segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

CURIOSITY ENCONTRA UMA ESTRANHA ROCHA ESPACIAL EM MARTE

estranho meteorito encontrado em Marte
Estranho meteorito encontrado em Marte.Qual seria a origem exata do estranho meteorito encontrado em solo marciano?
A sonda robótica Curiosity, da NASA, "deu de cara" com uma estranha rocha metálica do tamanho de uma maçã. Sua cor cinza praticamente brilhava em meio as rochas alaranjadas do solo marciano. Não havia dúvida de que aquilo era um meteorito.
Para decifrar a origem da estranha rocha, a sonda Curiosity utilizou seu laser para analisar a composição química do objeto, e os testes revelaram que trata-se de uma rocha espacial de ferro e níquel que caiu na superfície do Planeta Vermelho. A NASA deu um apelido carinhoso para o meteorito: "Egg Rock", ou "Rocha de Ovo" em português.
Meteorito encontrado em Marte pela sonda Curiosity
Meteorito encontrado em Marte pela sonda Curiosity.Close-up do meteorito encontrado em Marte pela sonda Cuirosity em 30 de outubro de 2016.Créditos: NASA / JPL / LANL / CNES / IRAP / LPGNantes / CNRS / IAS / MSSS
Meteoritos como esse já foram descobertos diversas vezes, tanto na Terra quanto em Marte, mas essa é a primeira vez que a sonda Curiosity utilizou seu espectrômetro a laser, chamado "ChemCam", para analisar a origem de um meteorito.
Um laser com 'poderes especiais'
O instrumento ChemCam funciona ao emitir pulsos de laser na direção do objeto de interesse. Quando o objeto é atingido pelo laser, os elétrons ao redor dos átomos são estimulados, e emitem luz em vários níveis de onda, ou de cores, dependendo de seus elementos. Ao analisar a luz emitida pelos objetos, a sonda Curiosity consegue determinar precisamente de quais elementos o objeto é composto.
Essa estranha rocha espacial é feita de ferro, níquel e fósforo, além de alguns outros elementos traços, o que fez os cientistas terem a certeza de que trata-se realmente de um meteorito (origem espacial). Meteoritos com essa composição têm origem no núcleo derretido de asteroides.
Meteorito encontrado em Marte em 2014, pela sonda Curiosity - o meteorito tem 2 metros e foi nomeado LEBANON
Meteorito encontrado em 2014 pela sonda Curiosity, junto a um outro fragmento menor ao seu lado.A rocha principal tem cerca de 2 metros, e foi nomeada Lebanon.
Créditos: NASA / JPL / MSSS
"Meteoritos de ferro nos provam que muitos asteroides se fragmentaram, e pedaços de seu núcleo vieram parar na Terra e em Marte", disse Horton Newsom, membro da equipe responsável pelo instrumento ChemCam.
Os cientistas responsáveis pela missão Curiosity (que já custou mais de 2,5 bilhões de dólares) notaram o meteorito no dia 30 de outubro de 2016, ao analisar fotos feitas pela câmera MastCam, acoplada a sonda. "O aspecto escuro e liso dessa rocha quase esférica atraiu a atenção dos cientistas", disse Pierre-Yves Meslin, membro da equipe do ChemCam.
O rover Curiosity se deparou com o meteorito em uma área chamada Formações de Murray, nas regiões baixas do Monte Sharp. A sonda continuará explorando a mesma área como parte de uma missão estendida, para compreender como o ambiente marciano mudou ao longo do tempo, e descobrir de uma vez por todas se de fato o Planeta Vermelho já abrigou vida no passado.

domingo, 11 de dezembro de 2016

NOVA OBSERVAÇÃO DE JÚPITER AGORA EM 4K ULTRA HD

Júpiter em 4K Ultra HD
Júpiter em 4K Ultra HD. Cada vez que olhamos para Júpiter, temos sugestões tentadoras de que algo realmente emocionante está acontecendo' - Amy Simon, cientista planetário da NASA
O vídeo não é novo, mas vale a pena conferir essas imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, em 2015.
A NASA está usando os dados desse e de outros vídeos como parte do programa Outer Planet Atmospheres Legacy, a fim de manter um histórico sobre a forma como os gigantes gasosos do nosso Sistema Solar sofrem mudanças ao longo do tempo. Os cientistas já estão criando mapas parecidos para Urano e Netuno, e mais tarde, também será criado um para Saturno.
"Cada vez que olhamos para Júpiter, temos sugestões tentadoras de que algo realmente emocionante está acontecendo", disse Amy Simon, cientista planetário da NASA Goddard Space Flight Center.
O vídeo foi feito em 4K Ultra HD, e sua qualidade é tão alta que é impossível detectar todos os detalhes sutis em um monitor ou em uma tela de alta-definição comum.
O vídeo foi criado a partir de mapas, que revelam informações importantes sobre o planeta, sua Grande Mancha Vermelha (uma tempestade gigante que já dura muitos anos), e também de outros fenômenos atmosféricos
Os cientistas sabem há algum tempo que a Grande Mancha Vermelha está diminuindo, mas parece que ela está ficando cada vez menor em uma taxa mais rápida do que a usual. No entanto, essa taxa ainda é consistente com a tendência a longo prazo, segundo a NASA. Desde que foi medida em 2014, a grande tempestade de Júpiter está cerca de 250 km menor.
Grande Mancha Vermelha de Júpiter - vórtice - animação
Grande Mancha Vermelha de Júpiter - vórtice.
Animação mostra movimentação da Grande Mancha Vermelha de Júpiter e de sua atmosfera.
Créditos: NASA / Hubble Space Telescope
A NASA também informou que o núcleo da tempestade está mais mal definido do que antes, e os cientistas descobriram "um filamento fino e incomum", que gira em torno do vórtice.
ondas atmosférica em Júpiter
Ondas atmosféricas de Júpiter em cores falsas.
Créditos: NASA / ESA / GODDARD / UCBerkeley / JPL-Caltech / STSCI
As fotos do Hubble mostram também uma espécie de onda na atmosfera de Júpiter, que não havia sido vista há décadas, desde que a sonda Voyager 2 registrou suas imagens. A onda se assemelha aquelas que aparecem em nossa atmosfera quando se formam os ciclones.
Grande Mancha Vermelha de Júpiter - revelado o segredo mais quente dos últimos tempos!
Júpiter foi atingido por um grande objeto - veja o vídeo!
"Até agora, nós pensávamos que a onda vista pela Voyager 2 poderia ter sido um golpe de sorte", disse Glenn Orton, co-autor do estudo, do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA. "Mas como se vê, é apenas raro!"

sábado, 10 de dezembro de 2016

ESTUDO DIZ; QUE MATÉRIA ESCURA PODE SER MAIS UNIFORME DO QUE SE ESPERAVA


Estudo detalhado de uma grande área do céu feito com base em dados do VST revela resultado intrigante
A análise de um enorme levantamento de galáxias, obtido pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST) no Chile, sugere que a matéria escura pode ser menos densa e estar distribuída de forma mais uniforme no espaço do que o que se pensava anteriormente. Uma equipe internacional de astrônomos utilizou dados do Rastreio KiDS (Kilo Degree Survey) para estudar como é que a radiação emitida por cerca de 15 milhões de galáxias distantes é afetada pela influência gravitacional da matéria das estruturas com maiores escalas do Universo. Os resultados do estudo parecem estar em desacordo com resultados anteriores obtidos com o satélite Planck.
Hendrik Hildebrandt do Argelander-Institut für Astronomie em Bona, Alemanha, e Massimo Viola do Observatório de Leiden, Holanda, lideraram uma equipe de astrônomos de instituições de vários países, que processou as imagens obtidas no rastreio KiDS (Kilo Degree Survey), feito com o Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST), instalado no Chile. Para a análise foram utilizadas imagens do rastreio que cobriam cinco regiões no céu, numa área total de cerca de 2200 vezes o tamanho da Lua Cheia e contendo cerca de 15 milhões de galáxias.
Tirando partido da qualidade de imagem excepcional de que o VST usufrui no Paranal e usando software de computador inovador, a equipe conseguiu levar a cabo as medições mais precisas de sempre de um efeito conhecido por cisalhamento cósmico. Trata-se de uma variante sutil do efeito de lente gravitacional fraco, no qual a radiação emitida por galáxias distantes se encontra ligeiramente distorcida pelo efeito gravitacional de enormes quantidades de matéria, como por exemplo aglomerados de galáxias.
No efeito de cisalhamento cósmico esta matéria não se encontra sob a forma de aglomerados de galáxias mas sim de estruturas de larga escala do Universo que distorcem a radiação, dando origem a um efeito ainda mais reduzido. Rastreios muito grandes e profundos, tais como o KiDS, são necessários de modo a garantir que o sinal muito fraco do cisalhamento é captado com intensidade suficiente para poder ser medido e utilizado pelos astrônomos para mapear a distribuição da matéria. Este estudo fez uso da maior área total do céu mapeada até à data com esta técnica.
Intrigantemente, os resultados da análise parecem ser inconsistentes com deduções obtidas a partir de resultados do satélite Planck da Agência Espacial Europeia, a principal missão espacial que investiga as propriedades fundamentais do Universo. Particularmente, a medição da equipe KiDS relativa a quão “grumosa” é a matéria que se encontra distribuída no Universo — um parâmetro cosmológico fundamental  é significativamente mais baixa do que o valor derivado dos dados Planck.
Massimo Viola explica: “Este resultado indica que a matéria escura na rede cósmica, a qual corresponde a cerca de um quarto do conteúdo do Universo, é menos grumosa do que o que se pensava anteriormente.”
A matéria escura é muito difícil de detectar, inferindo-se apenas a sua presença pelo efeito gravitacional que exerce sobre outra matéria no Universo. Estudos como este são atualmente a melhor maneira de determinar a forma, a escala e a distribuição desta matéria invisível.
O resultado surpreendente deste estudo tem igualmente implicações na compreensão mais ampla do Universo e em como é que este evoluiu durante os quase 14 bilhões de anos da sua história. Um tal desacordo aparente com os resultados anteriormente estabelecidos pelo Planck significa que os astrônomos terão agora que reformular o seu conhecimento de alguns dos aspectos fundamentais do desenvolvimento do Universo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

POR QUE TÃO AZUL?

Por que tão azul?Apesar da cor azul ter muitas associações na vida cotidiana como, por exemplo, frio, tristeza, serenidade, a verdade é que para os astrônomos esta cor tem um significado muito diferente, como é demonstrado por esta galáxia espiral vista de perfil, Messier 98.
Messier 98, também conhecida por NGC 4192, situa-se aproximadamente a 50 milhões de anos-luz de distância na constelação de Coma Berenices. Nesta bela imagem obtida pelo New Technology Telescope (NTT) do ESO, a periferia da galáxia, cheia de gás e poeira, encontra-se pontilhada de bolsas de luz azulada. Estas regiões estão repletas de estrelas muito jovens, tão quentes que resplandecem num tom azul brilhante. Estas estrelas jovens têm temperaturas tão elevadas que emitem intensa radiação, queimando parte do material denso que as rodeia. Acredita-se que, no total, Messier 98 contenha cerca de um trilhão de estrelas!
O NTT é um telescópio de 3,58 metros instalado no Observatório de La Silla, pioneiro no uso da ótica ativa e o primeiro telescópio do mundo a ter o espelho primário controlado por computador.
Crédito: ESO

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

SISTEMA BINÁRIO COMPACTO É OBSERVADO PELO CHANDRA

Amigo pequeno do Cyg X-3
Cygnus X-3 é um binário de raios-X, onde uma fonte compacta está puxando o material longe de uma estrela companheira massiva.
De alta resolução, visão de raio-X do Chandra revelou uma nuvem de gás e poeira que é uma separados por uma pequena distância de Cygnus X-3.
Esta nuvem de gás, apelidado de "Little Friend," é um glóbulo Bok, o primeiro detectado em raios-X e um dos mais distante já descoberto.
Astrônomos detectaram jatos produzidos pelo "amigo pequeno", mostrando que uma estrela está se formando dentro dela.
Um instantâneo do ciclo de vida das estrelas foi capturado em um berçário estelar está refletindo os raios X de uma fonte alimentado por um objeto no ponto final de sua evolução. Esta descoberta, descrita na nossa mais recente comunicado de imprensa , fornece uma nova maneira de estudar como as estrelas se formam.
Esta imagem composta mostra raios-X de NASA Observatório de Raios-X Chandra (branco) e dados de rádio de Submillimeter Array do Smithsonian (vermelho e azul). Os dados de raios-X revelam uma fonte de raios-X brilhantes para a direita conhecido como Cygnus X-3, um sistema contendo quer um buraco negro ou estrela de nêutrons (aka uma fonte compacta) deixados para trás após a morte de uma estrela maciça. Dentro dessa fonte luminosa, o objeto compacto está puxando o material longe de uma estrela companheira massiva. Os astrônomos chamam tais sistemas " binários de raios-X ."
Em 2003, os astrônomos apresentaram resultados usando a visão de alta resolução do Chandra em raios-X para identificar uma misteriosa fonte de emissão de raios-X localizado muito perto do Cygnus X-3 no céu (menor objeto branco na parte superior esquerda). A separação destas duas fontes é equivalente à largura de uma moeda cerca de 800 pés de distância. Uma década depois, os astrônomos relatou a nova fonte é uma nuvem de gás e poeira. Em termos astronômicos, esta nuvem é bastante pequeno - cerca de 0,7 anos-luz de diâmetro.
Os astrônomos perceberam que esta nuvem vizinha estava agindo como um espelho, refletindo alguns dos raios-X gerados por Cygnus X-3 em direção à Terra. Eles apelidaram esse objeto o " amigo pequeno ", devido à sua proximidade com Cygnus X-3 no céu e porque também demonstrou a mesma variabilidade 4,8 horas em raios-X observados no binário de raios-X.
Para determinar a natureza do amigo pequeno, era necessário obter mais informações. Os pesquisadores utilizaram o Submillimeter Array (SMA), uma série de oito pratos de rádio no topo do Mauna Kea, no Havaí, para descobrir a presença de moléculas de monóxido de carbono. Esta é uma pista importante que ajudou a confirmar as sugestões anteriores de que o amigo pequeno é um Glóbulo de Bok, pequenas densas nuvens,, muito frio onde as estrelas podem se formar. Os dados de SMA também revelam a presença de um jato ou saída dentro do amigo pequeno, uma indicação de que uma estrela começou a se formar no interior. A parte azul mostra um jato movendo em nossa direção e a parte vermelha mostra um jato se afastando de nós.
Estes resultados foram publicados na revista Astrophysical Journal Letters, eo documento também está disponível online. da NASA Marshall Space Flight Center, em Huntsville, Alabama, gerencia o programa Chandra para a Diretoria de Missões Científicas da NASA em Washington. O Observatório Astrofísico Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts, controla as operações científicas e de voo de Chandra.
Fatos para o amigo pequeno do Cyg X-3:
Crédito Raio-X: NASA / CXC / SAO / M.McCollough et al, Radio: Asiaâ / SAO / SMA
Data de lançamento      21 de novembro de 2016
Escala                      Imagem é de 1,4 arcmin todo (cerca de 8,15 anos-luz)
Categoria                      Estrelas normais e conjuntos de estrela , Binários / raios-X Neutron Estrelas
Coordenadas (J2000)      RA 25.50s 20h 32m | Dez + 40 ° 57 '27.70 "
constelação             Cygnus
Data de Observação     26 de janeiro de 2006
Tempo de observação     13 horas 46 min
Obs. identidade 6601
Instrumento             ACIS
Referências            McCollough, M. et al, 2016, ApJL, 830, L36; arXiv: 1.610,01923
Código de cores    raios-X (roxo); Radio (azul, vermelho)   RádioRaio X
Distância Estimate    Cerca de 20.000 anos-luz

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

BURACO NEGRO SUPERMASSIVO SE DESPRENDE DE SUA GALÁXIA E VIAJA LIVREMENTE PELO ESPAÇO

buraco negro supermassivo viaja pelo espaço intergalático
Qual será o futuro de um buraco negro supermassivo que viaja pelo espaço intergalático?
A maioria das galáxias tem um buraco negro super massivo em seu centro. À medida que as galáxias colidem e se fundem, os buracos negros se fundem também, criando buracos negros super-massivos ainda maiores.
Sabendo disso, uma equipe de astrônomos estava fazendo observações de buracos negros que habitam os centros galáticos. Com o  auxílio dos observatórios NSF e VLBA, eles observaram mais de 1.200 galáxias, mas um aglomerado de galáxias, localizado a mais de 2 bilhões de anos-luz acabou chamando a atenção de todos, pois não havia um buraco negro: ela tinha não um buraco negro, mas sim um buraco vazio no centro. Eles ficaram ainda mais surpresos ao perceber que o buraco negro desse aglomerado estava do lado de fora, viajando quase que livremente pelo espaço intergalático.
Designado B3 1715 + 425, o buraco negro supermassivo foi observado pelos telescópios Hubble e Spitzer, e o que eles descobriram foi algo bastante incomum.
"Nós nunca vimos algo parecido antes." - James Condon- um buraco negro supermassivo se desprender de sua galáxia
buraco negro supermassivo se desprende de sua galáxia
Ilustração artística mostra (da esquerda para a direita) o momento antes da interação gravitacional com o outro buraco negro supermassivo; depois mostra na imagem central o momento em que suas estrelas estão sendo lançadas para bem longe, e por último, quando ele já está viajando sozinho com poucas estrelas ao seu redor.Créditos: Bill Saxton / NRAO / AUI / NSF
O buraco negro super-massivo em questão, que chamaremos apenas de B3, é muito mais brilhante do que qualquer objeto próximo, e também está mais distante do que a maioria dos buracos negros observados. Mas um buraco negro tão massivo e tão brilhante como esse, deveria estar situado no coração de uma grande galáxia. Porém, B3 tem apenas um remanescente de estrelas ao seu redor. Ele está praticamente sozinho...
"Estávamos a procura de pares de buracos negros supermassivos com evidências de uma fusão de galáxias", disse James Condon, do Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO). "Em vez disso, encontramos este buraco negro fugindo da galáxia maior e deixando um rastro de detritos para trás."
Condon e sua equipe concluíram que B3 era uma vez um buraco negro supermassivo que habitava o centro de uma galáxia. B3 colidiu com outra galáxia maior, que por sua vez, tinha um buraco negro ainda mais massivo. Durante essa colisão, B3 teve a maior parte de suas estrelas ejetadas pela interação do outro buraco negro, exceto aquelas que estavam muito próximas dele. Atualmente, esse buraco negro "perdido" está se afastando ainda mais, a uma velocidade de aproximadamente 2.000 quilômetros por segundo.
B3 (e o que resta de suas estrelas) continuará a se mover pelo espaço, escapando do encontro com a outra galáxia, mas provavelmente não sairá das proximidades do aglomerado de galáxias em que está.
De acordo com James Condon, B3 não terá estrelas e gás suficientes para desencadear o nascimento de novas estrelas, e também não será capaz de atrair novas estrelas. Com isso, as poucas estrelas que sobraram continuarão a jornada ao redor do buraco negro supermassivo, crescendo gradualmente com o passar do tempo.
O futuro de B3 também é obscuro, afinal, com pouco material ao seu redor, seu horizonte de eventos será um lugar calmo, o que o tornará praticamente invisível, e apenas seu efeito gravitacional poderá revelar sua posição.
Mas se o buraco negro supermassivo B3 se separou de sua galáxia, e se tornará invisível no futuro, será que isso já aconteceu antes? Será que poderíamos estar rodeados de buracos negros fujões e invisíveis? Sim, provavelmente isso já aconteceu antes, e devem existir diversos buracos negros com histórias parecidas, mas até o momento, os cientistas não podem afirmar nada a respeito, afinal, novas observações são necessárias, pois só assim, entenderemos se existem de fato casos parecidos, e com qual frequência eles ocorrem.
Imagens: (capa-ilustração/NRAO) / Bill Saxton / NRAO / AUI / NSF

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PRIMEIROS SINAIS DE ESTRANHA PROPRIEDADE QUÂNTICA NO ESPAÇO VAZIO


Observações do VLT de uma estrela de nêutrons podem confirmar uma previsão de 80 anos sobre o vácuo.
Ao estudar com o Very Large Telescope do ESO, a radiação emitida por uma estrela de nêutrons muito densa e fortemente magnetizada,os astrônomos descobriram os primeiros indícios observacionais de um estranho efeito quântico, previsto inicialmente nos anos de 1930.
A polarização da radiação observada sugere que o espaço vazio em torno da estrela de nêutrons está sujeito a um efeito quântico conhecido por birrefringência do vácuo.
Uma equipe liderada por Roberto Mignani do INAF de Milão, Itália, e da Universidade de Zielona Gora, Polônia, utilizou o Very Large Telescope do ESO (VLT), instalado no Observatório do Paranal no Chile, para observar a estrela de nêutrons RX J1856.5-3754, situada a cerca de 400 anos-luz de distância da Terra.
Apesar de ser uma das estrelas de nêutrons mais próximas de nós, a luminosidade muito baixa deste objeto faz com que os astrônomos apenas a possam observar no visível com o instrumento FORS2 montado no VLT, nos limites da atual tecnologia dos telescópios.
Wide field view of the sky around the very faint neutron star RX J1856.5-3754
As estrelas de nêutrons são restos de núcleos muito densos de estrelas massivas de pelo menos 10 vezes mais massivas que o nosso Sol, que explodiram sob a forma de supernovas no final das suas vidas. Possuem também campos magnéticos intensos, bilhões de vezes mais fortes que o do nosso Sol, que permeiam as suas superfícies exteriores e seus arredores.
Estes campos magnéticos são tão fortes que afetam inclusive propriedades do espaço vazio ao redor da estrela. Normalmente, o vácuo sugere-nos um espaço completamente vazio, onde a radiação viaja sem ser modificada. No entanto, em eletrodinâmica quântica  a teoria do vácuo que descreve a interação entre fótons de luz e partículas carregadas, tais como elétrons  o espaço encontra-se repleto de partículas virtuais que aparecem e desaparecem a todo o momento. Campos magnéticos muito intensos podem modificar este espaço, de tal maneira que este afeta a polarização da radiação que passa através dele.
Mignani explica: “De acordo com a eletrodinâmica quântica, um vácuo altamente magnetizado comporta-se como um prisma no que diz respeito à propagação da radiação, um efeito conhecido por birrefringência do vácuo.”
Entre as muitas previsões da eletrodinâmica quântica, a birrefringência do vácuo não teve ainda uma demonstração experimental. Tentativas de detectar este efeito em laboratório não deram qualquer resultado nos 80 anos que passaram desde a publicação do artigo científico de Werner Heisenberg (famoso pelo princípio de incerteza) e Hans Heinrich Euler.
“Este efeito pode ser apenas detectado na presença de campos magnéticos extremamente fortes, tais como os existentes em torno de estrelas de nêutrons, o que mostra, uma vez mais, como as estrelas de nêutrons são laboratórios valiosos para o estudo das leis fundamentais da natureza,” diz Roberto Turolla (Universidade de Pádua, Itália).
Após análise cuidada dos dados VLT, Mignani e a sua equipe detectaram polarização linear — com um grau significativo de cerca de 16% — que pensam ser provavelmente devida ao efeito de birrefringência do vácuo ocorrendo no espaço vazio que rodeia RX J1856.5-3754.
Vincenzo Testa (INAF, Roma, Itália) comenta: “Até hoje, este é o objeto mais fraco para o qual foi medido um valor de polarização. Foi necessário utilizar um dos maiores e mais eficientes telescópios do mundo, o VLT, e técnicas de análise de dados precisas para aumentar o sinal emitido por uma estrela tão fraca.”
“A alta polarização linear que medimos com o VLT não pode ser explicada facilmente pelos nossos modelos, a menos que incluamos o efeito de birrefringência do vácuo previsto pela eletrodinâmica quântica,” acrescenta Mignani.
“Este estudo do VLT é o primeiro resultado observacional que vai de encontro às previsões deste tipo de efeitos da eletrodinâmica quântica, originados por campos magnéticos extremamente fortes,” diz Silvia Zane (UCL/MSSL, Reino Unido).
Mignani está entusiasmado com os avanços, nesta área de estudo, que poderão vir de observações feitas com telescópios mais avançados: “Medições de polarização com a nova geração de telescópios, tais como o European Extremely Large Telescope do ESO, podem desempenhar um papel crucial em testes de previsões da eletrodinâmica quântica de efeitos de birrefringência do vácuo em torno de muitas mais estrelas de nêutrons.“Estas medições, feitas agora pela primeira vez no visível, abrem também o caminho a medições semelhantes serem feitas em raios X,” acrescenta Kinwah Wu (UCL/MSSL, Reino Unido).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

MISTÉRIO DE UMA MUDANÇA RARA NO COMPORTAMENTO DE UM BURACO NEGRO

A galáxia Markarian activa 1018
 Parece que o buraco negro tem caído em tempos difíceis e não está mais sendo alimentados com combustível suficiente para fazer seus arredores brilhar.
O mistério de uma rara mudança no comportamento de um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia distante foi resolvido por uma equipe internacional de astrônomos utilizando o Very Large Telescope do ESO, juntamente com o telescópio espacial da NASA / ESA Hubble e de raios-X Chandra da NASA Observatório.
Muitas galáxias são encontrados para ter um núcleo extremamente brilhante alimentado por um buraco negro supermassivo. Estes núcleos fazem "galáxias ativas" alguns dos objetos mais brilhantes do Universo. Eles são pensados para brilhar tão intensamente porque o material quente é brilhante ferozmente à medida que cai no buraco negro, um processo conhecido como acreção. Esta luz brilhante pode variar muito entre as diferentes galáxias ativas, por isso os astrónomos classificá-los em vários tipos com base nas propriedades da luz que emitem.
Algumas destas galáxias foram observados para mudar dramaticamente ao longo de apenas 10 anos; um piscar de olhos em termos astronômicos. No entanto, a galáxia ativa neste novo estudo, Markarian 1018 destaca-se por ter mudado digitar uma segunda vez, voltando à sua classificação inicial dentro dos últimos cinco anos. Um punhado de galáxias foram observadas para fazer essa alteração de ciclo completo, mas nunca antes um foi estudada em tantos detalhes.
A descoberta da natureza inconstante da Markarian 1018 foi uma oportunidade subproduto do Fim do inquérito de referência AGN (CARS) , um projecto de colaboração entre o ESO e outras organizações para reunir informações sobre 40 galáxias próximas com núcleos ativos. Observações de rotina de Markarian 1018 com a Multi-Unit Spectroscopic Explorer (MUSE) instalado no do ESO Very Large Telescope revelou a mudança surpreendente na saída de luz da galáxia.

" Ficamos impressionados de ver uma mudança tão rara e dramática em Markarian 1018 ", disse Rebecca McElroy, autor principal do artigo descoberta e um estudante de PhD na Universidade de Sydney e do centro do ARCO de excelência para Todos Sky Astrofísica (CAASTRO) .
A observação casual da galáxia tão pouco tempo depois ele começou a desaparecer foi uma oportunidade inesperada para aprender o que faz com que essas galáxias carrapato, como Bernd Husemann, CARS líder do projeto e principal autor de um dos dois artigos associados com a descoberta, explicou: " Estávamos sorte que detectou o evento apenas 3-4 anos após o declínio começou para que pudéssemos iniciar campanhas de monitoramento para estudar detalhes da física de acreção de galáxias ativas que não podem ser estudados forma.de "
A equipe de pesquisa fez o máximo partido desta oportunidade, tornando-se sua primeira prioridade para identificar o processo fazendo com que o brilho Markarian 1018 do que mudar para descontroladamente. Isto poderia ter sido causada por qualquer um de uma série de eventos astrofísicos, mas eles poderiam descartar o buraco negro puxando em e consumir uma única estrela e lançou dúvidas sobre a possibilidade de ocultação, intervindo gás. Mas o verdadeiro mecanismo responsável pela variação surpreendente de Markarian 1018 permaneceu um mistério após a primeira rodada de observações.
No entanto, a equipe foi capaz de reunir dados extra depois foram atribuídas tempo observando a usar o telescópio de NASA / ESA Hubble e Chandra X-ray Observatory da NASA . Com os novos dados a partir deste conjunto de instrumentos que foram capazes de resolver o mistério - o buraco negro foi enfraquecendo lentamente porque ele estava sendo carente de material de acreção.
" É possível que esta fome é porque o fluxo de combustível está sendo interrompido ", disse Rebecca McElroy. " Uma possibilidade intrigante é que isto pode ser devido a interações com um segundo buraco negro supermassivo ". Tal sistema binário um buraco negro é uma possibilidade distinta em Markarian 1018, como a galáxia é o produto de uma grande fusão de duas galáxias - cada um dos quais provavelmente continha um buraco negro supermassivo em seu centro.
A investigação continua sobre os mecanismos de trabalho em galáxias ativas como Markarian 1018 que mudar sua aparência. "A equipe tinha que trabalhar rápido para determinar o que estava causando o retorno Markarian 1018 do que as sombras", comenta Bernd Husemann. " Campanhas de monitorização em curso com os telescópios do ESO e outras instalações nos permitirá explorar o excitante mundo da fome buracos negros e mudando galáxias ativas em mais detalhes. "

domingo, 4 de dezembro de 2016

SOMBRA DE EXOPLANETA É OBSERVADA DAQUI DA TERRA

sombra de exoplaneta vista da Terra - K2-3d Ele completa uma órbita em torno de sua estrela a cada 45 dias, e encontra-se dentro da zona-habitável
Um planeta potencialmente semelhante à Terra está orbitando uma estrela brilhante a 150 anos-luz de distância, lançando uma sombra que pode ser vista bem de longe, inclusive daqui da Terra.
O exoplaneta K2-3d, também conhecido como EPIC 201367065 d, foi originalmente visto durante um trânsito na frente de sua estrela pelo telescópio espacial Kepler, da NASA, durante a missão K2. Os pesquisadores posteriormente usaram o telescópio de 188 centímetros do Observatório Astrofísico de Okayama para confirmar a detecção e aperfeiçoar a compreensão da órbita do exoplaneta até uma precisão de 18 segundos, de acordo com uma nova pesquisa.
Através de muitas observações e cálculos matemáticos, os pesquisadores previram que o exoplaneta cruzará sua estrela em 2018, quando o Telescópio Espacial James Webb já deverá estar no espaço, e provavelmente será capaz de observar cuidadosamente a atmosfera do planeta para possíveis sinais de vida ou habitabilidade.

Ilustração artística do futuro telescópio espacial James Webb.Créditos: JWST / STSci    
K2-3d tem cerca de 1,5 vezes o tamanho da Terra, e a cada 45 dias completa uma orbita ao redor de uma estrela (chamada K2-3) que tem a metade do tamanho do nosso Sol. O exoplaneta encontra-se muito próximo de sua estrela-mãe, a apenas 1/5 da distância entre a Terra e o Sol, mas como essa estrela é mais fria do que a nossa, o exoplaneta deve experimentar temperaturas semelhantes as da Terra, e pode até mesmo suportar água líquida em sua superfície, segundo um comunicado oficial do Observatório Astronômico Nacional de Pesquisadores Japoneses. Essa região em que um planeta orbita sua estrela na distância certa para que exista água líquida em sua superfície é chamada de "zona habitável".
A estrela K2-3 é uma anã vermelha, e encontra-se na constelação de Leão. O planeta K2-3d tem uma densidade muito maior que a do ferro, o que indica que ele tenha uma superfície sólida como a de um planeta terrestre.

Exoplaneta K2-3d - potencialmente habitável Créditos: NAOJ
Kepler descobriu o exoplaneta ao detectar um leve escurecimento da estrela enquanto o planeta passava na frente dela, na perspectiva do telescópio. Esse processo de descoberta é chamado de "trânsito planetário". Como a missão K2 do Kepler examina a mesma região do céu por apenas cerca de 80 dias, os pesquisadores puderam observar K2-3d cruzando a estrela apenas duas vezes. Mas como o exoplaneta está relativamente mais próximo da Terra do que muitos outros, e tem uma estrela-mãe mais brilhante do que a maioria dos outros exoplanetas potencialmente habitáveis, então os pesquisadores decidiram que K2-3d merecia uma segunda análise. Foi aí que o Telescópio Espacial Spitzer da NASA observou mais dois trânsitos, permitindo que os pesquisadores entendessem ainda mais sobre a órbita do planeta.
Apesar de sua proximidade com a Terra, K2-3d é muito pequeno, e a sombra projetada em sua estrela representa uma mudança de brilho de apenas 0,07%. Isso está perto do limite do que os telescópios terrestres conseguem detectar, mas o instrumento MuSCAT de Okayama pôde coletar a luz de três comprimentos de onda diferentes, e assim, detectar essa cintilação, esclarecendo a órbita em apenas 18 segundos.
Cada trânsito apresenta uma chance de aprender mais sobre o exoplaneta K2-3d, e este trabalho permite aos pesquisadores prever quando esses trânsitos ocorrerão. Os futuros telescópios de grande escala, como o James Webb, serão capazes de analisar a luz das estrelas brilhando através da atmosfera do planeta durante um trânsito. Com isso, será possível detectar moléculas como oxigênio, o que pode indicar a potencial existência de vida.. pelo menos, da vida como conhecemos...
Imagens: (capa-ilustração/NAOJ/divulgação) / NAOJ / JWST / STSci

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

COMPARAÇÃO DE IMAGENS DA NEBULOSA TRÍFIDA NO VISÍVEL E NO INFRAVERMELHO

VISTA views the Trifid and reveals hidden variable stars

Com esta composição de imagens pode comparar a nova imagem da Nebulosa Trífida no infravermelho do rastreio VVV do VISTA (à esquerda), com a mais familiar imagem no visível obtida através de um pequeno telescópio (à direita). As nuvens brilhantes de gás e poeira são bem menos proeminentes no infravermelho, o que faz com que se observem muito mais estrelas por detrás da nebulosa, incluindo duas estrelas variáveis Cefeidas recentemente descobertas.


Crédito ESO