domingo, 11 de junho de 2017

ASTRÔNOMOS DETECTAM O PLANETA MAIS QUENTE ATÉ HOJE ENCONTRADO

planeta mais quente já encontrado
Um exoplaneta recém descoberto parecido com Júpiter é tão quente que está quase sendo vaporizado!
Com uma temperatura de mais de 4.600 Kelvin (4.300 °C), o KELT-9b é um planeta mais quente do que a maioria das estrelas. Mas sua estrela azul, chamada KELT-9, é ainda mais quente, e provavelmente é a responsável pela evaporação do planeta.
"Este é o planeta gigante de gás mais quente já descoberto", disse Scott Gaudi, professor de astronomia da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, que liderou o estudo que foi publicado na revista Nature e detalhado numa reunião da Amercian Astronomical Society, no Texas.
KELT-9b é 2,8 vezes mais maciço do que Júpiter, mas possui apenas metade de sua densidade. O normal seria que o planeta tivesse um tamanho menor, porém, a radiação extrema de sua estrela hospedeira fez com que sua atmosfera inchasse como um balão de gás.
O planeta está em rotação sincronizada com sua estrela, ou seja, assim como a Lua está sempre com a mesma face voltada para a Terra, esse planeta também orbita sua estrela com um lado exposto o tempo todo, enquanto o outro fica escondido, experimentando uma noite infinita. Moléculas como a água, o dióxido de carbono e o metano não podem se formar no lado diurno, porque são bombardeadas por muita radiação ultravioleta. As propriedades do lado escuro ainda são desconhecidas - as moléculas podem até se formar, mas provavelmente apenas temporariamente.
KELT-9b orbitando sua estrela hospedeira
KELT-9b orbitando sua estrela hospedeira  Ilustração artística  Créditos: NASA / JPL
A estrela KELT-9 está a 650 anos-luz da Terra, na constelação de Cygnus, e tem apenas 300 milhões de anos, o que é muito pouco para uma estrela. Ela também é mais do que duas vezes maior e quase duas vezes mais quente do que nosso Sol. Considerando os altos níveis de radiação ultravioleta que o planeta recebe de sua estrela, ele pode até criar uma cauda de material planetário, e ter uma aparência de um cometa gigantesco.
"KELT-9 irradia tanta radiação ultravioleta que pode evaporar completamente o planeta", disse Keivan Stassun, professor de física e astronomia da Universidade Vanderbilt, nos EUA.
Mas a estrela só irá evaporar o planeta se ela não crescer o suficiente para engolir ele... "KELT-9 inchará ao se tornar uma gigante vermelha em alguns milhões de anos", disse Stassun. "As perspectivas de longo prazo para o planeta KELT-9b não são boas".
O exoplaneta também é incomum porque orbita perpendicularmente sua estrela. Além disso, "um ano" nesse planeta dura menos de dois dias.
KELT-9b está longe de ser habitável, mas os cientistas enxergam boas razões para estudar mundos desse tipo
O exoplaneta KELT-9b foi encontrado usando um dos dois telescópios KELT, ou Kilodegree Extremely Little Telescope. Entre o fim de maio e o início de junho de 2016, os astrônomos notaram uma pequena queda no brilho da estrela KELT-9, o que indicava a presença de um planeta. O brilho da estrela sofria alterações a cada 1,5 dias, mostrando que o planeta completa uma volta em torno de sua estrela em menos de 2 dias.
Observações posteriores confirmaram a presença do planeta, revelando o que os astrônomos chamam de Júpiter-Quente - um tipo de planeta que os telescópios KELT são projetados para detectar.
"Esta detecção é um testemunho do poder de descoberta dos pequenos telescópios e da capacidade dos astrônomos amadores de contribuir diretamente para a pesquisa científica de ponta", disse Joshua Pepper, astrônomo e professor assistente de física da Universidade Lehigh, nos EUA, responsável pela construção dos telescópios KELT.
Os astrônomos esperam olhar o planeta KELT-9b mais de perto com outros telescópios, incluindo os espaciais Spitzer e Hubble, e futuramente com o Telescópio Espacial James Webb.
Imagens: (capa-ilustração/NASA) / NASA / JPL

sábado, 10 de junho de 2017

NASA REGISTRA IMAGEM DA TERRA E DA LUA VISTAS DE MARTE

Terra e Lua vistas de Marte pela sonda MRO
Enquanto orbita o Planeta Vermelho, a nave espacial Mars Reconnaissance Orbiter reservou um pouco de seu precioso tempo para registrar uma imagem fantástica, que mostra o nosso planeta Terra e a Lua com detalhes dos continentes! A imagem é uma combinação de duas exposições realizadas em 20 de novembro de 2016 pela câmera de alta resolução HiRISE.
Terra e Lua vistas de Marte pela sonda MRO Créditos: NASA / MRO / JPL-Caltech
As imagens foram feitas para calibrar os dados e a exposição da câmera HiRISE, já que o brilho da Lua é bem conhecido. Antes de ser apresentada, essa imagem foi processada para otimizar os detalhes visíveis da Terra e da Lua. A Lua, apesar de ser muito brilhante, se mostra muito mais escura do que a Terra, portanto não a veríamos se a escala de brilho fosse a mesma para os dois corpos.
Terra e Lua vistas de Marte
A câmera HiRISE daria um ótimo telescópio de quintal para observarmos o Planeta Vermelho, e estando lá, também podemos utilizá-la para observar outros planetas, inclusive a Terra.
A imagem combinada nos mostra a Terra e a Lua em escala. A distância entre a Terra e a Lua é de aproximadamente 30 vezes o diâmetro da Terra, porém, na imagem ela aparece muito mais próxima do nosso planeta porque a observação foi feita quando a Lua estava quase diretamente atrás da Terra do ponto de vista marciano.
No centro da Terra podemos ver uma característica avermelhada, que é a Austrália. Quando as imagens foram feitas, Marte estava a 205 milhões de quilômetros da Terra, o que não é nada próximo considerando que durante o perigeu (ponto mais próximo da Terra), o Planeta Vermelho pode chegar a cerca de 60 milhões de quilômetros do nosso planeta. Mas foi próximo o suficiente para revelar detalhes inesquecíveis!
Imagens: (capa-NASA) / NASA / MRO / JPL-Caltech / divulgação)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

OBSERVADO DOIS BURACOS NEGROS NA GALÁXIA CYGNUS A

dois buracos negros supermassivos na galáxia Cygnus A
Buraco negro supermassivo de uma galáxia está em rota de colisão com outro objeto monstruoso
Uma coisa é certa: será uma colisão colossal!
Dois buracos negros gigantescos estão aparentemente em rota de colisão perto da região central de uma galáxia próxima, revela um estudo aceito para publicação na revista The Astrophysical Journal.
Os astrônomos descobriram um objeto extremamente brilhante, localizado a cerca de 1.500 anos-luz do buraco negro supermassivo que habita no coração da galáxia Cygnus A, que fica a 800 milhões de anos-luz da Terra.
"Nós acreditamos que encontramos um segundo buraco negro supermassivo nessa galáxia, indicando que ela se fundiu com outra galáxia em um passado recente", disse o co-autor do estudo, Chris Carilli, do Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), nos EUA. "Estes dois provavelmente formam o par de buracos negros supermassivos mais próximos já descobertos, e provavelmente irão se fundir no futuro".
Dois buracos negros na galaxia Cygnus A
Dois buracos negros na galaxia Cygnus A
Animação mostra imagens em rádio captadas pelo VLA (em laranja) da região central da galáxia Cygnus A, sobrepostas com imagens registradas pelo Telescópio Espacial Hubble.
Créditos: Perley, et al. / NRAO / AUI / NSF / NASA
Os pesquisadores estudaram a galáxia Cygnus A em 2015 e 2016 usando o Very Large Array (VLA), um sistema de radiotelescópios no Novo México. Essas observações revelaram o misterioso objeto brilhante, que não tinha aparecido nas imagens anteriores de Cygnus A, feitas nos anos de 1980 e 1990.
"Para nossa surpresa, encontramos uma nova característica proeminente perto do núcleo da galáxia que não apareceu em nenhuma imagem publicada anteriormente. Essa nova característica é tão brilhante que teríamos visto em observações passadas, se nada tivesse mudado", disse Rick Perley, também co-autor do estudo e do NRAO. "Isso significa que ele deve ter se tornado ativo em algum momento entre 1996 e agora."
Observações adicionais feitas em 2016 pelos radiotelescópios do Very Long Baseline Array, localizado no Novo México, também detectaram o objeto.
Ilustração artística de um buraco negro supermassivo orbitando o buraco negro central da galáxia Cygnus A
Ilustração artística de um buraco negro supermassivo orbitando o buraco negro central da galáxia Cygnus A. Créditos: Bill Saxton / NRAO / AUI / NSF
As imagens no infravermelho capturadas pelo telescópio espacial Hubble da NASA e pelo Observatório Keck do Havaí, entre 1994 e 2002, mostram um objeto tênue, no mesmo local de Cygnus A. Esse objeto misterioso foi originalmente interpretado como "um grupo de estrelas", mas o brilho recente e dramático fez com que os cientistas repensassem tal hipótese.
De acordo com os pesquisadores, existem apenas duas possibilidades viáveis ​​que poderiam explicar esse tal objeto: ou ele é uma supernova ou um buraco negro supermassivo em ação.
A equipe acredita que a hipótese do buraco negro seja mais plausível, afinal, nenhum tipo conhecido de supernova poderia permanecer tão brilhante por tanto tempo. Esse segundo buraco negro supermassivo provavelmente se tornou tão ativo porque capturou muita matéria de uma só vez - talvez diversas estrelas próximas, ou nuvens de gás gigantescas após a fusão das duas galáxias.
"Novas observações nos ajudarão a resolver algumas dessas questões", disse o autor principal do estudo, Daniel Perley, do Astrophysics Research Institute da Universidade Liverpool John Moores, na Inglaterra (paí do co-autor Rick Perley). "Além disso, se for mesmo um segundo buraco negro supermassivo, podemos encontrar outros em galáxias semelhantes."
Imagens: (capa-Perley, et al) / Perley, et al. / NRAO / AUI / NSF / NASA / divulgação

segunda-feira, 5 de junho de 2017

OBSERVATÓRIO DE DINÂMICA SOLAR CAPTUROU IMAGEM DE UM ECLIPSE VISTO DO ESPAÇO


Imagens do eclipse parcial do Sol visto do espaço pelo satélite do Observatório de Dinâmica Solar, da Nasa. (NASA’s Goddard Space Flight Center/SDO/Joy Ng, producer/Nasa)
A Nasa registrou imagens de um incrível eclipse parcial do Sol que só pôde ser visto do espaço, nesta quinta-feira. As fotos foram feitas pelo satélite do Observatório de Dinâmica Solar (SDO, na sigla em inglês), que orbita a Terra acima do Pacífico com o objetivo de monitorar a atividade solar.
O eclipse durou quase uma hora, entre as 14h24 e 15h17 (15h24 e 16h17, no horário de Brasília). De acordo com os astrônomos, a Lua cobriu 89% do Sol, no ápice do fenômeno. Nas imagens também é possível observar alguns detalhes do Sol e da Lua, cujas bordas são distorcidas pelas crateras, vales e montanhas de sua superfície.
O Observatório de Dinâmica Solar foi lançado em 2010 para recolher dados sobre o Sol e investigar o campo magnético de nossa estrela e seus efeitos na Terra e nos aparelhos tecnológicos. Em 21 de agosto, o observatório também vai acompanhar o eclipse total do Sol, que poderá ser visto do Hemisfério Norte. Em algumas partes do Hemisfério Sul, um eclipse parcial poderá ser observado.

domingo, 4 de junho de 2017

UGC 1810 GALÁXIAS EM INTERAÇÃO SELVAGEM


UGC 1810: Galáxias em Interação Selvagem
Crédito: NASA, ESA, Hubble, HLA; Processamento e Direitos de Autor: Domingo Pestana
 O que é que está a acontecer nesta galáxia espiral? Embora os detalhes permaneçam incertos, certamente tem a ver com uma batalha constante com a sua galáxia vizinha mais pequena. A galáxia principal é UGC 1810 mas, juntamente com a sua parceira colisional, são conhecidas como Arp 273. A forma geral de UGC 1810 - em particular o seu anel exterior azulado - é provavelmente o resultado de interações gravitacionais selvagens e violentas. A cor azul deste anel é causada por estrelas massivas azuis, quentes e que se formaram apenas nos últimos milhões de anos. A parte mais interna da galáxia parece mais velha, mais vermelha e contornada com poeira filamentar mais fria. No plano da frente são visíveis algumas estrelas brilhantes, sem relação com UGC 1810, e no plano de trás, algumas galáxias de fundo. Arp 273 situa-se a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Andrómeda. Muito provavelmente, UGC 1810 irá devorar a sua companheira galáctica ao longo dos próximos milhares de milhões de anos e assentar numa forma espiral clássica.

OS CIENTISTAS E O CURIOSO CASO DA CINTURA DE KUIPER DEFORMADA


Um "objeto de massa planetária", ainda por descobrir, revela a sua existência "deformando" o plano orbital de distantes objetos da Cintura de Kuiper. O objeto está ilustrado como tendo uma órbita larga, bem para lá de Plutão, nesta impressão de artista.
Crédito: Heather Roper/LPL
De acordo com uma nova investigação das órbitas de planetas menores a ser publicada na revista The Astronomical Journal, um "objeto de massa planetária" desconhecido, ainda por identificar, pode esconder-se nos confins do nosso Sistema Solar. Este objeto será diferente - e também muito mais próximo - do denominado Planeta Nove, um planeta cuja existência ainda aguarda confirmação.
No artigo, Kat Volk e Renu Malhotra do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, apresentam evidências convincentes de um corpo planetário ainda por descobrir com uma massa entre a de Marte e a da Terra. A massa misteriosa, mostram os autores, revela a sua presença - por agora - apenas pelo controlo dos planos orbitais de uma população de rochas espaciais conhecidas como Objetos da Cintura de Kuiper (em inglês "Kuiper Belt Objects", diminutivo KBO), nos subúrbios gelados do Sistema Solar.
Enquanto a maioria dos KBOs - detritos deixados para trás aquando da formação do Sistema Solar - orbitam o Sol com inclinações orbitais que, em média, tendem para o que os cientistas planetários chamam de plano invariável do Sistema Solar, os mais distantes Objetos da Cintura de Kuiper não. O seu plano médio, descobriram Volk e Malhotra, está inclinado para longe do plano invariável cerca de 8 graus. Por outras palavras, algo desconhecido está a deformar o plano orbital médio do Sistema Solar mais exterior.
"A explicação mais provável para os nossos resultados é a existência de uma massa ainda não observada," realça Vok, colega pós-doutorado do laboratório da universidade norte-americana e autor principal do estudo. "Segundo os nossos cálculos, será necessário algo com uma massa parecida à de Marte para explicar a deformação que medimos."
A Cintura de Kuiper situa-se para lá da órbita de Neptuno e estende-se algumas centenas de UA (Unidades Astronómicas; 1 UA é a distância média entre a Terra o Sol, aproximadamente 150 milhões de quilómetros). Tal como o seu parente do Sistema Solar interno, a cintura de asteroides entre Marte e Júpiter, a Cintura de Kuiper alberga um vasto número de planetas menores, principalmente pequenos corpos gelados (os percursores dos cometas) e alguns planetas anões.
Para o estudo, Volk e Malhotra analisaram os ângulos de inclinação dos planos orbitais de mais de 600 objetos da Cintura de Kuiper a fim de determinar a direção comum sobre a qual esses planetas orbitais precessam. O termo "precessão" refere-se à lenta oscilação na orientação de um objeto em rotação.
Os KBOs operam de forma análoga a um pião, explica Malhotra, professora de Ciências Planetárias no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona.
"Imagine que tem muitos piões, e dá a cada um deles um ligeiro empurrão," diz. "Se os fotografar, descobre que os seus eixos de rotação estão em diferentes orientações mas, em média, estão a apontar para o campo gravitacional local da Terra."
"Nós esperamos que o ângulo de inclinação orbital de cada KBO esteja numa orientação diferente mas, em média, estão a apontar perpendicularmente ao plano determinado pelo Sol e pelos planetas grandes."
Se pensássemos do plano orbital médio dos objetos no Sistema Solar exterior como um lençol, este deveria parecer bastante plano após as 50 UA, comenta Volk.
"Mas, das 50 para as 80 UA, descobrimos que o plano médio na verdade se afasta deste plano invariável," explica. "Há uma série de incertezas para a deformação medida, mas não há mais que 1 ou 2% de probabilidade de que esta deformação seja meramente um erro estatístico da limitada amostra observacional de KBOs."
Dito de outra forma: o efeito é muito provavelmente um sinal real em vez de um acidente estatístico. De acordo com os cálculos, um objeto com a massa de Marte, orbitando a aproximadamente 60 UA do Sol, numa órbita inclinada cerca de 8 graus (em relação ao plano médio dos planetas conhecidos) tem influência gravitacional suficiente para deformar o plano orbital dos distantes KBOs até cerca de 10 UA para cada lado.
"Os distantes KBOs observados estão concentrados num anel com mais ou menos de 30 UA de largura e sentiriam a gravidade de um tal objeto de massa planetária ao longo do tempo," explica Volk, "assim que a hipótese de massa planetária, como causa do distúrbio observado, não é irracional para essa distância."
Isto exclui a possibilidade do objeto postulado, neste caso, ser o hipotético Planeta Nove, cuja existência tem sido sugerida com base noutras observações. Esse planeta tem uma massa prevista muito maior (cerca de 10 massas terrestres) e está muito mais distante, entre 500 e 700 UA.
"Está demasiado longe para influenciar estes KBOs," acrescenta Volk. "Tem certamente que estar muito mais perto das 100 UA para afetar substancialmente os KBOs a esta distância."
Dado que um planeta, por definição, tem que ter "limpo" a sua órbita de planetas menores como KBOs, os autores referem-se a esta massa hipotética como um objeto de massa planetária. Os dados também não excluem a possibilidade de que a deformação possa ser resultado da influência de mais do que um objeto de massa planetária.
Então porque é que ainda não o encontrámos? Muito provavelmente, dizem as investigadoras, porque ainda não procurámos todo o céu em busca de objetos distantes do Sistema Solar. O lugar mais provável onde um objeto de massa planetária possa esconder-se é no plano Galáctico, uma área tão densamente populada com estrelas que os estudos do Sistema Solar tendem a evitá-la.
"A probabilidade de não termos encontrado tal objeto, simplesmente devido às limitações dos levantamentos astronómicos, está estimada em aproximadamente 30%," esclarece Volk.
Uma possível alternativa a um objeto por descobrir, que poderá ter "agitado" o plano dos KBOs mais exteriores, é a passagem recente (por padrões astronómicos) de uma estrela pelo Sistema Solar, dizem os autores.
"Uma estrela passageira atrairia todos os 'piões' numa direção," realça Malhotra. "Assim que a estrela completa a sua visita pelo Sol, todos os KBOs voltariam a ter uma precessão parecida à do seu plano anterior. Isto exigiria uma passagem bastante próxima a mais ou menos 100 UA, e a deformação seria apagada em 10 milhões de anos, de modo que não consideramos este cenário como provável."
A oportunidade de a Humanidade vislumbrar este misterioso objeto pode vir em breve, assim que a construção do LSST (Large Synoptic Survey Telescope) seja concluída. Com "primeira luz" prevista para 2020, o instrumento levará a cabo levantamentos sem precedentes e em tempo real do céu, noite após noite.
"Nós esperamos que o LSST eleve o número de KBOs observados, dos atualmente cerca de 2000, para 40.000," diz Malhotra. "Existem muito mais KBOs lá fora - nós é que ainda não os vimos. Alguns estão demasiado distantes e são demasiado ténues até mesmo para o LSST, mas tendo em conta que o telescópio vai cobrir o céu de forma muito mais abrangente do que os levantamentos atuais, deverá ser capaz de detetar este objeto, caso realmente exista."

ESTRELA DA MEGAESTRUTURA ALIENÍGENA VOLTA A PISCAR

Ilustração feita pela Nasa mostra uma estrela atrás de cometas despedaçados, uma explicação possível para o brilho excêntrico da estrela KIC 8462852
Ilustração feita pela Nasa mostra uma estrela atrás de cometas despedaçados, uma explicação possível para o brilho excêntrico da estrela KIC 8462852 (JPL-Caltech/Nasa)
Astrônomos de todo o planeta se mobilizaram em um fim de semana inteiro, após detectarem que a estrela KIC 8462852, responsável pela emissão de uma luz misteriosa, voltou a “piscar”. Os cientistas apontaram seus telescópios para o corpo celeste, localizado a cerca de 1.500 anos-luz de distância (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) da Terra, entre as constelações de Cisne e Lira, na esperança de, pela primeira vez, acompanhar a atividade da estrela em “tempo real” (ou o mais próximo disso, devido à distância da estrela de nosso planeta). Com isso, pretendem obter novas evidências que ajudem a decifrar os padrões incomuns de seu brilho.
Meses depois, cientistas da Nasa, afirmaram que um ‘enxame’ de cometas poderia estar por trás dos padrões incomuns do brilho da estrela: uma família deles estaria viajando em órbitas longas e bastante excêntricas a seu redor, causando estranha luminosidade. A ideia da estrutura construída por extraterrestres, no entanto, não foi descartada.
O maior enigma da Estrela de Tabby, segundo os astrônomos, é a grande diminuição de seu brilho, entre 15% e 25% – o mais comum é que esse número esteja entre 1% e 2%.
Estrela de brilho misterioso
A KIC 8462852, localizada entre as constelações de Cisne (foto) e Lira brilha de maneira aleatória e inexplicável
A KIC 8462852, localizada entre as constelações de Cisne (foto) e Lira brilha de maneira aleatória e inexplicável (Divulgação/Nasa)
Em setembro de 2015, um artigo  no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society descreveu a KIC 8462852, estrela observada pelo telescópio Kepler, o mais competente caçador de planetas fora do Sistema Solar, lançado em 2009. As lentes do poderoso instrumento captam o brilho das estrelas – quando há uma diminuição padronizada da luz emitida por elas, isso significa que algo está passando entre a estrela e o telescópio. Na maior parte das vezes, é um planeta (que costuma ter tamanho intermediário entre a Terra e Netuno). No entanto, a KIC 8462852 emitia um padrão luminoso inédito. Normalmente, quando um planeta passa por uma estrela, seu brilho diminui entre 1% e 2%. Mas, durante os quatro anos de observações do Kepler, a luz de KIC 8462852 diminuiu entre 15% e 25%, e em intervalos aleatórios. Ela tem 1,5 vezes o tamanho do Sol e, para escurecê-la dessa forma, seria necessário um objeto muito grande – bem maior que um planeta.
Após descartarem várias explicações, os cientistas passaram a considerar a hipótese de que o comportamento bizarro da estrela poderia ser consequência de uma incrível estrutura construída por alienígenas para captar a energia da estrela, chamada Esfera de Dyson (por ter sido proposta em 1960 pelo físico britânico Freeman Dyson). Ela seria composta por gigantescos painéis solares que, aos poucos, bloqueariam o brilho do corpo celeste. Em novembro do mesmo ano, o astrônomo Massimo Marengo, da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos, afirmou que o padrão incomum poderia ser causado por cometas gelados que estariam rodeando a estrela e causando a sombra misteriosa – mas a nova explicação não foi suficiente para invalidar a hipótese da megaestrutura.
No fim da última sexta-feira, o Instituto de Astrofísica das Canárias, deu o alerta da atividade da estrela – ela estaria novamente se apagando e teria reduzido seu brilho em 2%. Com as novas observações, os cientistas pretendem recolher mais dados sobre a luz de KIC 8462852, que dariam suporte ou descartariam as hipóteses sobre as explicações de seu brilho.

sábado, 3 de junho de 2017

NOVA COLISÃO EM JÚPITER É REGISTRADA POR ASTRÔNOMO AMADOR

impacto em Júpiter
Se você estivesse observando Júpiter na data e na hora certa, você provavelmente também teria visto...
Júpiter acaba de ser atingido mais uma vez! Na noite de 26 de maio, por volta das 19:25 UTC, o astrônomo amador francês Sauveur Pedranghelu detectou o impacto enquanto observava o planeta com seu telescópio, e pôde registrar a colisão ao vivo, com sua câmera acoplada ao telescópio.
O brilho do impacto foi muito breve, durando apenas cerca de 0,7 segundos, e exibiu dois picos de brilho. O ponto brilhante, apesar de parecer pequeno, tinha o tamanho da lua Europa.
Júpiter foi atingido mais uma vez - maio de 2017 - Sauveur Pedranghelu - Marc Delcroix
Júpiter foi atingido mais uma vez - maio de 2017 - Sauveur Pedranghelu - Marc Delcroix
Imagem mostra o brilho do impacto registrado em 26 de maio de 2017.
Créditos: Sauveur Pedranghelu / Marc Delcroix
Marc Delcroix, que coordena um grupo mundial de observadores de Júpiter, postou em vários grupos sobre a descoberta. Logo em seguida, um segundo registro feito por Thomas Riessler, da Alemanha, mostrou o mesmo fenômeno, confirmando então a observação de Sauveur. A duração estimada da bola de fogo nesse segundo registro foi de 0,8 segundos.
Astrônomos amadores estão agora apontando seus telescópios e câmeras na direção de Júpiter com a esperança de identificar traços escuros, deixados para trás em impactos semelhantes. Quando observado através de filtros de metano de banda estreita, há uma chance de detectá-los.
Júpiter foi atingido mais uma vez - maio de 2017 - Thomas Riessler - Marc Delcroix
Júpiter foi atingido mais uma vez - maio de 2017 - Thomas Riessler - Marc Delcroix
Imagem feita na Alemanha mostra o mesmo brilho em Júpiter registrado na França.
Créditos: Thomas Riessler / Marc Delcroix
Até agora, não foi identificado qualquer vestígio desse impacto, mas talvez, telescópios maiores poderão detectar algo. Observadores de Júpiter estão atentos para novas descobertas, e é claro, para novos impactos.
Ao que tudo indica, esse já é o 5° impacto registrado em Júpiter, e provavelmente, com o aumento no número de observadores do céu noturno, e com a melhora e o barateamento da tecnologia (telescópios e câmeras), o registro dessas colisões tende a ser cada vez mais recorrente.
Em março de 2016, um observador na Áustria registrou um impacto brilhante em Júpiter, chamando a atenção não apenas da comunidade científica, como também de todo o público. O evento foi confirmado posteriormente após novos registros virem à tona.
O primeiro impacto confirmado em Júpiter ocorreu em julho de 1994, quando 21 fragmentos do cometa Shoemaker-Levy colidiram com o planeta, criando uma impressionante série de colisões. Desde então, diversos impactos menores foram registrados no planeta gigante, sugerindo que cometas, asteroides, e fragmentos desses objetos atingem Júpiter com mais frequência do que se esperava.
Existem dois fatores que fazem de Júpiter um ótimo alvo na busca por colisões de asteroides e cometas: sua poderosa gravidade atrai muito mais fragmentos do que qualquer outro planeta no Sistema Solar, e em segundo lugar, além de atraí-los com mais frequência, seu poder gravitacional também faz com que esses objetos ganhem velocidades muitos altas, produzindo impactos mais brilhantes e muito mais potentes. Um objeto ganha cinco vezes mais velocidade ao atingir Júpiter do que se atingisse a Terra, produzindo uma energia de impacto 25 vezes mais potente.
É por essas e por outras que Júpiter ganha novos espectadores a cada dia... afinal de contas, mesmo que não tenhamos a sorte de presenciar uma colisão com o planeta, sua beleza já é suficiente para fazer a noite de observações valer a pena.
Imagens: (capa-Thomas Riessler/divulgação) / Sauveur Pedranghelu / Thomas Riessler / Hubble / Wikimedia Commons / divulgação

sexta-feira, 2 de junho de 2017

COLISÃO ENTRE DUAS ESTRELAS ILUMINARÁ O CÉU EM 2022

colisão de duas estrelas iluminará o céu
Colisões estelares são uma das coisas mais surpreendentes que podemos imaginar. Mas infelizmente, de acordo com as melhores estimativas, tais eventos só acontecem em média 1 vez a cada 10.000 anos, considerando apenas a nossa Galáxia.
Recentemente, graças a melhoria de instrumentos e da tecnologia, os astrônomos conseguiram observar algumas fusões em andamento. Mas até agora, ninguém conseguiu testemunhar o fenômeno em ação desde o início. A parte boa dessa história é que isso está prestes a mudar!
De acordo com estudos feitos por uma equipe de pesquisadores do Calvin College, em Michigan, nos EUA, um sistema binário de estrelas provavelmente irá se fundir e explodir em 2022. Essa é uma descoberta histórica, pois permitirá aos astrônomos observar a fusão estelar e a explosão pela primeira vez na história! E pra tudo ficar ainda mais empolgante, os pesquisadores afirmam que essa explosão será visível a olho nu, daqui da Terra!
Os resultados foram apresentados na 229ª Reunião da Sociedade Astronômica Americana (AAS). Em uma apresentação intitulada "Uma Precisa Previsão de uma Fusão Estelar e Nova Explosão Vermelha", o Professor Lawrence Molnar e sua equipe compartilharam as descobertas que indicam como este sistema binário se fundirá em 2022. Este evento, segundo eles, não será apenas visível a olho nu, como também se tornará o objeto mais brilhante do céu noturno!
Este sistema binário de estrelas, conhecido como KIC 9832227, está sendo monitorado desde 2013 pelo professor Molnar e seus colegas, estudantes de diversas universidades.
ilustração artística do sistema KIC 9832227
Ilustração artística do sistema KIC 9832227
sistema binário de estrelas KIC 9832227, e como ocorre o contato entre suas atmosferas.
Créditos: calvin.edu
No início, não se sabia ao certo se o sistema KIC 9832227 era um pulsar ou um par de estrelas, mas após diversas observações, o professor Molnar e seus colegas concluíram que se tratava mesmo de um par de estrelas do tipo "binário de contato" (uma classe onde as duas estrelas estão próximas o suficiente para compartilhar uma atmosfera).
A mesma situação ocorreu no passado com outro sistema binário chamado V1309 Scorpii, que também tinham atmosfera compartilhada e subitamente, em 2008, as estrelas colidiram e explodiram.
Acreditando que o sistema KIC 9832227 tinha um destino semelhante, os pesquisadores realizaram diversos testes observacionais para entender o comportamento das estrelas. Após medir o período orbital e observá-las através de espectrômetros, concluiu-se que as estrelas estão de fato prestes a explodir numa forte colisão, resultando numa explosão estelar conhecida como "Nova Vermelha". Inicialmente, em 2015, a explosão foi estimada para acontecer entre 2018 e 2020, mas após analisar melhor os dados, os pesquisadores determinaram que a explosão deve acontecer em 2022.
A explosão, como foi dito anteriormente, poderá ser vista a olho nu, e deve se tornar o objeto mais brilhante do céu noturno. Esses sistema binário encontra-se na constelação de Cygnus.
Uma colisão pra recordar
Isso é um achado incrível! Nenhum astrônomo conseguiu prever com tamanha precisão quando e onde uma colisão estelar iria acontecer. Essa é a primeira vez, e tudo foi descoberto por professores e estudantes! "A maioria dos grandes projetos científicos são feitos em grupos enormes com milhares de pessoas e bilhões de dólares. Este projeto é exatamente o oposto. Foi feito usando um telescópio pequeno, com um professor e alguns estudantes que procuravam algo improvável", explica o professor Molnar. "Ninguém jamais previu uma explosão antes. Por que pagar alguém para fazer algo que quase certamente não teria êxito? É uma proposta de alto risco. Mas em Calvin é apenas o meu risco, e eu posso usar o meu trabalho em questões interessantes e abertas para trazer emoção extra para a minha sala de aula. Alguns projetos ainda têm uma vantagem quando você não tem tanto tempo ou dinheiro."
Professor Lawrence Molnar
Ao longo do próximo ano, Molnar e seus colegas estarão monitorando KIC 9832227 cuidadosamente, e em comprimentos de onda múltiplos. Isso será feito com a ajuda dos observatórios Very Large Array (VLA), Infrared Telescope Facility da NASA, em Mauna Kea, e com a sonda XMM-Newton, da ESA. Estes observatórios irão estudar os espectros de rádio da estrela, o infravermelho e as emissões de raios-X, respectivamente
Molnar também espera que os astrônomos amadores sejam capazes de monitorar o sincronismo orbital do par e as variações de brilho. E se Molnar e as previsões de sua equipe estiverem corretas, cada estudante e entusiasta (isso sem mencionar as pessoas que estiverem passeando a noite, olhando para o céu) terá um espetáculo cósmico maravilhoso para observar! Será um evento inesquecível.
Um fato interessante é que essa descoberta histórica também será o tema de um documentário, intitulado "Luminous". Ele será dirigido por Sam Smartt, um professor da Calvin College, e narrará o processo que levou o professor Molnar e sua equipe a realizar essa descoberta sem precedente
O documentário também incluirá as imagens da explosão da Nova Vermelha. Mas como ela só acontecerá em 2022, ele deverá ser lançado em algum momento em 2023.
Imagens: (capa-ilustração/ESO) / calvin.edu /Galeria do Meteorito.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ESTRELA ENTRA EM COLAPSO E SE TRANSFORMA EM BURACO NEGRO

Ilustração mostra os estágios de uma estrela que falha na fase de supernova e se torna um buraco negro
Os astrônomos viram como uma estrela maciça pode se transformar em um buraco negro. Ao combinar dados observacionais dos telescópios Large Binocular Telescope, Hubble e Spitzer, os astrônomos viram, ou melhor, não conseguiram ver a explosão de uma estrela, que era 25 vezes mais maciça que o nosso Sol. Ela deveria ter explodido numa supernova muito brilhante, mas em vez disso, ela produziu o brilho de uma faísca e depois desapareceu, deixando pra trás um buraco negro.
"Fenômenos como esse em uma galáxia próxima poderia explicar por que os astrônomos raramente vêem supernovas de estrelas massivas", disse Christopher Kochanek, professor de astronomia da Universidade de Ohio, e pesquisador de Cosmologia Observacional. Cerca de 30% de estrelas com essa massa podem ter um fim "silencioso", dando origem a um buraco negro, e nenhuma supernova será observada.
"Eu suspeito que seja muito mais fácil criar um buraco negro muito grande quando não há supernova", comenta o co-autor do estudo, Krzysztof Stanek. "A típica visão é que uma estrela pode formar um buraco negro somente depois que ela produzir uma supernova", explicou Kochanek.
estrela se transformando em buraco negro
Ilustração mostra os estágios de uma estrela que falha na fase de supernova e se torna um buraco negro.Créditos: NASA / JPL-Caltech
A ilustração acima mostra os estágios finais da vida de uma estrela supermassiva que não consegue explodir como uma supernova, mas sim implode formando um buraco negro. A estrela condenada N6946-BH1 era 25 vezes mais maciça que o nosso Sol. Ela começou a brilhar mais intensamente em 2009, mas em 2015 parece ter desaparecido como num passe de mágica.
O fenômeno observado ocorreu com a estrela N6946-BH1, localizada na galáxia espiral NGC 6946, a 22 milhões de anos-luz da Terra. Essa galáxia ganhou o apelido de "Fogos de Artifício", por ser um local onde supernovas ocorrem com grande frequência.
Após o Large Binocular Telescope tê-la localizado, a estrela também foi o alvo do telescópio espacial Hubble, porém, ela não estava sendo detectada. Em seguida, o telescópio Spitzer também procurou por algum traço de radiação infravermelha, o que seria um sinal de que a estrela ainda estava presente, mas talvez escondida atrás de alguma nuvem de poeira.
Todos os resultados foram negativos. A estrela simplesmente não estava mais lá. Após um cuidadoso processo de eliminação, os pesquisadores concluíram que a estrela provavelmente havia se tornado um buraco negro.
Isso explica porque vemos um número menor de supernovas do que deveríamos ver, considerando a quantidade de estrelas maciças que estão chegando no fim de suas vidas. Cerca de 30% delas podem simplesmente falhar no momento de supernova, saltando diretamente para o estágio final, tornando-se buracos negros. E levando em conta a quantidade de matéria acumulada (aquela que não foi ejetada para o espaço, já que a supernova não ocorreu), podemos ter uma ideia da grande dimensão desses buracos negros...
Imagens: (capa-ilustração/NASA) / NASA / JPL-Caltech