sexta-feira, 26 de agosto de 2016

NEBULOSA DE ORION REVELA QUANTIDADE INCRÍVEL DE ANÃS MARRONS E PLANETAS PEQUENOS

Nebulosa de Orion - infravermelho

A famosa Nebulosa de Orion nos surpreende com uma infinidade de pequenos planetas que não conhecíamos.. até agora!
Utilizando o instrumento HAWK-I do ESO, no Very Large Telescope (VLT) no Chile, os astrônomos conseguiram ter uma visão incrivelmente profunda da Nebulosa de Orion. A imagem espetacular revela cerca de dez vezes mais anãs marrons e objetos com massa-planetária isolados do que se conhecia. Esta descoberta desafia o cenário amplamente aceito da formação estelar da Nebulosa de Orion.
Além da imagem nos surpreender com tanta beleza, ela nos revela uma grande abundância de anãs marrons e de objetos de massa-planetária isolados, o que nos fornece uma visão emocionante sobre a história da formação de estrelas dentro da nebulosa.
A famosa Nebulosa de Orion abrange cerca de 24 anos-luz, na constelação de Orion, e é visível da Terra a olho nu como uma nuvem brilhante e difusa. Ao observá-la com um telescópio, temos uma visão mais privilegiada dessa magnífica nuvem molecular. Além disso, essa e outras nebulosas são fortemente iluminadas pela radiação ultra-violeta de estrelas quentes, nascidas dentro da nebulosa, de tal forma que o gás é ionizado e brilha intensamente.
visão mais profunda da nebulosa de orion
Visão profunda da Nebulosa de Orion no infravermelho.
Créditos: ESO / H. Drass et al.
"Entender como muitos objetos de baixa massa são encontrados na nebulosa de Orion é muito importante para restringir teorias atuais de formação de estrelas", disse Amelia Bayo, co-autora do estudo, da Universidade de Valparaíso, no Chile, e do Instituto Max-Planck. "Agora percebemos que a forma como esses objetos se formam depende de seu ambiente."
Esta nova imagem causou emoção porque revela uma riqueza inesperada de objetos de massa muito baixa, o que sugere que a Nebulosa de Orion pode estar formando muito mais objetos de baixa massa do que as regiões mais estreitas e menos ativas de formação de estrelas.
Antes desta pesquisa, a maior parte de objetos encontrados tinham cerca de um quarto da massa do nosso Sol. Agora, após essas observações, os astrônomos descobriram uma infinidade de novos objetos com massas muito menores, alterando a distribuição e a contagem de estrelas na Nebulosa de Orion.
Highlights - Nebulosa de OrionRegiões de formação estelar da Nebulosa de Orion revela uma infinidade de anãs marrons e de objetos de baixa massa. Créditos: ESO / H. Drass et al.
Estas observações também sugerem que o número de corpos planetários pode ser muito maior do que se pensava. Embora a tecnologia para observar esses objetos ainda não exista, o futuro Telescópio Extremamente Grande (E-ELT), previsto para iniciar suas atividades em 2024, pode nos ajudar a dar prosseguimento nessa observações.
"Os resultados parecem um vislumbre de uma nova era da ciência de planetas e estrelas em formação", disse Holger Drass, principal cientista do estudo, da Pontifícia Universidade do Chile e do Instituto Astronomisches, da Ruhr-Universität Bochum, na Alemanha. "O grande número de planetas flutuando livremente no nosso limite observacional atual está me dando esperança que vamos descobrir uma grande quantidade de pequenos planetas, menores do que a Terra, com o futuro E-ELT."

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

PORQUE ACONTECE ONDULAÇÕES NOS ANEIS DE SATURNO

Daphnis vista em 2005 pela sonda Cassini
Através das imagens intituladas "Daphnis na divisão de Keeler" e "Daphnis e as ondas ao longo da divisão de Keeler" podemos ter um vislumbre de como as luas de Saturno interagem com seu belíssimo sistema de anéis.
Medindo apenas 8 quilômetros de diâmetro, Daphnis é uma das menores luas de Saturno, e sua existência havia sido notada anteriormente por conta das ondulações gravitacionais observadas na borda externa da divisão de Keeler. A divisão de Keeler, por sua vez, se encontra a aproximadamente 250 km da borda externa do Anel A, sendo um espaço vazio com 42 km de largura, e é mantido graças a órbita de Daphnis ao redor do planeta.
Daphnis e as ondulações na divisão de Keeler - Kevin Gill
Daphnis e as ondulações na divisão de Keeler - Kevin Gill
Ilustração artística da lua Daphnis e as ondulações na divisão de Keeler.
Créditos: Kevin Gill
Em 2005, a sonda espacial Cassini finalmente confirmou a existência desta pequena lua. Depois de analisar imagens fornecidas pela sonda, a Equipe de Ciência e de Imagens da sonda Cassini concluiu que a órbita de Daphnis induz um padrão ondulado na borda da divisão. Estas ondas chegam a uma distância de 1,5 km acima do anel, devido a lua estar ligeiramente inclinada ao plano do anel.
Apesar de termos conhecimento sobre tais ondulações, todas as imagens captadas pela sonda Cassini mostraram esse efeito a partir de uma grande distância. Portanto, a fim de ajudar as pessoas a apreciar esse fenômeno em close-up, Kevin Gill decidiu criar as imagens que você vê aqui, unindo a Astronomia com a Arte.
Daphnis na divisão de Keeler - Kevin Gill
Daphnis na divisão de Keeler - Kevin Gill
Ilustração artística da lua Daphnis na divisão de Keeler. Créditos: Kevin Gill
Em suas imagens, criadas coma a ajuda dos programas de edição Autodesk Maya e Adobe Photoshop, podemos ver Daphnis em sua trajetória ao redor de Saturno, assim como as ondulações provocadas pelo seu poder gravitacional. Além disso, podemos ver que Daphnis está ligeiramente inclinada acima do plano do anel, fazendo com que as ondas ganhem "altura".
"Estas imagens são inspiradas nas interações entre as luas e os anéis, e também nas imagens de Daphnis feitas pela sonda Cassini", disse Kevin. "Este é um dos muitos aspectos do sistema de Saturno que eu imagino que seria de tirar o fôlego se você pudesse vê-lo bem de perto, na vida real."

terça-feira, 23 de agosto de 2016

BRILHANTE NEBULOSA PLANETÁRIA OBSERVADA POR HUBBLE

Essa é uma das mais brilhantes nebulosas planetárias no céu – que nome ela deveria ter?
Descoberta pela primeira vez em 1878, a nebulosa NGC 7027, pode ser vista na direção da constelação do Cisne (Cygnus) com um telescópio padrão. Em parte pois ela aparece somente como um ponto indistinto, ela raramente é referida com um apelido. Quando foi imageada pela primeira vez com o Telescópio Espacial Hubble, contudo, grandes detalhes foram revelados. Estudando as imagens do Hubble da NGC 7027, os astrônomos puderam entender que ela é uma nebulosa planetária que começou a se expandir a aproximadamente 600 anos atrás, e que a nuvem de gás e poeira é incomumente massiva já que parece conter aproximadamente três vezes a massa do Sol. A foto acima, nas cores atribuídas, resolve algumas características, as camadas e as feições empoeiradas da NGC 7027 podendo lembrar os entusiastas do céu de algum ícone familiar que poderia ser usado para dar um nome informal para a nebulosa. Vocês que acompanham o blog e já viram aqui inúmeros nomes de objetos celestes, alguns que tem tudo a ver, outros que parecem uma invenção maluca da imaginação dos astrônomos fiquem a vontade para sugerir o nome dessa nebulosa.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

MEGA ESTRUTURA ESPACIAL EMITINDO TRIPLO SINAL MISTERIOSO

Megaestrutura alienígena agora conta com triplo sinal
Entre as muitas explicações sugeridas para as variações da estrela estão chuvas de cometas tão intensas que seriam capazes de "apagar" um pouco do seu brilho.[Imagem: JPL-Caltech/NASA]
O mistério da estrela que poderia abrigar uma megaestrutura alienígena acaba de se tornar ainda mais enigmático.
A estrela, conhecida como KIC 8462852, cintila de uma forma tão irregular que alguns astrônomos especulam que ela pode abrigar um gigantesco aparato alienígena de geração de energia, conhecido como esfera de Dyson.
Tabetha Boyajian, da Universidade Yale, nos EUA, descobriu essa raridade cósmica analisando dados do telescópio espacial Kepler, que monitorou continuamente 100.000 estrelas entre 2009 e 2013. A luz da KIC 8462852 enfraquece em até 20% sem nenhum intervalo regular, o que significa que a variação não pode ser explicada pela presença de um planeta.
Vários astrônomos sugeriram uma série de explicações possíveis, mas foi Jason Wright, astrônomo da Universidade Estadual da Pensilvânia, quem primeiro defendeu que uma civilização extraterrestre avançada poderia ser responsável pelo sinal.
O Instituto SETI, que procura sinais de inteligência alienígena, logo se interessou pela estrela, mas as primeiras buscas não deram resultado:
Variações de brilho
Contudo, logo depois do alvoroço inicial, Bradley Schaefer, da Universidade Estadual da Louisiana, descobriu que a estrela estava registrada em antigas chapas fotográficas, coletadas de 1890 a 1989. Mais de 1.200 fotos mostraram que a estrela esmaeceu gradualmente em até 15% ao longo de um século.
Agora, Benjamin Montet e Joshua Simon, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, encontraram novas variações de brilho escondidas dentro dos dados do Kepler que foram analisados originalmente por Boyajian.
Na verdade, o brilho da estrela KIC 8462852 diminui em cerca de 0,34% ao ano - duas vezes mais rápido do que o cálculo de Schaefer. Além disso, em apenas 200 dias, o brilho da estrela caiu mais 2,5% antes de começar a nivelar, uma mudança muito mais rápida do que qualquer cálculo anterior.
Isto significa que a estrela passa por três tipos de perda de brilho: as quedas profundas que a tornaram famosa, o declínio relativamente lento observado ao longo de um século e uma queda anômala que ocorreu ao longo de duas centenas de dias.
Em busca de causas naturais
Até agora ninguém se arriscou a oferecer uma hipótese para explicar as anomalias da estrela.
"Podemos chegar a cenários que explicam uma ou talvez duas delas, mas não há nada que explique bem as três", diz Montet.
E os ETs? Será que há mesmo uma estrutura construída por alienígenas que gostam de ficar mudando suas configurações ou que têm demandas de energia extremamente variáveis?
"Seria muito mais satisfatório pensar em uma única causa física que pudesse ser responsável por todas as variações de brilho que observamos. Mas ainda estamos lutando para imaginar o que poderia ser," disse Simon.

domingo, 21 de agosto de 2016

ESTRELAS FRIAS DEIXAM CONFUSA A FRONTEIRA ENTRE ESTRELAS E PLANETAS

Estrelas frias confundem fronteira entre estrelas e planetas
Apesar de pequenos e frios como planetas, esses corpos celestes são catalogados como anãs-marrons.[Imagem: NASA/JPL-Caltech]
Estrelas costumam ser muito quentes.Mas, como nada é para sempre, até mesmo as estrelas esfriam.
Por isso, os astrônomos estão constantemente em busca de estrelas cada vez mais frias, não apenas por curiosidade, mas para entender seu processo de envelhecimento.
Dois anos atrás, o telescópio espacial WISE da NASA descobriu uma nova classe de corpos celestes muito frios que começaram a confundir a fronteira entre estrelas e planetas.
No entanto, até agora ninguém sabe exatamente qual é a temperatura na superfície dessas "estrelas planetárias".
Cálculos iniciais sugeriam que elas poderiam ter a mesma temperatura ambiente da Terra, levantando a hipótese de que essas estrelas frias poderiam ter nuvens.
Contudo, um estudo mais aprofundado concluiu que esses corpos celestes são realmente as estrelas mais frias que se conhece, mas não são tão frias quanto se pensava.
Os novos cálculos apontam para temperaturas entre 120 e 175 graus Celsius.
Estrelas frias confundem fronteira entre estrelas e planetas
Estrelas frias confundem fronteira entre estrelas e planetas
Assim como as estrelas frias parecem ser objetos que flutuam ermos pelo espaço, já se sabe que existem planetas sem estrelas. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]
Estrelas ou planetas?
Para chegar a temperaturas superficiais tão baixas após resfriarem por bilhões de anos, essas estrelas devem ter uma massa entre 5 e 20 vezes a massa de Júpiter.
Ao contrário do Sol, a única fonte de energia dessas estrelas frias é a sua contração gravitacional, que depende diretamente da sua massa.
"Se um objeto desses fosse encontrado orbitando uma estrela [em um sistema binário], há uma boa chance de que ele fosse chamado de planeta," disse Trent Dupuy, um dos autores do estudo.
Mas, como provavelmente se formaram por conta própria, e não em um disco protoplanetário, os astrônomos ainda chamam esses corpos frios de anãs marrons, mesmo que tenham uma massa de classe planetária - alguns já sugeriram a criação de uma classe conhecida como planemos.
Pode esfriar mais
Mas não pense que esta seja a palavra final sobre o assunto.
Como só emitem radiação na faixa do infravermelho, para medir sua temperatura os astrônomos precisam conhecer precisamente sua distância.
E a equipe determinou que as anãs marrons em questão estão localizadas a distâncias entre 20 e 50 anos-luz da Terra, uma faixa grande demais para um cálculo definitivo.
Além disso, este estudo analisou apenas a amostra inicial das anãs marrons mais frias descobertas pelo telescópio WISE.
Outros objetos descobertos nos últimos dois anos continuam a ser estudados, e novos cálculos deverão ser publicados logo.

sábado, 20 de agosto de 2016

QUARTO ESTADO DA MATÉRIA DEIXA FÍSICOS ABISMADOS

Quarto estado da matéria deixa físicos em êxtase
O Quarto estado da matéria deixa físicos em êxtase .Além da beleza, as ondas de cisalhamento de Alfvén desempenham um papel importante nos dispositivos de fusão nuclear.[Imagem: Gekelman et al./BaPSF]
Plasma
Ao estudar os mistérios do plasma, o quarto estado da matéria, os físicos podem passar horas apenas admirando os fenômenos de extraordinária beleza com que se deparam.
Quando o Telescópio Espacial Hubble capta aquelas imagens vívidas de nuvens interestelares de gás ionizado, o que estamos vendo nada mais é do que um plasma interestelar.
E os cientistas do Large Plasma Device, um enorme laboratório de estudos do plasma, localizado na Universidade da Califórnia, estão mostrando que não é preciso olhar tão longe para ver eventos tão belos.
Imagens do plasma em 3D
As novas imagens em 3D produzidas no experimento mostram as chamadas ondas de cisalhamento de Alfvén, assim batizadas em homenagem a Hannes Alfvén, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1970, que previu sua existência.
Os plasmas suportam uma grande variedade de ondas, algumas delas bem familiares, como ondas de luz e de som. Mas uma grande variedade de ondas encontradas no plasma não existem em nenhum outro lugar. A onda de Alfvén é uma delas.
Com as mais novas tecnologias 3D desenvolvidas para o cinema, os cientistas estão ficando agora ainda mais boquiabertos, ao poder visualizar as ondas em três dimensões.
Um verdadeiro show de imagens tridimensionais geradas nos estudo do plasma está marcado para acontecer em Abril de 2011, durante a reunião anual da Sociedade Americana de Física.
Quarto estado da matéria deixa físicos em êxtase
Esta é a representação do campo magnético tridimensional de uma onda de Alfvén, conforme ela foi durante uma fração de milionésimo de segundo. [Imagem: Walter Gekelman, UCLA]
Ondas de Alfvén
Mas física não é só diversão: os cientistas estão demonstrando que as ondas de Alfvén são importantes em uma grande variedade de ambientes físicos.
As ondas de Alfvén são ondas magnetohidrodinâmicas de baixa frequência, que se propagam na direção do campo magnético através da oscilação de íons.
Elas desempenham um papel central na estabilidade dos dispositivos de confinamento magnético utilizados nas pesquisas sobre a fusão nuclear, dão origem à formação de auroras em planetas, e acredita-se que também contribuam para o aquecimento e a aceleração de íons na coroa solar.
As ondas de cisalhamento também podem causar aceleração de partículas ao longo de distâncias consideráveis no espaço interestelar.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

ASTRÔNOMOS ENCONTRAM ESTRELA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR

Astrônomos encontram estrela que não deveria existir
Sua intrigante composição química coloca a estrela na "zona proibida" dentro da teoria de formação de estrelas, o que significa que esta estrela nunca deveria ter-se formado - ou que a teoria está errada.[Imagem: ESO/Digitized Sky Survey 2]
Teoria incompleta
Uma equipe de astrônomos europeus utilizou o Very Large Telescope do ESO (VLT) para descobrir uma estrela na Via Láctea que os cientistas achavam não poder existir.
Os astrônomos descobriram que esta estrela é composta quase inteiramente por hidrogênio e hélio, com quantidades minúsculas de outros elementos químicos.
Esta intrigante composição química coloca a estrela na chamada "zona proibida" dentro da teoria de formação estelar mais aceita, o que significa que esta estrela nunca deveria ter-se formado.
Ou, o que agora parece ser mais razoável, que a estrela está correta, mas a teoria não.
Estrela sem metais
A estrela de baixa luminosidade está situada na constelação do Leão e é chamada SDSS J102915+172927 - a sigla é rastreio SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e os números fazem referência à posição do objeto no céu.
Ela possui a menor quantidade de elementos mais pesados que o hélio (que os astrônomos chamam de "metais") do que todas as estrelas estudadas até hoje. Este objeto possui uma massa menor que a do Sol e tem provavelmente mais de 13 bilhões de anos de idade.
"Uma teoria muito aceita prediz que estrelas como esta, com pequena massa e quantidades de metais extremamente baixas, não deveriam existir porque as nuvens de material a partir das quais tais objetos se formariam nunca se poderiam ter condensado," explica Elisabetta Caffau, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e do Observatório de Paris, na França.
"É surpreendente encontrar pela primeira vez uma estrela na 'zona proibida'. Isto significa que iremos provavelmente ter que verificar alguns dos modelos de formação estelar, completa Caffau, que é a autora principal do artigo científico que descreve estes resultados, e que foi publicado na revista Nature.
Estrela mais velha já encontrada
A equipe analisou as propriedades da estrela com o auxílio dos espectrógrafos X-shooter e UVES, montados no VLT. Os astrônomos mediram a abundância dos vários elementos químicos presentes na estrela e descobriram que a proporção de metais na SDSS J102915+172927 é mais de 20 mil vezes menor que a proporção de metais no Sol.
"A estrela é tênue e tão pobre em metais que apenas conseguimos detectar a assinatura de um único elemento mais pesado que o hélio - o cálcio - nas primeiras observações que fizemos," disse Piercarlo Bonifacio, que supervisionou o projeto. "Tivemos que pedir tempo de telescópio adicional ao Diretor Geral do ESO para estudar a radiação da estrela com mais detalhe, com longos tempos de exposição, de modo a tentar encontrar mais metais."
Os cosmólogos acreditam que os elementos químicos mais leves - hidrogênio e hélio - foram criados pouco depois do Big Bang, juntamente com um pouco de lítio, enquanto a maioria dos outros elementos foram posteriormente formados nas estrelas.
As explosões de supernovas espalharam o material estelar para o meio interestelar, tornando-o rico em metais. As novas estrelas que se formam a partir deste meio enriquecido possuem por isso maiores quantidades de metais na sua composição do que as estrelas mais velhas.
Por conseguinte, a proporção de metais numa estrela nos dá informação sobre a sua idade.
"A estrela que estudamos é extremamente pobre em metais, o que significa que é muito primitiva. Pode ser uma das estrela mais velhas jamais encontrada," acrescenta Lorenzo Monaco (ESO, Chile), que também participou do estudo.
Astrônomos encontram estrela que não deveria existir
Astrônomos encontram estrela que não deveria existir
A composição química das estrelas é estudada por meio da decomposição da sua luz, o chamado espectro estelar. A anotação mostra o dado que revelou a presença de Cálcio na estrela. [Imagem: ESO/Digitized Sky Survey 2]
Lítio nas estrelas
É igualmente surpreendente a falta de lítio na SDSS J102915+172927. Uma estrela tão velha deveria ter uma composição semelhante àquela do Universo pouco depois do Big Bang, com apenas um pouco mais de metais.
No entanto, a equipe descobriu que a proporção de lítio na estrela é pelo menos cinquenta vezes menor que a esperada devido à matéria produzida pelo Big Bang.
"É um mistério como é que o lítio produzido logo após o início do Universo foi destruído nesta estrela", acrescenta Bonifacio.
Os investigadores também apontam para o fato desta estrela incomum não ser provavelmente única.
"Identificamos várias outras estrelas candidatas que podem ter níveis de metais semelhantes, ou até inferiores, aos da SDSS J102915+172927. Planejamos agora observar estes candidatos com o VLT para verificarmos se é realmente este o caso," conclui Caffau.
Teorias de formação estelar
Teorias de formação estelar mais aceitas afirmam que estrelas com massas tão baixas como a SDSS J102915+172927 (cerca de 0,8 massa solar ou menos) apenas podem se formar depois de explosões de supernova terem enriquecido o meio interestelar acima de um valor crítico.
Isto deve-se ao fato dos elementos mais pesados atuarem como "agentes de arrefecimento", ajudando a irradiar o calor das nuvens de gás, fazendo assim com que estas nuvens possam seguidamente colapsar para formar estrelas.
Sem estes metais, a pressão devida ao aquecimento seria demasiadamente forte e a gravidade da nuvem seria muito fraca para a vencer e fazer a nuvem colapsar.
Uma teoria em particular identifica o carbono e o oxigênio como os principais agentes de arrefecimento. No entanto, na SDSS J102915+172927 a quantidade de carbono é menor do que o mínimo julgado necessário para que este arrefecimento se torne efetivo.
A estrela HE 1327-2326, descoberta em 2005, tem a menor abundância de ferro conhecida, mas é rica em carbono. A estrela agora analisada tem a menor proporção de metais conhecida quando consideramos todos os elementos químicos mais pesados que o hélio.
A chamada nucleossíntese primordial estuda a produção de elementos químicos com mais de um próton, alguns momentos após o Big Bang. Esta produção deu-se num curto espaço de tempo, permitindo que apenas hidrogênio, hélio e lítio se formassem.
A teoria do Big Bang prediz, e as observações confirmam, que a matéria primordial era composta essencialmente por 75% (em massa) de hidrogênio, 25% de hélio e alguns traços de lítio.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

HALO DA VIA LÁCTEA GIRA A UMA VELOCIDADE VERTIGINOSA


A Via Láctea e os seus pequenos companheiros estão cercados por um gigantesco halo de gás (a azul, na ilustração), com temperaturas de milhões de graus e que só se observa com telescópios de raios-X no espaço. Astrônomos aniversidade de Michigan descobriram que este halo quente enorme gira na mesma direção que o disco da Via Láctea e a uma velocidade comparável. Crédito: NASA/CXC/ M.Weiss/Ohio State/A Gupta et al.
 Astrônomos  da Universidade de Michigan descobriram que o gás quente no halo da Via Láctea
 está a girar na mesma direção e a uma velocidade aproximada à do disco da galáxia, que contém as estrelas, planetas, gás e poeira.
 Esta nova descoberta ajuda a compreender de que forma os átomos
 se agruparam para formar estrelas, planetas e galáxias como a nossa, e o que reserva o futuro para estas galáxias.
Edmund Hodges-Kluck, cientista assistente da investigação, disse: "Assumia-se que o disco da Via Láctea girava enquanto este enorme reservatório de gás quente permanecia estacionário - mas não é isso que acontece. O reservatório de gás quente está também a girar, embora não tão depressa como o disco."
A nova investigação, financiada pela NASA, utilizou dados de arquivo obtidos pelo Telescópio XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia, e foi recentemente publicada no Astrophysical Journal.
 O estudo centra-se no halo quente e gasoso da nossa galáxia, que é várias vezes mais vasto que o seu disco e composto por plasma ionizado
Tendo em conta que o movimento produz uma alteração no comprimento de onda
 da luz, os investigadores da Universidade de Michigan mediram estes desvios no céu usando linhas de oxigênio quente. Descobriram algo surpreendente: os desvios medidos mostram que o halo da Via Láctea gira na mesma direção que o seu disco e a uma velocidade muito semelhante: 643.738 km/h para o halo e 869.046 km/h para o disco.
"A rotação do halo quente é um indício incrível de como a Via Láctea se formou," disse Hodges Kluck. "Diz-nos que esta atmosfera
 quente é a fonte original de uma grande parte da matéria no disco."
Os cientistas há muito que tentam perceber porque razão quase todas as galáxias, incluindo a nossa, parecem ter matéria em falta, matéria que de outra forma eles esperariam encontrar. Os astrônomo acredita 80% da matéria no Universo é "matéria escura" que, até agora, só pode ser detetada através da força gravitacional que exerce. Mas mesmo a maior parte dos restantes 20% de matéria, dita "normal", está em falta nos discos das galáxias. Recentemente, foi descoberta no halo alguma da matéria em falta. Os investigadores da Universidade de Michigan dizem que conhecer a direção e a velocidade do halo giratório pode ajudar a perceber, em primeiro lugar, como a matéria lá chegou, e também a taxa a que a matéria se instala na galáxia.
"Agora que sabemos mais sobre a rotação, os teóricos irão usar este conhecimento para compreenderem a formação da Via Láctea - e qual será o seu destino," disse Joel Bregman, professor da astronomia do LSA College da Universidade de Michigan.
"Podemos servir-nos desta descoberta para sabermos muito mais - a rotação deste halo quente será um grande tópico para os futuros espectrógrafos de raios-X," concluiu Bregman.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

EXPLANETA RECEM-NASCIDO É OBSERVADO EM TORNO DE ESTRELA JOVEM


Ilustração do exoplaneta K2-33b, um dos mais jovens detetados até à data. Completa uma órbita em torno da sua estrela em cerca de cinco dias. Créditos: NASA/JPL-Caltech. Os astrónomos anunciaram a descoberta do mais jovem exoplaneta
, completamente formado, até agora detetado. A descoberta foi feita através do telescópio espacial Kepler, da NASA, e da sua missão K2, e também do Observatório W. M. Keck, em Mauna Kea, Havai. 
O planeta agora descoberto, K2-33b, é um pouco maior que Neptuno e completa uma órbita
 em torno da sua estrela a cada cinco dias. Tem entre 5 a 10 milhões de anos de idade, tornando-se num dos poucos planetas recém-nascidos encontrados até o momento.
"A Terra tem aproximadamente 4,5 mil milhões de anos," disse Trevor David, do Caltech, em Pasadena, autor de um novo estudo publicado a 20 de junho de 2016 na edição online da revista Nature. "Em comparação, o planeta K2-33b é muito jovem. Podemos pensar nele como uma criança." David trabalha com o astrónomo Lynne Hillenbrand, também do Caltech.
A formação de planetas é um processo complexo que permanece envolto em mistério. Os astrónomos descobriram e confirmaram até agora cerca de 3000 exoplanetas; no entanto, quase todos têm estrelas hospedeiras de meia-idade, com mil milhões de anos ou mais. Tentar compreender os ciclos de vida de sistemas planetários usando os exemplos existentes é como tentar compreender as primeiras fases do crescimento humano, dos bebés aos adolescentes, estudando apenas adultos.
"Este planeta recém-nascido vai ajudar-nos a perceber melhor como se formam os planetas, o que é importante para compreendermos os processos que levaram à formação da Terra," disse o coautor do estudo, Erik Petigura, do Caltech.
Os primeiros sinais de existência do planeta foram medidos pela missão K2. A câmara do telescópio detetou uma diminuição periódica da luz emitida pela estrela hospedeira, sinal de que um planeta em órbita poderia estar a passar regularmente em frente à estrela, bloqueando a luz. Os dados do Observatório Keck validaram esta hipótese e também ajudaram a confirmar que se tratava de um planeta jovem.
Medições no infravermelho
 realizadas pelo Telescópio Espacial Spitzer
, da NASA, mostraram que o sistema da estrela está rodeado por um fino disco de detritos planetários, indicando que a fase de formação planetária está a terminar. Os planetas formam-se a partir de discos espessos de gás e poeira, os disco protoplanetários, que rodeiam as estrelas jovens.
"Inicialmente, este material pode esconder planetas em formação, mas depois de alguns milhões de anos a poeira começa a dissipar-se," disse a coautora Anne Marie Cody, do Programa de Pós-Doutoramento da NASA no Ames Research Center, Silicon Valley, Califórnia. "É durante esta janela no tempo que podemos começar a detetar, com o K2, as assinaturas de planetas jovens."
Uma característica surpreendente desta descoberta é o facto de K2-33b se encontrar muito próximo da sua estrela. O planeta está quase 10 vezes mais próximo da estrela que Mercúrio
 do Sol
, o que o torna muito quente. Um grande número de exoplanetas mais velhos foram encontrados em órbitas muito próximas das suas estrelas e os astrónomos têm tentado explicar este facto. Uma hipótese é a de os planetas se terem formado longe da estrela e migrado para mais perto, num processo a que se dá o nome de “migração de disco” e que pode durar centenas de milhões de anos. Ora, isto não explica a localização de K2-33b, que é bem mais jovem. Outra hipótese é a de o planeta se ter formado in situ - exatamente onde está. Como se percebe, a descoberta de K2-33b fornece aos teóricos novos elementos para ponderar.
"Após as primeiras descobertas de exoplanetas massivos em órbitas próximas, há cerca de 20 anos, foi imediatamente sugerido que estes podiam não se ter formado no lugar em que foram descobertos; contudo, nos últimos anos, as teorias de formação in situ ganharam terreno, pelo que a Ideia já não parece tão estranha como antes,” disse David. E acrescentou: "A questão que estamos a tentar responder é esta: estes grandes planetas terão levado muito tempo a entrar nestas órbitas quentes, ou poderão ter estado lá desde muito cedo? Pelo menos neste caso, a última hipótese parece provável."

terça-feira, 16 de agosto de 2016

CONFIRMADO: PLANETA IRMÃO DA TERRA ESTÁ ORBITANDO A ESTRELA PRÓXIMA CENTAURO


exoplaneta - alpha centauri
Descoberta deve ser oficializada em breve pelo Observatório Europeu do Sul, e astrônomos já estão eufóricos! Exoplaneta descoberto na Proxima Centauri." Créditos: Asteroid Initiatives / Twitter / divugação
Segundo fontes do jornal alemão Der Spiegel, os cientistas estão se preparando para anunciar uma descoberta surpreendente, que pode causar uma verdadeira comoção no mundo astronômico, sobretudo na possibilidade de vida extraterrestre não tão longe do nosso planeta.
A descoberta seria de um exoplaneta orbitando a estrela Próxima Centauri, pertencente ao sistema de Alpha Centauri, a vizinha mais próxima do nosso Sistema Solar, a apenas 4.2 anos-luz de distância. A informação, segundo o jornal, teria sido vazada por uma fonte confiável, ligada ao Observatório Europeu do Sul (ESO), responsável pela descoberta e pelo iminente anúncio.
A estrela Próxima Centauri é a estrela mais próxima da Terra, e foi descoberta em 1915, e é uma de 3 estrelas do sistema Alpha Centauri. A constelação de Centauro é facilmente visível, principalmente do hemisfério sul.
"Acredita-se que o planeta (ainda sem nome) seja do tipo-Terra, e orbita a estrela Proxima Centauri a uma distância que permitiria a existência de água líquida em sua superfície, um importante requisito para a possibilidade de vida", diz o artigo da revista Der Spiegel.
"Nunca antes foi descoberto uma segunda Terra tão próxima da nossa", relatou o jornal, dizendo ainda que o ESO irá realizar o anúncio oficial no fim de agosto.
Jornalistas e cientistas entraram em contato com Richard Hook, porta-voz do próprio ESO, e questionaram tal afirmação. Richard disse estar ciente sobre os rumores, mas que infelizmente não poderia confirmar ou negá-lo. "Não estamos comentando sobre esse assunto", completou.
A descoberta teria sido feita utilizando o Observatório La Silla, no Chile, que coincidentemente anunciou a existência de um exoplaneta orbitando Alpha Centauri b, em 2012, mas que após novas observações acabou tendo sua existência descartada, com a explicação de que teria sido um falso artefato.
Um planeta orbitando a estrela Próxima Centauri - por que é tão importante?
A NASA já anunciou a descoberta de milhares de planetas extrassolares, mas a grande maioria é muito quente, ou muito frio, ou são gigantes de gás, como Júpiter ou Netuno. Em 2015, a Agência Espacial Norte Americana revelou a descoberta de um exoplaneta descrito como "gêmeo mais próximo da Terra". Chamado Kepler-452b, o planeta seria 60% maior do que a Terra e com o dobro de sua gravidade. Além disso, esse exoplaneta poderia ter vulcões ativos, oceanos, céu colorido como o nosso, e um ano com 385 dias. Mas sua distância de 1.400 anos-luz acaba com qualquer esperança de conhecermos esse irmão gêmeo num futuro próximo...
Em comparação, um exoplaneta orbitando a estrela Próxima Centauri, se confirmado, estaria a apenas 4.2 anos-luz de distância. Considerando a escala do Universo, ele está logo ali, do nosso lado, e novas formas de viagem rápida que venham a ser criadas poderiam ser suficientes para a humanidade conhecê-lo bem de perto, talvez até mesmo nessa geração!