sábado, 31 de dezembro de 2016

MISTÉRIO RESOLVIDO: SUPERNOVA MUITO BRILHANTE ERA UM BURACO NEGRO DEVORANDO UMA ESTRELA

Buraco negro devorando uma estrela - ilustração
A supernova mais brilhante já observada era na verdade uma estrela sendo devorada por um buraco negro monstruoso
O que eles observaram não foi uma estrela explodindo, mas sim, um incrível evento de ruptura de maré
Uma explosão incrivelmente luminosa que os astrônomos haviam classificado anteriormente como a possível supernova mais brilhante já vista, era na verdade uma estrela sendo rasgada por um buraco negro gigante.
Supernovas são explosões que podem acontecer quando as estrelas chegam no fim de suas vidas, ou quando ficam sem "combustível", ou até mesmo quando ganham um grande fluxo de material novo. Por curtos períodos, as supernovas podem ser mais brilhantes do que uma galáxia inteira.
Recentemente os cientistas descobriram uma classe muito rara de supernova, conhecida como supernova super-luminosa. Essas explosões são até 100 vezes mais brilhantes do que as supernovas comuns, mas são muita raras, pois representam menos de um milésimo de todas as supernovas.
Supernova mais brilhante era na verdade um buraco negro
Ilustração artística de um buraco negro envolto por um disco de acreção de uma estrela sendo devorada.Créditos: ESA / Hubble / ESO / M. Kornmesser
No início de 2016, dados da Pesquisa Automática de Supernovas (ASAS-SN) mostraram uma explosão mais de duas vezes mais brilhante do que qualquer supernova conhecida. A explosão, chamada ASASSN-15lh, aconteceu a uma distância de aproximadamente 3,8 bilhões de anos-luz da Terra, na borda das constelações austrais de Indus e Tucana, e emitiu cerca de 570 bilhões de vezes mais luz do que o Sol durante o pico.
Inicialmente, os cientistas classificaram ASASSN-15lh como uma supernova super-luminosa, pois de fato, era a mais luminosa já vista. No entanto, os pesquisadores agora acreditam que essa explosão pode realmente ter sido o fim de uma estrela enquanto era devorada por um buraco negro supermassivo com bilhões de vezes a massa do Sol.
Diversas evidências sugeriram então que ASASSN-15lh não era uma supernova super-luminosa. Pra começar, ela aconteceu em uma galáxia avermelhada, "um local onde não deveríamos encontrar supernovas super-luminosas", disse o autor do estudo, Giorgos Leloudas, astrofísico do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, e integrante do Centro de Cosmologia Negra, da Dinamarca. Esse tipo de galáxia não tem as estrelas maciças jovens para dar origem a supernovas super-luminosas, disse ele.
Além disso, após 10 meses de observações, Giorgos e seus colegas notaram que a forma como a explosão evoluiu "não é consistente com uma bola de gás em expansão", disse Giorgos. Em vez de esfriar ao longo do tempo, o que acontece com as supernovas, "este objeto, após 100 dias, começou a aquecer novamente, e ficou quente em uma temperatura constante e muito alta por um longo tempo, e continuou a fazer isso", disse ele.
Como funcionam os rádio-telescópios?
Os pesquisadores sugerem que ASASSN-15lh pode ter sido o resultado de uma estrela se desintegrando sob  atração gravitacional de um grande buraco negro, um evento chamado de "ruptura de marés". A composição dos elementos vistos na explosão é mais consistente com um evento de ruptura de maré de uma estrela de massa baixa do que com uma supernova super-luminosa, disse Giorgos.
Além disso, usando imagens do Telescópio Espacial Hubble, Giorgos e seus colegas descobriram que ASASSN-15lh ocorreu no centro de sua galáxia. Pesquisas anteriores descobriram que os buracos negros supermassivos residem no centro de praticamente todas as galáxias grandes conhecidas. Os pesquisadores sugerem que o buraco negro supermassivo do centro dessa galáxia tenha entre 200 milhões a 3 bilhões de vezes a massa do Sol
Apenas cerca de 10 eventos de ruptura de marés foram descobertos, disseram os pesquisadores. Mas de acordo com Giorgos, não podemos dizer com total certeza que ASASSN-15lh foi um evento de ruptura de maré, mas ainda assim, todos os indícios apontam que a explosão foi mesmo causada pelo grande poder de um buraco negro gigante... Sim, eles são impiedosos!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A ESTRELA GIGANTE VERMELHA BETELGEUSE PODE TER ENGOLIDO SUA COMPANHEIRA


A enorme estrela vermelha Betelgeuse, que compõe uma das mais conhecidas e belas constelações (Orion), pode ter engolido uma estrela companheira há muito tempo, sugere um novo estudo publicado na revista Monthly Notices da Royal Astronomical Society.
Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha, e a mais brilhante de sua constelação de Orion. Em breve, ela morrerá em uma explosão de supernova. Como indica o nome de sua classe estelar, Betelgeuse inchou imensamente, conforme se aproxima seu fim. Embora sua massa seja apenas 15 ou 25 vezes a massa do Sol, ela tem cerca de 1.4 bilhão de quilômetros, ou seja, mais de 1.000 vezes maior do que a nossa estrela. Para se ter uma ideia de seu tamanho, se colocássemos Betelgeuse no local do Sol, sua superfície iria se estender além da órbita de Marte, próximo do Cinturão de Asteroides.
comparação de tamanhos - Betelgeuse e o Sol
Comparação de tamanho entre Betelgeuse e o Sol.Créditos: divulgação
E uma estrela tão grande quanto Betelgeuse deve girar lentamente, já que sua taxa de rotação diminui à medida que seu tamanho aumenta. Mas curiosamente, esse não é o caso da Betelgeuse, que está girando a uma velocidade média de 53.900 km/h, segundo astrônomos.
"Não podemos explicar a rotação de Betelgeuse", disse o autor principal do estudo, J. Craig Wheeler, astrônomo da Universidade do Texas, nos EUA. "Ela está girando 150 vezes mais rápido do que qualquer estrela comum de seu tamanho."
constelação de Orion
Betelgeuse está localizada na Constelação de Orion conforme vista do hemisfério sul.
Créditos: STELLARIUM
Após realizar estudos e análises, Wheeler e seus colegas podem finalmente ter encontrado uma resposta para essa intrigante questão. Seus modelos de computador sugerem que o giro veloz de Betelgeuse poderia ser explicado se a estrela gigante tivesse engolido uma companheira com aproximadamente a mesma massa que o Sol tinha há 100.000 anos. O momento angular da órbita da companheira seria transferido para Betelgeuse, acelerando sua rotação para a taxa que vemos atualmente.
Essa ato de canibalismo estelar poderia ainda ter estimulado um jato cósmico, fazendo com que Betelgeuse despejasse uma nuvem de material no espaço, a uma velocidade de cerca de 36.000 km/h. E para a surpresa de todos, os astrônomos descobriram uma grande quantidade de matéria em forma de casca aproximadamente na mesma distância que o cenário prevê.
Embora existam outras explicações para essa "nuvem espacial", o fato é que há evidências de que Betelgeuse tenha lançado uma grande quantidade de matéria no período proposto.
Betelgeuse fica a cerca de 640 anos-luz do Sol, e assim como outras estrelas super gigantes, morrerá jovem. Ela tem apenas cerca de 10 milhões de anos. Em contrapartida, o nosso Sol tem cerca de 4,6 bilhões de anos, e está apenas na metade de sua vida.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

UMA IMAGEM INFRAVERMELHA PROFUNDO NA NEBULOSA DE ORION OBTIDA PELO HAWK-I

Uma imagem infravermelha profunda da Nebulosa de Órion obtida pelo HAWK-I
Esta é uma imagem infravermelha profunda da Nebulosa de Órion obtida pelo HAWK-I
Esta imagem da região de formação estelar da Nebulosa de Órion foi criada a partir de várias exposições obtidas pela câmera infravermelha HAWK-I, montada no Very Large Telescope do ESO, no Chile. Esta é a imagem mais profunda desta região obtida até hoje e revela muito mais objetos de massa planetária tênues do que o esperado.

Crédito:
ESO/H. Drass et al.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

HUBBLE OBSERVA RESIDENTE INCOMUM DE CASSIOPÉIA

galáxia espiral bonita nos azuis e ouro
Esta imagem, tomada por / ESA Telescópio Espacial Hubble da NASA da câmera planetária 2 do campo largo , mostra uma galáxia espiral chamada NGC 278. 
Esta beleza cósmica fica a cerca de 38 milhões de anos-luz de distância na constelação do norte da Cassiopeia (The Queen Sentado).
Enquanto NGC 278 podemos olhar sereno,isso não é nada. A galáxia está passando por uma imensa explosão de formação de estrelas. Esta onda de atividade é mostrado pelos nós azuis em tons inconfundíveis no salpicar dos braços espirais da galáxia, cada um dos quais marcam um aglomerado de estrelas recém-nascidas quentes.
No entanto, a formação de estrelas de NGC 278 é um tanto incomum; ele não se estende às bordas exteriores da galáxia, mas só está ocorrendo dentro de um anel interno algumas 6500 anos-luz de diâmetro. Esta estrutura de duas camadas é visível nesta imagem - enquanto o centro da galáxia é brilhante, suas extremidades são muito mais escura. Esta configuração estranha é pensado para ter sido causado por uma fusão com uma galáxia menor, rica em gás - enquanto o evento turbulento acendeu o centro da NGC 278, das sobras empoeiradas do pequeno lanche então disperso em regiões exteriores da galáxia. Seja qual for a causa, tal anel de formação de estrelas, chamado de anel nuclear , é extremamente incomum em galáxias sem um bar no seu centro, fazendo NGC 278 uma visão muito intrigante.
Crédito da imagem: / ESA Hubble e NASA
crédito Texto: Agência Espacial Europeia

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

ALMA REVELA A PRIMEIRA OBSERVAÇÃO EM LUZ DE BANDA 5

O sistema de galáxias em fusão Arp 220 observado pelo ALMA e pelo Hubble
 Novos receptores aumentam a capacidade do ALMA na procura de água no Universo
O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, começou a observar numa nova banda do espectro electromagnético, graças a novos receptores instalados nas antenas do telescópio, os quais detectam ondas rádio com comprimentos de onda entre os 1,4 e os 1,8 milímetros — uma região espectral na qual o ALMA ainda não observava. Este melhoramento permite aos astrônomos detectar fracos sinais de água no Universo próximo.
O ALMA observa o Universo em ondas rádio, a extremidade de menor energia do espectro electromagnético. Com os recentemente instalados receptores de Banda 5, o ALMA pode agora “abrir os seus olhos” a uma nova região do espectro rádio, criando assim novas possibilidades de observação.
O Cientista de Programa europeu do ALMA, Leonardo Testi, explica o significado deste melhoramento: “Os novos receptores tornarão muito mais fácil a detecção de água — um pré-requisito para a vida tal como a conhecemos  no nosso Sistema Solar, em regiões mais distantes da nossa Galáxia e para além dela. Estes receptores permitirão também ao ALMA procurar carbono ionizado no Universo primordial.”
É a localização única do ALMA, a 5000 metros de altitude no cimo do árido planalto do Chajnantor, no Chile, que torna, antes de mais nada, tais observações possíveis. Uma vez que a água também se encontra presente na atmosfera da Terra, os observatórios situados em locais menos elevados e em ambientes menos áridos têm muito mais dificuldade em identificar a origem da emissão que vem do espaço. A grande sensibilidade do ALMA, aliada à sua elevada resolução angular, implica que até os sinais muito fracos de água no Universo local conseguem observar-se nestes comprimentos de onda
Os receptores de Banda 5, desenvolvidos pelo Grupo de Desenvolvimento de Receptores Avançados (GARD, acrônimo do inglês) no Observatório Espacial Onsala, Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, foram já testados no telescópio APEX, no instrumento SEPIA. Estas observações foram igualmente muito importantes para a seleção de alvos apropriados para os primeiros testes realizados com os receptores montados no ALMA.
Os primeiros receptores foram construídos e entregues ao ALMA na primeira metade de 2015 por um consórcio constituído pela NOVA (Netherlands Research School for Astronomy) e pelo GARD em parceria com o Observatório Nacional de Rádio Astronomia dos Estados Unidos da América (NRAO), que contribuiu para o projeto com o oscilador local. Estes receptores estão agora instalados e encontram-se a ser preparados para poderem ser utilizados pela comunidade astronômica.
Para testar os receptores recentemente instalados fizeram-se observações de vários objetos incluindo as galáxias em colisão Arp 220, uma região de formação estelar massiva situada próximo do centro da Via Láctea, e também uma estrela supergigante vermelha poeirenta, que está quase a atingir a fase de supernova, terminando assim a sua vida.
Para processar os dados e verificar a sua qualidade, astrônomos e especialistas técnicos do ESO e do Centro Regional Europeu do ALMA (ARC), reuniram-se no Observatório Espacial Onsala na Suécia, para a “Semana da Banda 5”, organizada pelo nodo nórdico do ARC. Os resultados finais acabam de ser postos à disposição da comunidade astronômica mundial.
Robert Laing, membro da equipa no ESO, está otimista quanto às possibilidades que se abrem com as observações ALMA na Banda 5: “É extremamente interessante ver estes primeiros resultados da Banda 5 do ALMA, obtidos com dados colectados apenas com um conjunto limitado de antenas. No futuro, a alta sensibilidade e a resolução angular do complemento total da rede ALMA permitir-nos-á estudar detalhadamente a água numa grande variedade de objetos, incluindo estrelas em formação e evoluídas, meio interestelar e regiões próximas de buracos negros supermassivos.”

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

NGC 6357 MARAVILHAS CÓSMICAS DE INVERNO

NGC 6357
NGC 6357 é uma região onde a radiação de estrelas quentes e jovens está energizando o gás e a poeira circundantes. Este composto contém dados de raios-X de Chandra (roxo) mais dados infravermelhos (laranja) e ópticos (azul). Os raios-X podem penetrar as manchas de gás e poeira que cercam estrelas infantis como as do NGC 6357.
Embora não haja estações no espaço, esta visão cósmica invoca pensamentos de uma paisagem gelada do inverno. É, de fato, uma região chamada NGC 6357 onde a radiação de estrelas quentes e jovens está energizando o gás mais frio na nuvem que os rodeia.
Esta imagem composta contém dados de raios-X da NASA Observatório Chandra de raios-X e o telescópio ROSAT (roxo), os dados infravermelhos do telescópio espacial Spitzer da NASA (laranja), e os dados ópticos do Sky Survey SuperCosmos (azul) feita pelo Reino Unido Telescópio Infravermelho.
Localizado na nossa galáxia cerca de 5.500 anos-luz da Terra, NGC 6357 é na verdade um "conjunto de clusters", contendo pelo menos três grupos de estrelas jovens, incluindo muitos massivas estrelas luminosas quentes,,. Os raios X de Chandra e ROSAT revelam centenas de fontes pontuais, que são as estrelas jovens em NGC 6357, bem como a emissão difusa de raios-X do gás quente. Há bolhas, ou cavidades, que foram criados pela radiação e materiais soprando longe das superfícies das estrelas de grande massa, além de supernovas explosões.
Os astrônomos chamam NGC 6357 e outros objetos como ele "HII" (pronunciado "H-dois") regiões. Uma região HII é criada quando a radiação de estrelas quentes e jovens tira os elétrons de átomos de hidrogênio neutro no gás circundante para formar nuvens de hidrogênio ionizado, que é denotado cientificamente como "HII".
Os pesquisadores usam Chandra para estudar NGC 6357 e objetos semelhantes, porque as estrelas jovens são brilhantes em raios-X. Além disso, os raios-X podem penetrar nas manchas de gás e poeira que cercam essas estrelas infantis, permitindo aos astrônomos ver detalhes do nascimento de estrelas que de outra forma seriam perdidos.
Um artigo recente sobre observações do Chandra de NGC 6357 por Leisa Townsley da Pennsylvania State University apareceu em The Series Supplement Astrophysical Journal e está disponível online .
O Centro de Vôo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, gerencia o programa de Chandra para a Direção da Missão de Ciência da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Massachusetts, controla a ciência de Chandra e as operações de vôo.
Fast Facts para NGC 6357:
Crédito Raio X: NASA / CXC / PSU / L.Townsley et ai; Óptica: UKIRT; Infravermelho: NASA / JPL-Caltech
Data de lançamento 19 de dezembro de 2016
Escala A imagem é aproximadamente 44 arcmin transversalmente (70 anos claros)
Categoria Estrelas normais e agrupamentos de estrelas
Coordenadas (J2000)   RA 17h 25m 34.2s | Dec -34 ° 23 '12 "
constelação Scorpius
Data de observação 7 apontando entre julho de 2004 e julho de 2016
Tempo de observação 72 horas 13 min. (3 dias 13 min)
Obs. identidade 4477, 10987, 10988, 13267, 13622, 18453
Instrumento ACIS
Referências Townsley, L. et al., 2014, ApJS, 213, 1; ArXiv: 1403.2576
Código de cores Raio X (Roxo); Óptico (Azul); Infravermelho (Laranja)
IRÓpticoRaio X
Estimativa de Distância Cerca de 5.500 anos-luz

domingo, 25 de dezembro de 2016

OBJETO MISTERIOSO CÓSMICO PARECE VIAJAR QUATRO VEZES MAIS RÁPIDO QUE A LUZ

Objeto cósmico misterioso parece viajar quatro vezes mais rápido que a luz
A galáxia M82, onde o estranho objeto cósmico surgiu, localizada a 10 milhões de anos-luz da Terra, é uma região conhecida como "berço de estrelas", onde novos sóis formam-se em um ritmo espetacular. Mas onde eles também morrem muito rapidamente.[Imagem: NASA/JPL-Caltech]
Astrônomos da Universidade de Manchester, na Inglaterra, descobriram um novo objeto cósmico que não se parece com nada conhecido até hoje.
De início, quando o corpo celeste surgiu muito repentinamente nos radiotelescópios, em comprimentos de onda na faixa das radiofrequências, os astrônomos pensaram tratar-se de uma supernova.
Mas supernovas perdem o brilho rapidamente, e o novo objeto continua brilhando meses depois de ter sido detectado. "O novo objeto, que surgiu em Maio de 2009, nos deixou coçando a cabeça - nunca vimos nada assim antes", disse o Dr. Tom Muxlow, da Universidade de Glasgow.
Supernovas jovens
A galáxia M82, onde o estranho objeto surgiu, localizada a 10 milhões de anos-luz da Terra, é uma região conhecida como "berço de estrelas", onde novos sóis formam-se em um ritmo espetacular.
Mas muitas dessas estrelas jovens costumam morrer rapidamente, a uma taxa muito elevada, com as gigantescas explosões das supernovas sendo registradas uma vez a cada 20 ou 30 anos.
"O objeto brilhou muito rapidamente, num intervalo de poucos dias, e não mostra nenhum sinal de queda nesse brilho ao longo dos primeiros meses de sua existência. As explosões das jovens supernovas que estávamos esperando ver na M82 brilham em comprimentos de onda de rádio durante várias semanas e, em seguida, vão decaindo ao longo dos meses seguintes." explica o astrônomo.
Mas a possibilidade de que o novo objeto cósmico fosse uma supernova foi mesmo descartada quando os astrônomos fizeram um acompanhamento preciso de sua posição.
Usando a rede Merlin de radiotelescópios, os cientistas detectaram um movimento aparente do objeto, ao longo de 50 dias, equivalente a mais de quatro vezes a velocidade da luz.
Essas velocidades super luminais não são observadas em remanescentes de supernovas e geralmente só são encontradas em jatos relativísticos ejetados a partir de discos de acreção em torno de buracos negros muito grandes.
O núcleo da M82, assim como o núcleo da maioria das grandes galáxias, deve conter um buraco negro super maciço. O novo corpo celeste está próximo dele, mas a vários arcossegundos de distância do centro dinâmico da M82 - suficientemente longe para tornar improvável que esse objeto esteja associado com o buraco negro desta galáxia.
Ilusão de óptica cósmica
Mas, ainda que não se saiba exatamente no que consiste o novo corpo celeste, é pouco provável que o objeto esteja de fato viajando em velocidades super luminar - é por isso que os astrônomos falam em velocidade aparente.
A explicação mais plausível para o fenômeno é que os feixes de radiação estejam viajando em nossa direção em um ângulo muito pequeno, a uma velocidade que é apenas uma fração da velocidade da luz. Os efeitos da relatividade produziriam um tipo de ilusão de óptica que faz com que o objeto pareça estar viajando a uma velocidade super luminar.
Micro-quasar
Até que novas observações permitam uma melhor análise do objeto, os astrônomos estão chamando-o de microquasar.
Sistemas parecidos têm sido encontrados no interior da Via Láctea na forma de feixes binários de raios X com jatos relativísticos ejetados por um disco de acreção ao redor de uma estrela colapsada, abastecida com material arrancado de uma companheira binária.
No entanto, este objeto é mais brilhante do que qualquer uma dessas fontes já encontrada em nossa galáxia e já está durando meses a mais do que qualquer outro sistema binário de raios X conhecido.
Além de estar situado em uma posição na M82 onde nenhuma fonte variável de raios X foi detectada até agora.

sábado, 24 de dezembro de 2016

PRÓXIMA B: 7 QUESTÕES SOBRE O EXOPLANETA MAIS PRÓXIMO DE NÓS

Próxima b: 7 questões sobre o exoplaneta mais próximo de nós
Se o exoplaneta Próxima b é árido como nessa visualização artística, ou verdejante e cheio de vida, é algo que levará tempo para sabermos.[Imagem: ESO/M. Kornmesser]
A descoberta do exoplaneta Próxima b já tem seu lugar nos livros de história.
Circundando a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar e com potencial para abrigar vida, Próxima b é o exoplaneta mais festejado até agora, e com muita razão.
Você provavelmente tem muitas perguntas sobre ele, e aqui nós preparamos algumas respostas, baseadas no que sabemos até agora e no que é mais plausível.
Há alienígenas em Próxima b?
No momento, ninguém sabe dizer. Próxima b é provavelmente semelhante à Terra em alguns aspectos, em massa e temperatura por exemplo, o que aumenta a possibilidade de haver algum tipo de vida lá.
Mas ele também é muito diferente em outros aspectos: ao contrário da Terra, ele deve ter uma órbita travada, com um lado sempre voltado para sua estrela e outro onde é sempre noite. Teoricamente a vida até poderia evoluir nessas condições, mas é difícil dizer dado que só conhecemos um exemplo de planeta onde há vida - o nosso - e ele não funciona desse jeito.
Mesmo que houvesse apenas micróbios por lá, e não homenzinhos verdes, já seria um achado e tanto.
Como podemos ter certeza?
A prioridade número um é determinar se Próxima b tem uma atmosfera. Se pudermos capturar sinais de sua atmosfera e estudar sua composição química, isto poderia nos dizer se há algum tipo de vida similar à vida na Terra.

As probabilidades estão todas a favor da existência de alienígenas, mas ainda é necessário encontrá-los. [Imagem: University of Rochester]
Sinais de oxigênio e metano, que quebram rapidamente, seriam fortes indícios de algo vivo, uma vez que implicaria que a atmosfera possui um abastecimento regular desses gases.
Outros gases, como os clorofluorcarbonetos, poderiam apontar para alienígenas inteligentes que poluíram o planeta deles, como nós, enquanto etano poderia revelar um mundo onde a vida já se extinguiu.
A não ser que tenhamos sorte e calhe de Próxima b passar bem na frente da sua estrela quando observado da Terra, não teremos telescópios poderosos o suficiente para ver sua atmosfera pelo menos pelos próximos 10 anos.
Então por que não vamos até lá olhar?
Uma missão tripulada a Próxima b é basicamente impossível com a tecnologia atual, e mesmo o envio de uma sonda robótica será um desafio.
A estrela Próxima Centauro está a 4,25 anos-luz de distância, ou cerca de 40 trilhões de quilômetros. Isto significa que uma viagem à velocidade da luz, o mais rápido possível e no momento bem além das nossas capacidades, levaria 4,25 anos para chegar lá, e teríamos então que esperar outro tanto para receber as primeiras comunicações.
Para se ter uma ideia, a sonda New Horizons levou quase uma década para percorrer 5 bilhões de quilômetros e chegar a Plutão no ano passado - e teve que passar chutada, sem conseguir parar para estudar o planeta anão em detalhes, porque não tinha combustível para isso. Uma missão semelhante a Próxima b levaria milênios de anos.
Próxima b: 7 questões sobre o exoplaneta mais próximo de nós
Enquanto alguns se perguntam quais ETs vão nos encontrar primeiro, outros sugerem silêncio de rádio e usar lasers para esconder a Terra dos alienígenas. [Imagem: René Heller/Ralph Pudritz]
Os primeiros esforços já estão em andamento. Um projeto para enviar minúsculas naves espaciais a Alfa Centauro, o mesmo sistema onde Próxima b está, pretende usar lasers para atingir um quinto da velocidade da luz, o que reduziria o tempo de viagem para 20 anos.
Já existem algumas naves do tamanho de chips prontas para os primeiros testes, mas poucos apostam que a missão a Alfa Centauro seja viável em menos do que algumas décadas. Isto contando que ela se mostre factível e consiga mesmo sair do chão, o que exigirá vários bilhões de dólares de investimentos.
Que tal enviar uma mensagem?
Isto podemos fazer. Astrônomos já usaram radiotelescópios gigantes para enviar mensagens para outros sistemas estelares, embora alguns argumentem que deveríamos ficar em silêncio para evitar atrair a atenção de ETs hostis - é o chamado "argumento Klingon"
Se decidirmos enviar uma mensagem, ela vai demorar 4,25 anos para chegar a Próxima b, e qualquer resposta levaria o mesmo tempo para viajar de volta, por isso ficaríamos quase uma década na expectativa.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

HUBBLE DETECTA POSSÍVEIS ERUPÇÕES DE ÁGUA EM LUA EUROPA

Hubble detecta possíveis erupções de água em Europa
Hubble detecta possíveis erupções de água em Europa.Olhando para a lua Europa como ela fosse um relógio, você pode ver os indícios das plumas de água na posição equivalente às 7 horas.[Imagem: NASA/ESA/W. Sparks (STScI)/USGS]
Vulcões de água
Usando dados do Telescópio Espacial Hubble, astrônomos acreditam ter identificado plumas de vapor de água emergindo de erupções da superfície da lua Europa, de Júpiter.
Se for confirmada, a observação aumenta a possibilidade de que missões exploratórias possam ser capazes de estudar o oceano de Europa sem precisar perfurar centenas de metros de gelo - assim como Encélado, lua de Saturno, acredita-se que haja um oceano líquido sob a camada superficial gelada de Europa.
"O oceano de Europa é considerado um dos lugares mais promissores para abrigar vida no Sistema Solar", disse Geoff Yoder, da NASA. "Estas plumas, se elas realmente existirem, podem fornecer uma outra maneira de estudar a subsuperfície de Europa."
Plumas de água
Vapor de água aumenta chances de vida na lua Europa de Júpiter
Os astrônomos estimam que as plumas subam até altitudes de cerca de 200 quilômetros. Presumivelmente, o material chove de volta sobre a superfície de Europa.
William Sparks e seus colegas estavam usando o Hubble para determinar se Europa tem uma atmosfera mais externa, ou exosfera.
Usando o mesmo método de observação que detecta atmosferas em torno de exoplanetas, a equipe fez 10 imagens ao longo de 15 meses, quando Europa passava à frente de Júpiter. Eles acreditam que pelo menos três dessas imagens mostram indícios das erupções de água.
Embora ambas as equipes tenham usado os instrumentos do Hubble, cada uma usou um método totalmente diferente para chegar à mesma conclusão - em 2013 foi usada espectroscopia para identificar moléculas de água, e agora foram usadas imagens diretas.
Contudo, até o momento, as duas equipes ainda não conseguiram detectar simultaneamente as plumas usando suas diferentes técnicas: ao ser alertada por Sparks, a equipe de Roth fez novas observações uma semana após uma das detecções atuais, mas não registrou qualquer pluma.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ASTRÔNOMOS MAPEIAM 1 BILHÃO DE ESTRELAS E PEDEM AJUDA AO PÚBLICO

Astrônomos mapeiam 1 bilhão de estrelas e pedem ajuda ao públicoCom os dados completos, os astrônomos podem dar zooms nesta imagem e ver claramente qualquer uma dentre 1 bilhão de estrelas mapeadas. [Imagem: ESA/Gaia/DPAC]
Ciência cidadã
O telescópio espacial Gaia, lançado em 2013, cumpriu com louvores a primeira de suas grandes promessas científicas.
A ESA divulgou um novo mapa do céu com nada menos do que 1 bilhão de estrelas - é o mais detalhado mapa já feito da nossa galáxia, a Via Láctea.
Desse total, 2 milhões de estrelas foram estudadas em mais detalhes e tiveram sua distância e seus movimentos laterais nos céus traçados com precisão.
A equipe de astrônomos responsáveis pelo Gaia afirmam, contudo, ser impossível analisar a quantidade de informação que recebem e fizeram um apelo ao público para ajudar a fazer novas descobertas.
Uma das medidas para incentivar esse esforço de ciência cidadã será o lançamento de um site no qual os usuários poderão pegar porções dos dados do telescópio e tentar identificar fenômenos singulares.
Exímia precisão
A missão Gaia usa dois telescópios, que examinam a Via Láctea a uma distância de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
Os espelhos dos telescópios refletem a luz que capturam em um imensa câmera com um sensor com 1 bilhão de píxeis. É um equipamento óptico ultraestável e supersensível usado para coletar a luz das estrelas com exímia precisão.
Isto permite identificar as coordenadas dos objetos mais brilhantes com uma margem de erro de sete microarcossegundos - algo equivalente ao tamanho de uma moeda de R$ 1 na superfície da Lua vista da Terra.
Além da posição e dos movimentos, as propriedades físicas das estrelas também são analisadas, como temperatura e composição. Isso permite determinar a idade desses astros.
Astrônomos mapeiam 1 bilhão de estrelas e pedem ajuda ao público
O telescópio espacial Gaia foi lançado em 2013. [Imagem: ESA]
História da Via Láctea
Uma medição aguardada com grande expectativa é a velocidade radial das estrelas. Trata-se do movimento que esses astros fazem para perto ou longe do telescópio na medida em que percorrem a galáxia.
Se essa medição for combinada com o movimento próprio das estrelas, pode-se determinar a dinâmica da Via Láctea .
Será possível, assim, fazer uma espécie de vídeo temporizado, de forma a avançá-lo para ver como a galáxia vai evoluir no futuro, ou rebobiná-lo para observar como a vizinhança cósmica ganhou a forma atual.
Dificuldades inesperadas
No início da missão, os cientistas esperavam obter dados de velocidade radial de cerca de 150 milhões de estrelas.
Mas esse objetivo foi posto em dúvida quando se percebeu, logo após o lançamento de Gaia, que uma luz difusa inesperada estava entrando no telescópio. Isso fez com que a observação das estrelas mais fracas - bem como de suas cores - se tornasse muito mais desafiadora.
Os cientistas da missão acreditam ter encontrado a origem do problema: em parte, ele é causado pela forma como a luz do Sol se curva nos 10 m de sombra que os telescópios usam para manter seus telescópios na escuridão.
A boa notícia é que o problema poderá ser sanado se houver uma quantidade suficiente de dados. O objetivo final - a medição da velocidade radial - dependerá, assim, segundo os técnicos, da duração da missão. Quanto mais tempo ela durar, maior a chance de o objetivo ser alcançado.