segunda-feira, 15 de agosto de 2016

OBSERVADO UM GIGANTESCO VAZIO ESTELAR NO INTERIOR DA VIA LÁCTEA


Ilustração da distribuição inferida de estrelas jovens, aqui representadas por Cefeidas (pontos azuis), no plano de fundo de um desenho da Via Láctea. À exceção de um pequeno grupo no centro da galáxia, os 8000 anos-luz centrais parecem ter muito poucas Cefeidas e, consequentemente, poucas estrelas jovens. Crédito: The University of Tokyo. Segundo uma equipa internacional, liderada pelo Professor Noriyuki Matsunaga, da Universidade de Tóquio, será necessário revermos o nosso conhecimento sobre a Via Láctea
Astrônomos japoneses, sul-africanos e italianos descobriram que há uma enorme região em torno do centro da nossa galáxia desprovida de estrelas jovens.
 A equipa publicou o seu estudo num artigo, na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A Via Láctea é uma galáxia espiral que contém muitos milhares de milhões de estrelas, com o nosso Sol a cerca de 26000 anos-luz.
 do seu centro. A medição da distribuição destas estrelas é crucial para compreendermos como se formaram e evoluíram as galáxias. As Cefeidas, estrelas variáveis que pulsam, são ideais para este efeito. Com idades compreendidas entre os 10 e os 300 milhões de anos, são muito mais jovens que o Sol (4,6 mil milhões de anos) e pulsam em brilho
 num ciclo regular. A duração deste ciclo está relacionada com a luminosidade
 da Cefeida. Por isso, através de monitorização, os astrônomos podem determinar o brilho efetivo da estrela, compará-lo com o que vemos da Terra e estabelecer a que distância se encontra.
Mesmo assim, encontrar Cefeidas no interior da Via Láctea é difícil, já que a Galáxia está cheia de poeira interestelar
 que bloqueia a luz e esconde muitas das estrelas. A equipa de Matsunaga compensou este efeito com a análise de observações no infravermelho próximo
 feitas com um telescópio do Japão e da Africa do Sul localizado em Sutherland, África do Sul. Para sua surpresa, quase não encontraram Cefeidas numa enorme região que se estende por milhares de anos-luz a partir do núcleo da Galáxia.
"Já tínhamos descoberto, há algum tempo, que há Cefeidas no centro da Via Láctea (numa região com um raio de aproximadamente 150 anos-luz). Agora, descobrimos que, fora dessa região, há um enorme vazio de Cefeidas, estendendo-se até 8000 anos-luz do centro" explicou Noriyuki Matsunaga.
Isto sugere que uma grande parte da nossa galáxia, o Disco Interno Extremo, não tem estrelas jovens. Michael Festa, coautor do estudo, observou: "As nossas conclusões contrariam outro trabalho recente, mas estão de acordo com o trabalho de radioastrônomos que não observam novas estrelas a nascer neste deserto."
Giuseppe Bono, outro dos autores, apontou ainda: "os resultados atuais indicam que, nesta grande região, não houve formação de estrelas significativa ao longo de centenas de milhões de anos. O movimento e a composição química das novas Cefeidas estão a ajudar-nos a entender melhor a formação e evolução da Via Láctea."
As Cefeidas têm sido mais usada para medir as distâncias de objetos no Universo longínquo, e este novo trabalho é um exemplo de como a mesma técnica pode revelar a estrutura da nossa própria galáxia.

domingo, 14 de agosto de 2016

TELESCÓPIO KEPLER OBSERVA DANÇA CÓSMICAS NAS PLÊADES


Esperamos que ao comprar nossos resultados com os de outros aglomerados estelares, aprendamos mais sobre a relação entre a rotação, a massa de uma estrela, sua idade e até mesmo a história de seus sistemas planetários – diz Luisa Rebull, pesquisadora do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e líder da pesquisa, cujos resultados foram relatados em três artigos publicados no periódico científico “Astronomical Journal”.
As estrelas do aglomerado das Plêiades executam piruetas frequentes. Esta “dança”, no entanto, está fora de sincronia, com cada astro girando a uma velocidade diferente. Agora, no entanto, o telescópio espacial Kepler mediu pela primeira vez a velocidade de rotação de boa parte das estrelas das Plêiades, informação que vai ajudar os astrônomos a melhor compreender a evolução das estrelas, assim como e onde planetas se formariam em torno delas.
Aglomerado estelar do tipo aberto, as Plêiades são os mais próximos e facilmente identificáveis objetos deste tipo no céu, a apenas cerca de 445 anos-luz de distância da Terra. Como boa parte dos aglomerados, suas estrelas têm aproximadamente a mesma composição e idade, o que faz deles verdadeiros laboratórios cósmicos para o estudo da evolução estelar. No caso das Plêiades, sua idade é estimada em aproximadamente 125 milhões de anos, “jovens adultas” que estariam numa fase de sua evolução em que provavelmente giram o mais rápido que o farão em toda sua existência.
À medida que as estrelas envelhecem, porém, sua velocidade de rotação diminui, “freada” pela intensa emissão de partículas carregadas, conhecida como “vento estelar” (no caso do nosso Sol, o mesmo fenômeno é chamado “vento solar”). E foi justamente em busca de mais detalhes sobre como este processo acontece que Rebull e colegas mergulharam nos dados do Kepler.
Lançado em 2009, o Kepler é um prolífico caçador de planetas extrassolares, isto é, que orbitam estrelas que não nosso Sol. Durante quatro anos, o telescópio espacial ficou fixamente apontado para uma pequena região do céu na direção das constelações de Cygnus (Cisne) e Lira, coalhada com cerca de 150 mil estrelas. Equipado com um fotômetro hipersensível, ele é capaz de detectar as ínfimas variações no brilho das estrelas que observa provocadas pela passagem de um planeta entre elas e a Terra de nosso ponto de vista, fenômeno conhecido na astronomia como “trânsito”, tendo revelado mais de 5 mil candidatos aos também conhecidos como exoplanetas, dos quais centenas foram confirmados nos últimos anos.
Sucessivas falhas em dois dos quatro giroscópios que possibilitavam ao Kepler manter o “olhar” fixo na região do céu que estudava, no entanto, encurtaram sua missão principal, encerrada em maio de 2013. Depois de muito trabalho, porém, os cientistas da Nasa conseguiram recuperar pelo menos parte da sua capacidade de fazer descobertas científicas, dando início, em maio de 2014, à chamada missão K2. E foi justamente ao longo desta segunda missão que foram feitas as observações das Plêiades.
Graças ao seu amplo campo de visão, o Kepler acompanhou o comportamento de cerca de mil estrelas do aglomerado ao longo de 72 dias. Neste período, o telescópio espacial acumulou informações que permitiram medir a velocidade de rotação de mais de 750 delas, incluindo cerca de 500 das estrelas de menor massa, tamanho e brilho das Plêiades cujo giro não pode ser detectado pelos atuais instrumentos em terra. E ele fez isso usando exatamente a mesma capacidade que o tornou tão bem-sucedido caçador de planetas. Neste caso, no entanto, as pequenas mudanças no brilho das estrelas do aglomerado resultam das sucessivas passagens na superfície visível dos astros das manchas estelares, o equivalente às manchas solares em nosso Sol. À medida que estas manchas entram e saem do campo de visão do Kepler, o brilho das estrelas varia, oferecendo um parâmetro para medir sua velocidade de rotação.
As observações do Kepler revelaram então um padrão: quanto mais maciça a estrela, menor sua velocidade de rotação. Enquanto as gigantes e quentes estrelas azuis do aglomerado completam um giro a cada um a 11 dias, muitas das estrelas menores e de baixa massa executam sua pirueta em menos de 24 horas (a título de comparação, nosso Sol, uma estrela anã amarela de “meia idade”, leva entre 24 e 26 dias para realizar um giro completo). Nas Plêiades, esta população de estrelas menores tem massas que vão desde um pouco maior a apenas 10% do Sol.
- No “balé” das Plêiades, vemos que as rotadoras lentas tendem a ser as estrelas mais maciças, enquanto que as que giram rápido são estrelas muito leves.
Segundo os cientistas, a explicação para esta diferença estaria na própria estrutura interna das estrelas. Nos astros maiores, seus enormes núcleos são envoltos por uma fina camada de material estelar em processo de convecção, movimento circular similar ao que vemos num panela de água fervente. Já as estrelas menores consistem quase inteiramente de regiões convectivas turbulentas. Assim, à medida que as estrelas envelhecem, o mecanismo magnético que freia seu giro reduz mais a velocidade da fina camada externa dos astros maiores do que as relativamente mais grossas e turbulentas camadas externas dos menores


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O QUE HÁ NO INTERIOR DE CERES? SONDA ESPACIAL DAWN TRAZEM NOVAS INFORMAÇÕES

http://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/pia20867.jpg
Esta impressão artística mostra um diagrama de como o interior de Ceres poderia estar estruturado, baseado nos dados sobre o campo gravitacional do planeta anão obtidos pela missão DAWN da NASA. Créditos: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
Infelizmente, nas dezenas de milhares de fotos transmitidas pela sonda DAWN da NASA, o interior de Ceres é invisível. Entretanto, os cientistas têm informações poderosas para entender a estrutura interna de ceres: o próprio movimento da DAWN na órbita de Ceres.
Tendo em vista que a gravidade domina a órbita da DAWN em Ceres, os cientistas podem medir variações na gravidade de Ceres por meio de mudanças sutis no movimento da espaçonave em órbita. Usando dados da DAWN, os cientistas mapearam as variações na gravidade de Ceres pela primeira vez através de novo estudo publicado na revista Nature, o qual fornece pistas para a estrutura interna do planeta anão.
Ryan Park, autor líder do estudo e supervisor do grupo de dinâmica do Sistema Solar no JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA em Pasadena, Califórnia, nos contou:
Os novos dados sugerem que Ceres tem um interior fraco e que a água e outros materiais leves se separaram parcialmente da rocha durante uma fase de aquecimento no início de sua história.
O campo gravitacional de Ceres é medido através do monitoramento dos sinais de rádio enviados até à DAWN os quais, em seguida, são recebidos aqui na Terra através da DSN (Deep Space Network) da NASA. Esta rede de comunicação é uma coleção de grandes antenas situadas em três locais espalhados pelo mundo as quais interagem com as espaçonaves interplanetárias. Usando estes sinais, os cientistas podem medir a velocidade da sonda DAWN com uma precisão de até 0,1 mm por segundo e depois calcular os detalhes do campo de gravidade.
Ceres tem uma propriedade especial chamada “equilíbrio hidrostático”, que foi confirmada nesse estudo. Isto significa que o interior de Ceres é fraco o suficiente para que a sua forma seja regulada pela maneira pela qual ele gira. Os cientistas chegaram a essa conclusão comparando o campo gravitacional de Ceres com o seu formato. O “equilíbrio hidrostático” de Ceres é uma das razões pelas quais os astrônomos classificaram o maior objeto do Cinturão Principal de Asteroides, entre Marte e Júpiter, como planeta anão em 2006.
Os dados implicam que Ceres é realmente “diferenciado”, o que significa que tem camadas de composição distinta a diferentes profundidades, sendo a mais densa no núcleo. Os cientistas também confirmaram que Ceres é muito menos denso do que a Terra, a Lua, do que o gigantesco asteroide Vesta (o alvo anterior inspecionado pela missão DAWN) e outros corpos rochosos do nosso Sistema Solar. Além disso, há muito que se suspeitava que Ceres continha materiais de baixa densidade, como água gelada, que o estudo mostra que se separaram do material rochoso e subiram até à camada mais exterior juntamente com outros materiais leves.
Ryan Park explicou:
Nós descobrimos que as divisões entre diferentes camadas são menos pronunciadas no interior de Ceres do que na Lua e em outros planetas do nosso Sistema Solar. A Terra, por exemplo, com seu núcleo metálico, manto semifluido e crosta exterior, tem uma estrutura bem mais claramente definida do que Ceres.
Os astrônomos também detectaram que as áreas de alta elevação de Ceres deslocam massa no interior. Isto é análogo ao modo como um barco flutua na água: a quantidade de água deslocada depende da massa do barco. Da mesma forma, os cientistas concluem que o manto fraco de Ceres pode ser puxado pela massa de montanhas e outra topografia elevada na camada externa, como se as áreas de alta elevação “flutuassem” sobre o material abaixo. Este fenômeno já foi observado anteriormente em outros planetas, incluindo a própria Terra, mas este estudo é o primeiro a confirmá-lo em Ceres.
A estrutura de densidade interna, com base nos novos dados de gravidade capturados pela DAWN, ensina aos cientistas mais sobre os processos internos que podem ter ocorrido no início da história de Ceres. Combinando esta nova informação com dados anteriores da composição superficial de Ceres pela DAWN, os cientistas podem tentar reconstruir essa história: a água deve ter estado móvel no antigo subsolo, mas o interior não aqueceu até às temperaturas em que os silicatos derretem e que um núcleo metálico se forma.
Carol Raymond, coautora e vice investigadora líder da DAWN no JPL, destacou:
Nós sabemos, graças aos estudos anteriores da DAWN, que devem ter ocorrido interações entre a água e a rocha no interior de Ceres. Tal, combinado com a nova estrutura de densidade, nos conta que Ceres passou por uma história térmica complexa.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

ANÃ BRANCA CASTIGA ANÃ VERMELHA COM RAIO MISTERIOSO


Astrônomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO, e mais outros telescópios tanto no solo como no espaço, e descobriram um novo tipo de estrela binária bastante exótica. No sistema AR Scorpii, uma anã branca em rotação rápida acelera elétrons até quase à velocidade da luz. Estas partículas de alta energia libertam quantidades de radiação que fuzilam a estrela companheira, uma anã vermelha, fazendo com que todo o sistema pulse drasticamente a cada 1,97 minutos e libere radiação que vai do ultravioleta até as ondas de rádio. Este trabalho será publicado na revista Nature em 28 de julho de 2016.
Em maio de 2015, um grupo de astrônomos amadores da Alemanha, Bélgica e Reino Unido encontrou um sistema estelar que se comportava de um modo nunca antes observado. Observações feitas em seguida, lideradas pela Universidade de Warwick e fazendo uso de vários telescópios, colocados tanto no solo como no espaço [1], revelaram a verdadeira natureza deste sistema até então mal identificado.
O sistema estelar AR Scorpii, ou AR Sco, situa-se na constelação do Escorpião e está a 380 anos-luz de distância da Terra. É composto por uma anã branca  em rotação rápida, do tamanho da Terra mas com cerca de 200 mil vezes mais massa, e por uma anã vermelha fria com um terço da massa do Sol  que se orbitam mutuamente com um período de 3,6 horas, executando uma dança cósmica tão regular como um relógio.
Este sistema binário de estrelas exibe um comportamento muito violento. Altamente magnetizada e girando muito depressa, a anã branca acelera elétrons até quase à velocidade da luz. À medida que estas partículas de alta energia se deslocam no espaço, liberam radiação num raio semelhante a um farol, que fuzila a anã vermelha fria, fazendo com que todo o sistema brilhe e apague a cada 1,97 minutos. Estes pulsos poderosos incluem radiação nas frequências de rádio, algo que nunca tinha sido antes detectado num sistema com uma anã branca.
O investigador principal Tom Marsh, do Grupo de Astrofísica da Universidade de Warwick, comenta: “AR Scorpii foi descoberta há mais de 40 anos, mas não suspeitamos da sua verdadeira natureza até começarmos a observá-la em 2015. Percebemos que estávamos vendo algo extraordinário poucos minutos depois de começarmos as observações.”
As propriedades observadas de AR Sco são únicas e misteriosas. A radiação emitida ao longo de uma grande gama de frequências indica emissão de elétrons acelerados em campos magnéticos, o que pode ser explicado pela anã branca em rotação. A fonte de elétrons propriamente dita permanece, no entanto, um mistério — não é claro se estará associada à própria anã branca ou à sua companheira mais fria.
AR Scorpii foi inicialmente observada no início da década de 1970 e as suas flutuações de brilho regulares a cada 3,6 horas fizeram com que fosse erroneamente classificada como uma estrela variável isolada. A verdadeira natureza da variação em luminosidade de AR Scorpii foi revelada graças aos esforços conjuntos de astrônomos profissionais e amadores. Uma pulsação semelhante tinha sido já observada anteriormente, mas vinda de estrelas de nêutrons — alguns dos objetos celestes mais densos conhecidos no Universo — e não de anãs brancas.
Boris Gänsicke, co-autor do novo estudo e também da Universidade de Warwick, conclui: “Conhecemos estrelas de nêutrons pulsando há quase 50 anos e algumas teorias previam que as anãs brancas poderiam também apresentar um comportamento semelhante. É muito excitante termos descoberto um tal sistema e é também um exemplo fantástico de colaboração entre astrônomos amadores e profissionais.”

domingo, 7 de agosto de 2016

CANAIS EM MARTE: ELES SÃO OU NÃO FORMADOS POR ÁGUA?

canais em Marte não são criados por fluxos de água
 Recentemente tem se falado bastante de um novo comunicado da NASA sobre os famosos canais marcianos. No comunicado, os cientistas afirmam que os canais em Marte não foram esculpidos pela água, e é basicamente isso que tem se noticiado em diversos sites especializados ao redor do mundo. Mas o fato é que existe uma diferença entre os "canais" e as "linhas escuras de encostas (RSL)".
Quando a NASA cita os "canais", ela quer dizer as fissuras profundas, diferente das "RSLs", que são apenas linhas escuras. Portanto, a nova revelação sobre os "canais marcianos" não têm relação com as linhas escuras.
Diferença entre canais e linhas escuras em Marte
Diferença entre canais e linhas escuras em Marte
Créditos: NASA / JPL-Caltech / Mars Reconnaissance Orbiter
E com relação aos "canais" de Marte, novas observações mais detalhadas não conseguiram encontrar evidências de água líquida naquelas formações.
Um novo mapa composto feito pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) mostra a composição química de uma região repleta de canais, e a conclusão foi que "não há água líquida abundante ou bioprodutos" nas fissuras, de acordo com um comunicado oficial emitido pela NASA.
Por outro lado, em relação as linhas escuras (ou RSL), o entendimento vigente é que elas foram formadas por fluxos de água líquida. Isso não mudou. Estamos falando apenas dos canais profundos.
Se não é água, é o quê?
Os cientistas têm algumas explicações sobre a formação dos canais marcianos, mas a que mais chama a atenção diz que "os canais poderiam ser comuns em Marte, e ocorreriam entre as latitudes 30 e 50 em ambos hemisférios, geralmente em encostas viradas para os polos", disse a NASA em um comunicado.
No novo estudo, um grupo liderado pelo cientista planetário Jorge Nunez, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, estudou imagens de alta resolução feitas com mais de 100 canais, e as informações sobre sua composição química foram adquiridas através do espectrômetro CRISM, da sonda MRO.
canais em Marte - espectrômetro
Canais em Marte - espectrômetro, Imagem feita pela câmera HiRISE da sonda Mars Reconnaissance Orbiter mostra diversos canais em Marte.
Podemos ver a mesma imagem na versão crua (superior) e na versão composta com dados do espectrômetro CRISM (inferior).Créditos: NASA / JPL-Caltech / UA / JHUAPL
"Nós esperávamos encontrar evidências de água líquida, como sais hidratados, como foram vistos nas linhas escuras", disse Jorge. "Mas não encontramos tais evidências nos canais investigados."
De acordo com Jorge Nunez, o mecanismo principal que poderia estar criando os canais marcianos é o congelamento e descongelamento de dióxido de carbono. Apesar disso, o estudo ainda não é conclusivo, mas dá suporte a modelos anteriores que já sugeriam essa hipótese.
Conclusão
Na Terra, formações iguais aos canais marcianos geralmente são criadas por fluxos de água líquida, e ao que tudo indica, essa regra não se aplica ao Planeta Vermelho, Por outro lado, ainda temos as linhas escuras, que são comprovadamente formadas por fluxos de água líquida.
Nem tudo é o que parece, e nem tudo que se parece tem a mesma origem...
Imagens: (capa-NASA/MRO) / NASA / JPL-Caltech / Mars Reconnaissance Orbiter / UA/JHUAPL

sábado, 6 de agosto de 2016

ASTRÔNOMOS ENTENDEM MELHOR OS CAMPOS MAGNÉTICOS DE ESTRELAS COMO O SOL

Ilustração de GJ 3253
Um novo estudo de quatro estrelas de baixa massa pode ter implicações importantes para a compreensão do campo magnético do Sol
Os campos magnéticos são responsáveis ​​por tempestades solares que podem gerar auroras, Knock Out satélites, e afetam os astronautas no espaço.
A emissão de raios-X é um excelente indicador de força do campo magnético de uma estrela.
Duas estrelas de baixa massa observadas com Chandra e dois pelo ROSAT mostraram a sua emissão de raios-X foi semelhante ao de estrelas como o Sol
Os campos magnéticos no Sol e nas estrelas como ele é responsável por grande parte do seu comportamento, incluindo a geração de poderosas tempestades que podem produzir auroras espetaculares da Terra, sistemas de energia elétrica danos, Knock Out satélites de comunicações e afetam os astronautas no espaço. Como discutido no nosso mais recente comunicado de imprensa , uma nova pesquisa baseada em dados provenientes do Observatório de Raios-X Chandra da NASA está a ajudar os astrônomos a entender melhor como esses campos magnéticos são produzidos.
Ao comparar a emissão de raios-X , um excelente indicador de força do campo magnético de uma estrela, entre estrelas de pequena massa e do Sol, um par de astrónomos foi capaz de encontrar uma pista importante sobre como uma estelar e seus campos magnéticos são gerados.
Ilustração de GJ 3253
GJ 3253
Uma estrela parecida com o Sol, contendo uma zona de radiação e convecção
O Sol e as estrelas com aproximadamente a mesma massa têm uma estrutura interna dividida com uma zona de radiação interna (energia se move para fora) e uma zona de convecção exterior (que circula a energia).
Estrelas com massas significativamente mais baixos, no entanto, não possuem uma tal estrutura diferenciada. Em vez disso, o processo de convecção é dominante em toda a estrela, que é retratado na ilustração do artista no painel principal do gráfico.
Os pesquisadores neste mais recente estudo examinou quatro estrelas de pequena massa - duas com Chandra e dois com dados de arquivo de o satélite ROSAT - e encontrou a sua emissão de raios-X que foi semelhante ao de estrelas como o Sol (A inserção no gráfico mostra os dados de uma destas estrelas de pequena massa, GJ 3253 de Chandra).
Este resultado foi surpreendente porque muitos cientistas pensam que a fronteira entre as zonas de radiação e convecção no sol e -como estrelas contribuem para a resistência de seu campo magnético. Se as estrelas sem uma fronteira têm relativamente poderosos campos magnéticos, então esta teoria pode ter de ser reexaminadas.
Um papel que descreve estes resultados por Wright e Drake aparece na edição de 28 de julho da revista Nature e está disponível on-line . Da NASA Marshall Space Flight Center, em Huntsville, Alabama, gerencia o programa Chandra para a Diretoria de Missões Científicas da NASA em Washington. O Observatório Astrofísico Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts, controla as operações científicas e de voo de Chandra.
Fatos para GJ 3253:
Crédito Raio-X: NASA / CXC / Univ Keele / N.Wright et al; Ilustração: NASA / CXC / M.Weiss
Data de lançamento 27 de julho de 2016
Escala imagem de raios-X é de 20 segundos de arco em todo (cerca de 0,003 anos-luz)
categoria Normais Clusters Estrelas & estrela
Coordenadas (J2000) RA 41.70s 03h 52m | Dez + 17 ° 01 '05.70 "
constelação Touro
Data de Observação 25 de setembro de 2013
Tempo de observação 5 horas 45 minutos.
Obs. identidade 14603
Instrumento ACIS
Referências Wright, N. et al, 2016, Nature 535, 526-528; arXiv: 1.607,07870
Código de cores raios-X (rosa) 
Distância Estimada Cerca de 31 anos-luz (z = 0,003)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

NASA DIVULGA NOVA IMAGEM DE PLUTÃO

No lado esquerdo, é possível ver as silhuetas sombrias de planaltos acidentados do planeta anão. À direita, a luz solar revela montanhas de quase quatro metros.
A imagem, capturada pela sonda New Horizons em 14 de julho, revela o planeta-anão com uma das faces iluminada pelo Sol, semelhante à fase crescente da Lua
No lado esquerdo, é possível ver as silhuetas sombrias de planaltos acidentados do planeta anão. À direita, a luz solar revela montanhas de quase quatro metros.
No lado esquerdo, é possível ver as silhuetas sombrias de planaltos acidentados do planeta anão. À direita, a luz solar revela montanhas de quase quatro metros. (NASA/Reprodução)
A Nasa divulgou na última semana uma nova foto de Plutão iluminado pelo Sol. A fotografia, feita apenas 15 minutos depois do rasante histórico da missão New Horizons sobre o planeta-anão, em 14 de julho, revela o que a agência espacial americana chamou de “crescente deslumbrante”. Visto a 18.000 quilômetros de distância, o que oferece uma resolução equivalente 700 metros por pixel, Plutão é iluminado pelo Sol e exibe detalhes de sua tênue atmosfera.
Do lado esquerdo da imagem – a face “noturna” – é possível observar as silhuetas dos planaltos acidentados do planeta-anão. À direita, a luz solar revela montanhas de até 3.500 metros, que contornam a gelada Planície Sputnik (região em forma de coração), além de algumas geleiras.
Essa é só uma das várias imagens que a Nasa está recolhendo da New Horizons. Uma versão anterior dessa fotografia mostrava apenas uma parte do brilho do Sol em Plutão. No entanto, uma equipe de astrônomos processou a ilustração para que ficasse mais nítida.
As primeiras imagens enviadas pela missão New Horizons, antes mesmo da maior aproximação, de 13.691 quilômetros da superfície de Plutão, revelaram que o seu diâmetro é de 2.370 quilômetros – 70 quilômetros a mais que o esperado. Com isso, torna-se o maior planeta-anão do Cinturão de Kuiper, região do espaço onde o planeta-anão se localiza.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

PLANETA DESCOBERTO PARECIDO COM A TERRA PODE SER O MAIS IMPORTANTE ATÉ O MOMENTO

GJ 1132bApesar das altas temperaturas, os cientistas acreditam que o GJ1132b tenha atmosfera.
Chamado GJ1132b, o novo exoplaneta descrito na revista ‘Nature’ está tão próximo da superfície terrestre que possibilitará medições inéditas em sua atmosfera
GJ 1132bApesar das altas temperaturas, os cientistas acreditam que o GJ1132b tenha atmosfera. (Dana Berry/Divulgação)
Um novo planeta parecido com a Terra situado fora do Sistema Solar foi identificado pelos astrônomos a uma proximidade inédita. A 39 anos-luz (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) da superfície terrestre, o GJ1132b está tão perto de nós (“perto” em termos astronômicos, pois nessa área as medidas costumam ser feitas em centenas de anos-luz) que possibilitará medidas na atmosfera, de massa e densidade que jamais foram feitas em um exoplaneta. Por esse motivo, o novo mundo está sendo considerado pelos cientistas como “o mais importante” planeta semelhante à Terra já encontrado.
O corpo celeste, descrito na última edição da revista Nature, está localizado na Constelação de Vela, é rochoso e está três vezes mais perto de nós que qualquer outro planeta com características semelhantes à Terra. De acordo com os astrônomos, o GJ1132b orbita uma estrela anã vermelha com um quinto do tamanho do Sol. Contudo, o planeta está tão próximo a ela que a temperatura em sua superfície pode chegar a 260°C. Isso impossibilita a retenção de água líquida e o torna inóspito para a existência de vida, mas não é quente o bastante para torná-lo incapaz de ter uma atmosfera.
“Se descobrirmos que esse planeta conseguiu ‘segurar’ sua atmosfera por bilhões de anos, isso traz bons indícios de que haja outros planetas, menos quentes, que tenham atmosferas e possam abrigar vida”, disse Zachory Berta-Thompson, pesquisador do Massachusetts Institutte of Technology (MIT) e um dos autores do estudo, em comunicado. “Finalmente temos um alvo para pontar nossos telescópios e, assim, podermos ir mais fundo na pesquisa sobre planetas rochosos.”
Alvo futuro – Para detectar o exoplaneta, os astrônomos usaram oito telescópios robóticos do Observatório de Cerro Tololo, no Chile. De acordo com os cientistas, a órbita do GJ1132b em torno de sua estrela dura 1,6 dias. Além disso, enquanto um lado do corpo celeste está à luz do dia, o outro está virado para a escuridão.
De acordo com os astrônomos, o exoplaneta será um dos principais alvos para futuras missões. Além disso, a equipe de cientistas usará os telescópios espaciais Hubble e Spitzer para observar outros detalhes do GJ1132b, como a velocidade de sues ventos ou mesmo a cor do nascer e pôr-do-sol.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

ENCELADUS CRESCENTE MAIS UM MISTÉRIO OBSERVADO EM LUA DE SATURNO

Enceladus, uma das 62 luas de Saturno
Enceladus, uma das 62 luas de Saturno (Nasa/Divulgação)
A Nasa divulgou nova foto de Enceladus, uma das luas de Saturno que mais intriga os cientistas, pois abriga um oceano sob sua superfície gelada que poderia abrigar vida
A Nasa divulgou uma foto espetacular que mostra o satélite parcialmente coberto pela sombra de Saturno, formando um belo “crescente” acima dos anéis gelados do planeta.
A foto foi feita em 29 de julho pela sonda Cassini, que desde 2004 orbita o planeta. As lentes estavam a uma distância de aproximadamente 1 milhão de quilômetros de Enceladus. De acordo com a Nasa, tanto os anéis de Saturno quanto a lua são feitos de água congelada, mas cada um tem características próprias. Enquanto os anéis do planeta são formados de partículas geladas e, geologicamente inertes, Enceladus possui forças que aquecem seu interior e conseguem manter o que os cientistas acreditam que seja um oceano sob a superfície gelada. Para os cientistas, oceanos que reúnem água na forma líquida são os lugares mais propícios para abrigar alguma forma de vida fora da Terra.
Jatos d’água – Periodicamente, o polo Sul de Enceladus emite jatos d’água, que foram objeto de uma missão da sonda Cassini. Em 28 de outubro, a sonda completou um voo rasante sobre o satélite, em que recolheu material dos jatos, o que o cientista Chris McKay, da Nasa, chamou de “amostras grátis” do oceano submerso. O objetivo principal da missão, feita em conjunto pela Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e a Agência Espacial Italiana, é verificar a quantidade de hidrogênio contido nessas gotas, que indicaria qual a energia e calor gerados pelas reações químicas que estariam ocorrendo no oceano do satélite.
<p>Vista das fraturas da superfície do polo Norte de Enceladus, lua de Saturno, em foto de 14 de outubro de 2015 feita pela sonda Cassini</p>
Enceledus: Fraturas e fissuras mostram por onde ocorre a passagem dos jatos direto para o espaço abastecendo os anéis de Saturno
Se for detectado hidrogênio e suas análises indicarem possibilidades de atividade vital, novas missões podem ser desenhadas para chegar até a Enceladus e detectar ou mesmo trazer para a Terra algumas dessas formas de vida.
Como a água é um dos ingredientes primordiais à vida na Terra, pois todas as reações químicas vitais dependem dessa substância, os cientistas acreditam que, se houver vida fora da Terra, ela poderá ser detectada em algum desses oceanos extraterrestres. Os oceanos sob a superfície congelada de Enceladus e de Europa, lua de Júpiter são as regiões mais promissoras do espaço para essa busca. Junto a elas estão Marte, que já demonstrou ter água líquida em sua superfície, e Titã, a maior lua de Saturno, que apresenta lagos de metano e uma atmosfera grossa o bastante para proteger formas de vida.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ASTRÔNOMOS ENCONTRAM A MAIOR ESTRUTURA JÁ OBSERVADA NO UNIVERSO

Aglomerado de galáxias", chamado de BOSS, pesa 10.000 vezes mais que a nossa Via Láctea e dista de 4,5 a 6,4 bilhões de anos-luz da Terra
BOSS é formada por 830 galáxias que, conectadas por gás quente, criam uma espécie de paredão com 1 bilhão de anos-luz de diâmetro (Nicholas Buer/VEJA)
Astrônomos afirmaram ter encontrado a maior estrutura de todo o universo. Trata-se de um superaglomerado de galáxias batizado de BOSS (chefe, em inglês), que dista de 4,5 a 6,4 bilhões de anos-luz da Terra. Segundo artigo publicado na revista Astronomy and Astrophysics, BOSS é formado por 830 galáxias que, conectadas por gás quente, criam uma espécie de paredão com 1 bilhão de anos-luz de diâmetro. O mapeamento dessa estrutura pode ajudar os pesquisadores a estudar a história da criação do universo.
Os pesquisadores, do Byron Oscilation Spectroscopic Survey (de onde surgiu o nome BOSS), alegam que o conglomerado é a maior estrutura já vista do universo (até onde conseguimos mapeá-lo). O paredão pesa 10.000 vezes mais que a nossa Via Láctea e é dez vezes maior que Sloan Great Wall, a estrutura recorde de tamanho até então descoberta em 2003 por pesquisadores da Sloan Digital Sky Survey.
Galáxias estão unidas umas às outras pela gravidade. Esses aglomerados se conectam com outros e formam grandes blocos de galáxias. Os blocos, por sua vez, são chamados de “paredes” e, vistos em escalas enormes, funcionam como teias cósmicas de matéria e espaços vazios.
Mesmo assim, o tamanho exato do superaglomerado é controverso. “Ainda não compreendi muito bem o motivo das conexões de tantas galáxias para chamá-las de uma única estrutura”, disse Allison Coil, da Universidade da Califórnia, em San Diego, à New Scientist.