 possui faixas de poeira distribuídas como no formato de uma galáxia espiral, mas também possui um gigantesco e difuso bojo central de estrelas como vemos em geral nas galáxias lenticulares.
Assim, a UGC 12591 foi classificada como uma galáxia híbrida S0/Sa, algo entre uma galáxia lenticular e uma espiral.
Surpreendentemente, observações mostram que UGC 12591 gira muito rapidamente, a cerca de 480 km/s (1,8 milhões de quilômetros por hora), ou seja, praticamente o dobro do giro de nossa galáxia Via Láctea. Essa é maior taxa de rotação até então medida em uma galáxia.
Consequentemente, a massa requerida para manter unida uma galáxia com tamanha taxa de rotação deve ser várias vezes a massa da Via Láctea, correto? Os cientistas estimam que essa galáxia e seu halo juntos contêm várias centenas de bilhões de vezes a nassa do nosso Sol, cerca de 4 vezes a massa da Via Láctea.
Cenários possíveis para a evolução da UGC 12591 incluem um crescimento lento através da acreção de matéria do seu ambiente viznho ou um rápido crescimento através de alguma recente colisão com outra galáxia ou até mais  de uma colisão. Os cientistas esperam que futuras análises talvez possam nos contar a verdadeira razão da velocidade elevada de rotação da galáxia em questão.
A luz nós vemos hoje emitida pela UGC 12591 partiu desta há cerca de 400 milhões de anos, quando a primeiras árvores surgiam no planeta Terra.
UGC 12591 reside na região do Superaglomerado de Peixes–Perseus, uma longa cadeia de aglomerados de galáxias que se espalha por 250 milhões de anos luz, conhecida como uma das maiores estruturas conhecidas no Cosmos.
Fontes Hubble: A remarkable galactic hybrid APOD: UGC 12591: The Fastest Rotating Galaxy Known  – Crédito da Imagem: NASA, ESA, Hubble

quarta-feira, 22 de março de 2017

ALMA OBSERVA PROTO ESTRELA RESPLANDESCENDO E REMODELANDO O SEU BERÇÁRIO ESTELAR EM NGC 6334I-MM1

https://public.nrao.edu/images/pr/2017cb/nrao17cb08/nrao17cb08a_nrao.jpg
Dentro da Nebulosa Pata de Gato, vista aqui (à esquerda) em uma imagem em infravermelho capturada pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA, o complexo de radiotelescópios ALMA descobriu que uma estrela jovem está sofrendo um surto de crescimento intenso, brilhando quase 100 vezes mais do que antes e remodelando o seu berçário estelar (na inserção, à direita). Créditos: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), T. Hunter; C. Brogan, B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); NASA Spitzer
Uma protoestrela gigante, profundamente aninhada no seu berçário estelar poeirento, recentemente “rugiu ferozmente”, brilhando quase 100 vezes a mais do que antes. Esta explosão, aparentemente desencadeada por uma avalanche de gás formadora de estrelas que se chocou contra a superfície da estrela, apoia a teoria de que as estrelas jovens podem sofrer surtos de crescimento intenso devido acúmulo de matéria e que remodelam o seu ambiente.
Os astrônomos fizeram esta descoberta comparando novas observações do complexo de radiotelescópios ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), no Chile, com observações anteriores do complexo de radiotelescópios SMA (Submillimeter Array) no Havaí.
Todd Hunter, astrônomo do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, Virginia, EUA, autor principal do artigo publicado em Astrophysical Journal Letters, explicou:
Tivemos a extraordinária sorte de detectar esta espetacular transformação de uma estrela jovem e massiva.
Estudando uma densa nuvem de formação estelar, através do ALMA juntamente com o SMA, pudemos ver algo dramático que ocorreu, mudando completamente um berçário estelar ao longo de um período de tempo surpreendentemente curto.
Em 2008, antes da nova era da radioastronomia em que a inauguração do ALMA criou, Hunter e colegas usaram o SMA para observar uma porção pequena, porém ativa da Nebulosa Pata de Gato (NGC 6334), um complexo de formação estelar localizado a cerca de 5.500 anos-luz da Terra na direção da constelação de Escorpião. Esta nebulosa é semelhante, em muitos aspectos, com a sua prima mais para norte, a Nebulosa de Órion, que também contêm uma pletora de estrelas jovens, aglomerados e núcleos densos de gás que estão prestes a tornarem-se estrelas. A Nebulosa Pata de Gato, no entanto, está formando estrelas sob um ritmo mais rápido.
Imagem capturada pelo ALMA revela a poeira brilhante no interior de NGC 6334I, um proto aglomerado que contém uma estrela jovem e que está sofrendo um surto de crescimento intenso, provavelmente causado por uma avalanche de gás caindo sobre sua superfície.
https://public.nrao.edu/images/pr/2017cb/nrao17cb08/nrao17cb08b_nrao.jpg
Créditos: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); C. Brogan, B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)
As observações iniciais através do SMA desta região da nebulosa, denominada NGC 6334I, revelaram o que parecia ser um típico proto aglomerado: uma nuvem densa de poeira e gás que abrigava várias estrelas ainda em crescimento.
As estrelas jovens são criadas nestas zonas quando as regiões de gás se tornam tão densas que começam a colapsar sob a sua própria gravidade. Ao longo do tempo, surgem discos de poeira e gás em torno destas estrelas nascentes e que afunilam o material para as suas superfícies, aumentando o processo de fusão e ajudando no seu crescimento.
Por outro lado, o processo de crescimento pode não ser inteiramente lento e estável. Os astrônomos agora pensam que as estrelas jovens podem também sofrer surtos espetaculares de crescimento, períodos em que rapidamente adquirem massa devorando vorazmente o gás da formação estelar numa gigantesca explosão.
As novas observações desta região através do ALMA, capturadas em 2015 e 2016, revelam que, nos anos desde as observações originais do SMA, ocorreram mudanças dramáticas em uma área do proto aglomerado catalogada como NGC 6334I-MM1. Esta região é agora quatro vezes mais brilhante em comprimentos de onda milimétricos, o que significa que a protoestrela central é agora quase 100 vezes mais luminosa do que antes.
Os astrônomos especulam que a razão por trás deste aumento é um acúmulo incomumente grande de material que foi atraído para o disco de acreção da estrela, criando um turbilhão de poeira e gás. Assim que o material acumulado atingiu uma certa dimensão, a confusão estourou, liberando uma avalanche de material sobre a estrela em crescimento.
Este evento extremo de acreção aumentou consideravelmente a luminosidade da estrela, aquecendo a sua poeira circunvizinha. Foi esta poeira quente e brilhante que os astrônomos observaram com o ALMA. Embora já tenham sido observados outros eventos semelhantes no infravermelho, esta é a primeira vez que tal evento foi identificado em comprimentos de onda milimétricos (ondas de rádio).
Para garantir que as mudanças observadas não eram resultantes de diferenças nas capacidades nos telescópios ou simplesmente um erro de processamento de dados, Hunter e colegas usaram os dados do ALMA como um modelo para simular com precisão o que o SMA (que tem capacidades mais modestas que o ALMA) teria observado se realizasse operações parecidas em 2015 e 2016. Ao subtrair digitalmente as imagens reais de 2008 pelo SMA, das imagens simuladas, os astrônomos confirmaram que houve, de fato, uma mudança significativa e consistente um dos membros do proto aglomerado. Veja o diagrama comparativo abaixo:
http://www.almaobservatory.org/images/newsreleases/170315_nrao17cb08c_nrao.jpgComparando observações de dois sistemas de radiotelescópios diferentes (ALMA versus SMA) os astrônomos notaram um surto massivo na nuvem de formação estelar. 
Considerando que as imagens do ALMA são muito mais sensíveis e mostram detalhes mais finos, foi possível usá-las para simular o que o SMA poderia ter visto em 2015 e 2016. Ao subtrair as imagens anteriores do SMA das imagens simuladas, os astrônomos conseguiram ver uma mudança significativa em MM1 (veja nos dois quadros da direita) enquanto que as outras três fontes milimétricas (MM2, MM3 e MM4) permaneceram inalteradas. Créditos: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); SMA, CfA (Harvard/Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica).