quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

CENTENAS DE GALÁXIAS FORAM DETECTADAS ATRÁS DA VIA LÁCTEA


galáxias escondidas atrás da Via Láctea
Um local que era completamente inexplorado foi visto pela primeira vez em detalhes!
A nossa Galáxia faz o céu ficar muito mais bonito,  mas também pode atrapalhar um pouco a nossa visão do cosmos.
Os astrônomos conseguiram dar uma espiada por trás da confusão de estrelas e poeira da Via Láctea, e encontraram um jardim repleto de flores, ou melhor, uma região cheia de galáxias; um local que anteriormente era completamente inexplorado.
Mas nós não estamos falando de apenas uma ou duas galáxias. Pesquisadores aplicaram uma nova técnica de pesquisa usando o radiotelescópio Parkes com sede na Austrália, para encontrar centenas de galáxias desconhecidas.
galáxias escondidas atrás da Via Láctea

Ilustração artística das galáxias escondidas atrás do bojo central da Via Láctea. Créditos: ICRAR
"A Via Láctea é muito bonita, claro, e é muito interessante estudar a nossa própria Galáxia, mas sabemos que ela bloqueia completamente a visão das galáxias mais distantes por trás dela", disse Lister Staveley-Smith, da Universidade da Austrália Ocidental e do Centro de Pesquisas Radio Astronômicas (ICRAR).
Um total de 883 galáxias foram identificadas dentro de 250 milhões de anos-luz da Terra, um terço das quais nunca foram vistas antes. Elas estão todos localizados na "Zona de Evasão", uma região do espaço normalmente inacessíveis aos telescópios, atrás do bojo central da Via Láctea.
A equipe de Staveley-Smith está investigando a misteriosa "Grande Atração", uma região do espaço que parece estar puxando galáxias locais (incluindo a Via Láctea), com uma força gravitacional imensa, equivalente a um milhão de bilhões de sóis. Há poucas explicações satisfatórias para o fenômeno, mas observar "a parte de trás da Via Láctea" poderia adicionar uma peça fundamental nesse quebra-cabeças cósmico.
"Nós realmente não entendemos o que está causando essa aceleração gravitacional sobre a Via Láctea, ou de onde ela está vindo", disse Staveley-Smith em um comunicado de imprensa. "Sabemos que nesta região existem algumas grandes coleções de galáxias que chamamos de aglomerados ou superaglomerados, e a Via Láctea está se movendo em direção aos aglomerados a uma velocidade de mais de dois milhões de quilômetros por hora."
Sua equipe mapeou três grupos densos de galáxias (nomeados NW1, NW2 e NW3) e dois novos aglomerados de galáxias (CW1 e CW2), que podem estar contribuindo para o fluxo em grande escala das galáxias nessa direção.
Nós usamos uma variedade de técnicas, mas apenas observações de rádio conseguiram nos permitir ver através da camada mais grossa de poeira e de estrelas", disse o colaborador Renée Kraan-Korteweg da Universidade de Cape Town. "Uma galáxia média contém 100 bilhões de estrelas, portanto, encontrar centenas de novas galáxias escondidas atrás da Via Láctea é descobrir uma grande quantidade de massa que não conhecíamos até agora."Fonte: ICRAR / DSpace
Imagens: (capa-ICRAR/ilustração) / ICRAR / divulgação

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

ONDAS GRAVITACIONAIS FORAM DETECTADAS PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA


A colisão de dois buracos negros distorceu o espaço-tempo, e foi detectada aqui na Terra
As ondas gravitacionais, as ondulações cósmicas que distorcem o espaço-tempo, foram diretamente detectadas pela primeira vez na história!
Em um anúncio feito no dia 11 de fevereiro de 2016, os pesquisadores do Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO) relataram a detecção de ondas gravitacionais. O sinal captado pelo LIGO veio da colisão de dois buracos negros, e foi detectado no dia 14 de setembro de 2015 por detectores gêmeos na Louisiana e em Washington, nos EUA.
ondas gravitacionais detectadas pela primeira vez
Esta colisão cósmica enviou ondas gravitacionais que fluíram na velocidade da luz, causando ondulações no tecido do espaço-tempo, semelhante à forma como uma pedra perturba a água de uma lagoa quando é arremessada em seu centro.
Os pesquisadores disseram que a colisão ocorreu a 1,3 bilhões de anos atrás, entre buracos negros com 29 e 36 vezes mais massa do que o Sol, respectivamente. Durante o ocorrido, cerca de três vezes a massa do Sol foi convertida em ondas gravitacionais em menos de um segundo, gerando uma potência de pico de aproximadamente 50 vezes a de todo o Universo visível, segundo os cientistas.
"Nossa observação de ondas gravitacionais cumpre uma meta ambiciosa de cinco décadas, que era a de detectar esse fenômeno diretamente, e assim, compreender melhor o Universo, e claro, o legado de Einstein no 100º aniversário de sua teoria da relatividade geral", disse o diretor executivo de laboratório do LIGO, David Reitze, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA.
A detecção das ondas gravitacionais é um marco na astronomia e astrofísica. Ao contrário de ondas de luz, as ondas gravitacionais não ficam distorcidas ou alteradas por interações com a matéria, enquanto se propagam pelo espaço. Ela carregam a informação "pura" sobre os objetos e eventos que os criaram, de acordo com pesquisadores do LIGO.
localização dos buracos negros que colidiram
Provável localização dos buracos negros que se colidiram. Créditos: National Science Foundation
"Com esta forma completamente nova de examinar objetos e fenômenos astrofísicos, as ondas gravitacionais irão nos ajudar a abrir uma nova janela sobre o Universo, fornecendo aos astrônomos os seus primeiros vislumbres de maravilhas inéditas e invisíveis, aumentando grandiosamente a nossa compreensão da natureza do espaço e do tempo em si ", escreveram os membros da equipe LIGO em uma descrição on-line do projeto.
As ondas gravitacionais foram inicialmente previstas por Albert Einstein em sua famosa teoria da relatividade geral de 1916. Um dos pontos-chave da relatividade geral diz que o espaço e o tempo não são duas coisas separadas, mas sim estão ligados entre si em um único tecido: o espaço-tempo. Objetos maciços, como estrelas, esticam e curvam este tecido, assim como uma bola de boliche distorce uma lona. Isso faz com que objetos (como planetas) e até mesmo a luz, tomem percorram caminhos curvos em torno desses corpos mais massivos.
As ondas gravitacionais afetam este tecido, causando distorções no espaço-tempo. Estudos anteriores confirmaram a existência de ondas gravitacionais, que são geradas pela aceleração (ou desaceleração) de objetos maciços, mas através de métodos indiretos. A descoberta do LIGO é a primeira detecção direta desse fenômeno enigmático.
A detecção das ondas gravitacionais
O observatório LIGO pode detectar ondas gravitacionais relativamente fortes, que são criadas por acontecimentos dramáticos, como dois buracos negros que se encontram numa colisão, ou fusões de estrelas de nêutrons. O detector também pode encontrar ondas gravitacionais geradas por uma explosão de estrela, conhecida como supernova, segundo os pesquisadores.
Distinguir essas ondulações no espaço-tempo é um grande desafio. Como uma onda gravitacional passa através da Terra, e espreme o espaço em uma direção e estende-o em outra, o LIGO observa essa curvatura do espaço-tempo usando dois detectores em forma de L, sendo um localizado na Louisiana, e o outro em Washington.
Cada braço de cada detector tem 4 km de comprimento. Perto do ponto em que os dois braços se encontram, um impulso de luz de laser é lançado para baixo de cada braço simultaneamente. Os pulsos viajam por essas extremidades e saltam para fora, num espelho na extremidade, e depois voltam perto do ponto de partida.
Se uma onda gravitacional passa, ela vai comprimir um braço do detector e esticar o outro. Como resultado, o feixe de luz que viaja para baixo do braço esticado vai demorar um pouco mais para voltar ao ponto de partida do que o feixe de luz que viaja no braço que foi comprimido. Se o mesmo sinal é visto por ambos os detectores, os pesquisadores podem ter certeza de que o sinal é real, e não o resultado de condições ambientais em um dos locais. Gravar o sinal em dois locais diferentes também permite aos cientistas encontrar a fonte da onda gravitacional no céu por triangulação.
Apesar disso,a mudança no comprimento de cada braço é muito menor do que a largura de um núcleo atômico. Se o detector LIGO se estendesse desde o Sol até a estrela mais próxima, a Proxima Centauri, localizada a 40,14 trilhões de km de distância, uma onda gravitacional iria encolher o detector na largura de apenas um fio de cabelo humano, disse um dos cientistas responsáveis pela descoberta.
detecção das ondas gravitacionais - dados
Gráfico nos mostra a detecção das ondas gravitacionais feita pelos dois observatórios LIGO.
Créditos: National Space Foundation
Esta não é a primeira vez que as ondas gravitacionais ganham as manchetes do mundo. Em 2014, pesquisadores usaram o telescópio BICEP2 na Antártida, e anunciaram a detecção de assinaturas de ondas gravitacionais à luz microondas que sobrou do Big Bang (conhecida como radiação cósmica de fundo). Mas esse resultado se desfez quando as observações do observatório espacial Planck da Europa mostrou que as alegadas assinaturas foram, provavelmente, apenas poeira espacial.
A alegação da equipe LIGO de detecção direta de ondas gravitacionais, muito provavelmente será submetida a uma intensa pesquisa antes de ser aceita por toda a comunidade científica. Não existem outros experimentos que medem o mesmo tipo de ondas gravitacionais com a sensibilidade do LIGO, portanto, atualmente não há outra maneira de comparar os resultados em outro experimento.
O LIGO é operado por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia e do MIT, e é financiado pelo Fundação Nacional de Ciência dos EUA, com 83 instituições em 15 países.
Fonte: Space / Physical Review Letters
Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / Karl Tate / National Science Foundation / LIGO / National Space Foundation

sábado, 13 de fevereiro de 2016

MONTANHAS FLUTUANTES SÃO OBSERVADAS EM PLUTÃO

Sputnik Planum - icebergs em Plutão
Icebergs em Plutão: Plutão está ficando cada vez mais interessante
A NASA publicou novas imagens, de regiões que a própria Agência Espacial descreveu como "Montanhas Flutuantes", ou icebergs maciços que estão basicamente à deriva em um mar de nitrogênio congelado.
Essas montanhas flutuantes em Plutão podem ter muitos quilômetros de diâmetro, e estão localizadas na região chamada Sputnik Planum, que são as planícies geladas localizadas dentro da famosa região em forma de coração:
icebergs em Plutão
Sputnik Planum - icebergs em PlutãoRegião de Sputnik Planum, onde as montanhas de gelo estão localizadas.Créditos: NASA / SWRI
Este local é o lar de geleiras e de diversas colinas congeladas, que segundo a NASA, poderiam ser fragmentos de gelo de água das terras altas mais próximas.
"Como o gelo de água é menos denso do que o gelo de nitrogênio, os cientistas acreditam que estes montes de gelo de água estão flutuando em um mar de nitrogênio congelado, movendo-se ao longo do tempo, assim como fazem os icebergs nos pólos da Terra", disse a NASA em um comunicado.
"Quando esses icebergs entram no terreno central de Sputnik Planum, eles ficam sujeitos aos movimentos de convecção do gelo de nitrogênio, e são empurrados para as margens, onde os grupos de icebergs se concentram, atingindo até 20 quilômetros de espessura", disse a NASA.
grupos de icebergs encalhados em Plutão
Grupos de icebergs encalhados em Plutão. Alguns agrupamentos de icebergs em Sputnik Planum.
Créditos: NASA / SWRI
Um grande aglomerado em especial, que cobre uma distância de cerca de 60 km por 35 km, parece ser formado por colinas congeladas que ficaram encalhadas em uma área rasa do rio de nitrogênio. A área foi apelidada de Challenger Colles, em honra ao ônibus espacial Challenger, que explodiu logo após a decolagem em 28 de janeiro de 1986.
Challenger Colles - icebergs encalhados em Plutão
Challenger Colles - icebergs encalhados em Plutão
Área nomeada Challenger Colles, onde ficam os icebergs encalhados.
Créditos: NASA / SWRI
Segundo a agência espacial, as fotos dessa região de Plutão foram tiradas pela Câmera de Imageamento Multi-espectral e Visível, a bordo da sonda New Horizons, a uma distância de 16.000 km, no dia 14 de julho de 2015, pouco antes da maior aproximação entre a sonda e o planeta anão.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ALGO ESTRANHO ESTÁ ACONTECENDO NO LOCAL DE POUSO DA SONDA CURIOSITY EM MARTE

local de pouso sonda Curiosity em MarteLocal de pouso sonda Curiosity em Marte;Tais reações nunca foram observadas antes em outros locais de pouso
A sonda Curiosity da NASA pousou em Marte em agosto de 2012, e essa aterrissagem dramática aconteceu na Cratera Gale. Nos estágios finais de sua descida ousada, a plataforma de foguetes de pouso, conhecida como "sky crane" criou uma explosão na superfície do Planeta Vermelho, a fim de concretizar um pouso controlado. Isso fez com que manchas escuras fossem esculpidas na superfície empoeirada do local de pouso, o que é o esperado.
Ao longo dos meses e anos após o "desembarque", câmeras do HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo do orbitador Mars Reconnaissance estão acompanhando o local de pouso da sonda, para manter o controle sobre mudanças em torno da área de pouso da Curiosity, que ganhou o nome de "Bradbury Landing", o primeiro local de Marte que foi tocado pela sonda e seu pára-quedas.
Depois de deixar uma cicatriz escura no regolito marciano, é comum que ao longo do tempo, a área escurecida pelos foguetes, lentamente volte ao seu estado natural. Porém, imagens recentes mostram que essas cicatrizes de pouso estão se comportando de forma diferente, até então desconhecida da superfície dinâmica de Marte. Como pode ser visto na animação, a mancha escura do local de pouso começou a ficar mais clara, mas depois de algum tempo, está escurecendo novamente.
superfície de Marte em estranha reação

A sequência de imagens mostra a região de pouso escurecida pelos foguetes, em agosto de 2012, e como foram suas mudanças nos 30 meses subsequentes. Créditos: NASA / JPL-Caltech / Univ. do Arizona / HiRISE
"Naves espaciais como a Curiosity criam esses padrões, fazendo com que a superfície empoeirada fique escura por conta dos foguetes de pouso", disse Ingrid Daubar, cientista da equipe HiRISE no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. "Nós esperávamos que o vento e a poeira fossem fazer essa mancha de pouso desaparecer após alguns meses, mas ficamos muito surpresos ao ver que essa mudança não ocorreu de forma consistente".
Estas observações são úteis para as próximas missões à Marte, como a InSight, que será lançada em 2016, e que terá como um de seus objetivos principais, a detecção do calor que viaja na superfície do Planeta Vermelho.
Esse estranho escurecimento na superfície de Marte deve ser estudado com cautela pelos cientistas planetários. Se a superfície tem uma certa facilidade de escurecimento, ela vai absorver mais luz solar, e com isso, sua temperatura aumenta, e vice-versa. As observações da InSight, assim como de outras sondas, devem levar essa fato em consideração, e com isso, permitir uma compreensão melhor de nosso intrigante vizinho espacial.
Fonte: NASA / JPL / HiRISE
Imagens: HiRISE / JPL-Caltech / NASA / Univ. do Arizona

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CIENTISTA REVELA EVIDÊNCIAS DE VIDA EM MARTE; MAS CAUSA POLÊMICA DENTRO DA NASA


Existem ou não evidências biológicas no Planeta Vermelho?
Os cientistas da equipe Curiosity colocaram em pauta um relatório recente sobre potenciais icnofósseis vistos em imagens feitas pela sonda Curiosity da NASA, nas rochas Gillespie, em Marte. A publicação desse assunto gerou muita controvérsia, e por isso, a revista Astrobiology estendeu a mão para a equipe e para o autor do estudo, pedindo que eles comentassem sobre o assunto, e quem sabe, trouxessem informações adicionais.
Em um artigo publicado no mês passado na revista Astrobiology, a geobióloga Nora Noffke chamou a atenção para os indícios que podem ser observados em rochas marcianas, que sugerem uma impressionante semelhança com traços de fósseis de tapetes microbianos da Terra.
Mas nem todos concordaram com a sua interpretação, como por exemplo o cientista projetistas da sonda Curiosity, Ashwin Vasavada. Ele explicou a outros meios de comunicação que a equipe avaliou as características e, segundo eles, seriam traços não-biológicos, que foram provavelmente moldados pela erosão ou pela passagem de areia e água. Ashwin também indagou a decisão de se levantar um relatório sobre tal questão.
A revista Astrobiology pediu ajuda para outros integrantes da missão Curiosity, e para alguns profissionais da área, permitindo que todos dessem suas opiniões a cerca desse assunto tão polêmico.
Região de Yellowknife Bay, em Marte
Região de Yellowknife Bay, em Marte
Mosaico de imagens feitas pela sonda Curiosity mostra a região de Yellowknife Bay, incluindo o Lago Gillespie. Créditos: NASA / JPL-Caltech / MSSS
"Estou intrigado com o tema, porém cético quanto a interpretação", disse Jack Farmer, um geobiólogo da Universidade do Arizona e membro da equipe Curiosity. "Queremos que a ciência seja orientada por hipóteses, mas devemos sempre nos esforçar para refutar nossas próprias hipóteses", acrescentou. "Precisamos de muitas evidências para dizer que os recursos tenham origem biológica"
 Linda Kah, uma geobióloga da Universidade do Tennessee e co-investigadora da equipa Curiosity, disse que a equipe investiga cuidadosamente todos os detalhes, e que as rochas de Gillespie não têm nada que não possa ser explicado através de processos não biológicos.
No entanto, Nora Noffke argumenta que seu relatório mostra as explicações não-biológicas para essas estruturas, mas também explica por que as evidências apontam para uma possível origem biológica.
Ela também observa que os padrões de distribuição de estruturas microbianas na Terra variam dependendo de onde eles são encontrados, e também mudam ao longo do tempo. Ela argumentou que os padrões de distribuição das estruturas marcianas são consistentes com os padrões de estruturas microbianas na Terra.
"Mais uma vez, eu não tenho a pretensão de ter encontrado vida fóssil em Marte", disse ela. "Meu papel é enquadrar e estudar essa hipótese, e só ir tão longe quanto os dados me permitem".
rochas Gillespie em Marte
rochas Gillespie em Marte
Rochas do Lago Gillespie, na formação de Yellowknife Bay, em Marte.
Créditos: NASA
A decisão de publicar o artigo e de mencionar "hipótese de vida microbiana em Marte" causou um certo desconforto entre os integrantes da equipe da missão Curiosity. "Ficamos surpresos que uma publicação tão ousada foi parar na literatura científica", disse Ashwin. "Ela é interessante, mas não a ponto de ser descrita num documento que tem tanto alcance".
Afinal, a publicação tem ou não evidências concretas? Qual a conclusão final?
A revista Astrobiology pediu ajuda do Journal Astrobiology (que não tem ligação com ela), para que eles fornecessem uma visão mais profunda sobre o assunto.
Sua editora editora-chefe, Sherry Cady, é uma biogeoquímica e especialista em interação de micróbios em sedimentos. Ela também serve como cientista-chefe do Laboratório National Pacific Northwest e de um centro de pesquisas em Richland, em Washington.
selfie da sonda Curiosity em Marte
selfie da sonda Curiosity em Marte
Auto-retrato da sonda robótica Curiosity inclui uma vista panorâmica de
Yellowknife Bay, na região do Planeta Vermelho conhecida Cratera Gale.
Créditos: NASA / Curiosity 
Ela comentou: "O processo de revisão dessa polêmica publicação foi profundo, com os mais altos padrões de qualidade e veracidade. O manuscrito original foi enviado para cinco juízes experientes e especialistas na área. O papel passou por quatro revisões finais, até que tudo fosse verificado. O documento foi então editado e revisado novamente por mim e pelo editor sênior, Norm Sleep".
"O trabalho de Nora Noffke propõe uma hipótese testável, com base em três linhas de evidência, com imagens que mostram suas particularidades", acrescentou Sherry. "Especialistas na área que desejam esclarecer questões do conteúdo científico de trabalhos publicados na Astrobiology, estão livres para apresentarem suas observações para publicação na revista".
"Desta forma, os cientistas da missão, assim como peritos de todo mundo, podem juntar esforços para contribuir com a ciência de maneira significativa", completou Sherry.
Ao que parece, esse assunto não terá uma conclusão aceita por todos, pelo menos não tão logo.Mas tudo bem, afinal, é assim que a ciência é feita.
Fonte: Space / Astrobiology Magazine / Journal of Astrobiology
Imagens: NASA / JPL-Caltech / MSSS / Curiosity

domingo, 7 de fevereiro de 2016

GRANDE NUVEM DE MAGALHÃES: 3 OBJETOS EXTERNOS FORAM DETECTADOS PELA PRIMEIRA VEZ


A Grande Nuvem de Magalhães é uma verdadeira caixinha de surpresas
Uma equipe de astrônomos que trabalha nos Telescópios High Energy Stereoscopic Systems (HESS) fez uma descoberta empolgante, e inédita! Eles encontraram 3 fontes de raios-gama extremamente luminosas na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã satélite da Via Láctea. A grande descoberta nos revela 3 diferentes objetos: o mais poderoso pulsar; o maior remanescente de supernova de vento de pulsar e uma bolha de 270 anos-luz de diâmetro repleta de estrelas e supernovas, chamada de Super-bolha.
Segundo o professor Sergio Colafrancesco, da escola de Física de Wits, essa descoberta representa um avanço muito importante para a ciência, e abre caminho para o estudo de galáxias externas através de telescópios, como o Cherenkov Telescope Array (CTA), no deserto da Namíbia, que permitirá o estudo da evolução das galáxias, suas estruturas e seus ciclos de vida.
Raios gama de alta energia são os melhores indícios de aceleradores cósmicos, como remanescentes de supernovas e de nebulosas de ventos de pulsares, que são produtos finais de estrelas de grande massa, onde as partículas carregadas são aceleradas a velocidades extremas. Quando estas partículas encontram luz ou gás em torno dos aceleradores cósmicos, elas emitem raios gama.
A Grande Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã satélite da Via Láctea, localizada a cerca de 170.000 anos-luz de distância, facilmente observável no céu noturno. Ela é uma galáxia com uma taxa elevada de formação de estrelas massivas, e abriga inúmeros aglomerados estelares maciços. A taxa de supernovas na Grande Nuvem de Magalhães chega a ser 5 vezes maior do que a da Via Láctea, por isso os cientistas priorizam essa galáxia vizinha na busca por raios gama de alta energia.

descoberta na Grande Nuvem de Magalhães Créditos: HESS         
Num total de 210 horas, o HESS observou a maior região de formação de estrelas dentro da Grande Nuvem de Magalhães, que é conhecida como Nebulosa da Tarântula. Pela primeira vez foram observadas fontes individuais de raios gama de alta energia em outra galáxia, e com isso, três objetos extremamente energéticos de diferentes tipos foram detectados.
A chamada Superbolha 30 Dor C é a maior concha de emissão de raios já conhecida, feita por várias supernovas, estrelas e fortes ventos estelares. Acredita-se inclusive, que as superbolhas sejam responsáveis pela criação de raios cósmicos galáticos. O HESS demonstrou que essas bolhas são grandes fontes de partículas altamente energéticas.
Pulsares são estrelas de nêutrons altamente magnetizadas em alta rotação, que emitem um vento de partículas ultra-relativistas. O mais famoso pulsar localiza-se na Nebulosa do Caranguejo, uma das fontes mais brilhantes de raios gama de alta energia que podemos encontrar no céu.
O pulsar PSR J0537?6910 responsável pela nebulosa de vento de pulsar N 157B, descoberta na Grande Nuvem de Magalhães com os Telescópios HESS, é em muitos aspectos, um irmão gêmeo da Nebulosa de Caranguejo em nossa pró´ria galáxia. No entanto, a nebulosa de vento de pulsar N 157B ofusca a Nebulosa do Caranguejo por uma ordem de magnitude, principalmente com seus raios gama de alta energia.
O remanescente de supernova N 132d, conhecido como um objeto brilhante quando observado em ondas de rádio e infravermelho, parece ser um dos mais antigos remanescentes de supernova de seu tipo. Ele existe há cerca de 2.500 ou 6.000 anos, e supera os fortes remanescentes de supernovas em nossa galáxia. As observações confirmam as suspeitas de que os restos de supernovas podem ser muito mais brilhantes do que se pensava.
Em um futuro não tão distante, o grande Telescópio Cherenkov Array (CTA) irá fornecer imagens ainda mais precisas e de maior resolução, mostrando as fontes de raios gama da Grande Nuvem de Magalhães, a nossa vizinha que nos intriga a cada observação.
Fonte: DailyGalaxy / University of Witwatersrand
Imagens: (capa-HESS) / HESS / University of Witwatersrand

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

NASA DIVULGA VÍDEO DO PLANETA ANÃO CERES OBTIDA DE IMAGENS DA SONDA DAWN

vídeo espetacular de sobrevoo em Ceres
 A equipe de câmera do Centro Espacial Alemão, DLR, utilizou imagens obtidas pela sonda Dawn, que foram aprimoradas para revelar detalhes fantásticos de Ceres! O vídeo é uma animação, mas foi montado a partir de imagens reais, feitas na órbita de mapeamento da sonda, a uma altitude de 1.450 quilômetros acima da superfície do planeta anão. Prepare-se para ver um mundo incrível, e repleto de detalhes fantásticos!
Um sobrevoo rasante com alguns km de altura mostram crateras e a superfície irregular do planeta anão Ceres.
"O espectador pode observar as paredes escarpadas da cratera Occator, e também Dantu e Yalode, onde as crateras são mais rasas", disse Ralf Jaumann, cientista da missão Dawn.
Após o grande encontro da sonda Dawn, tivemos grandes vídeos de sobrevoos em Ceres, mas nenhum deles conseguiu alcançar esse nível tão cinematográfico. E o melhor: as imagens são todas reais! Podemos ver claramente os famosos pontos brilhantes em sua superfície. Além disso, a música foi perfeitamente escolhida, criando uma interação de imagem e som fantástica. Uma verdadeira obra de arte!
A cor foi melhorada, a fim de destacar as diferenças sutis na aparência e nos materiais de superfície. No novo vídeo, as áreas com tons marrons na superfície de Ceres indicam a presença de filossilicatos (tipicamente encontrados na argila), enquanto tons azuis destacam regiões mais jovens, onde a superfície pode ter mudado recentemente devido a fluxos de gelo ou outros materiais, bem como fossas e fissuras, segundo a Nasa.
Ceres possui 974 quilômetros de diâmetro, sendo o maior objeto localizado no Cinturão de Asteroides, entre Marte e Júpiter. Muitas vezes ele é referido como asteroide, mas o termo correto é planeta anão. Como resultado, a sonda Dawn ganhou o título de ser a primeira espaçonave a visitar um planeta anão.Fonte: NASA
Imagens: (capa-divulgação/NASA/JPL) / DLR / NASA / JPL-Caltech / UCLA

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PICTOR A: OBSERVAÇÃO DE EXPLOSÃO DE BURACO NEGRO EM UMA GALÁXIA DISTANTE

A franquia Star Wars tem caracterizado o fictício "Estrela da Morte", que pode disparar raios poderosos de radiação no espaço. O Universo, no entanto, produz fenômenos que muitas vezes ultrapassam o que a ficção científica pode conjurar.
Um jato gigante que mede continuamente por mais de 300.000 anos-luz é vista explodir para fora da galáxia Pictor A.
Uma nova imagem composta mostra este jato de raios-X (azul) e ondas de rádio (vermelho).
Além do jacto principal, existe evidência para um jacto move-se na direção oposta.
Observações do Chandra em vários momentos ao longo de um período de 15 anos fornecer novos detalhes deste sistema impressionante.
O Pictor Uma galáxia é um tal objeto impressionante. Esta galáxia, localizado cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra, contém um buraco negro supermassivo em seu centro. Uma enorme quantidade de energia gravitacional é liberado como material de redemoinhos em direção ao horizonte de eventos, a ponto de não haver retorno para o material . Esta energia produz um enorme feixe, ou jato, de partículas viajando quase à velocidade da luz no espaço intergaláctico.
Para obter imagens desta jato, os cientistas usaram da NASA Observatório de raios-X Chandra em vários momentos ao longo de 15 anos. Dados de raios-X de Chandra (azul) foram combinadas com rádio de dados a partir da matriz Austrália Telescope Compact (vermelho) nesta imagem composta nova.
Ao estudar os detalhes da estrutura visto em ambos os raios-X e ondas de rádio, os cientistas procuram ganhar uma compreensão mais profunda dessas enormes explosões colimados.
O jato [à direita] no Pictor Uma é a que está mais próxima de nós. Ele exibe contínua emissão de raios-X a uma distância de 300.000 anos-luz. Em comparação, toda a Via Láctea é cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro. Por causa de sua relativa proximidade e capacidade de Chandra para fazer imagens detalhadas de raios-X, os cientistas podem olhar para características detalhadas do jato e testar idéias de como a emissão de raios-X é produzido.
Além do jacto proeminente visto que aponta para a direita na imagem, os investigadores relatam evidência para um outro jacto apontando na direcção oposta, conhecido como um "counterjet". Embora a prova experimental para este counterjet havia sido relatado, estes novos dados do Chandra confirmar a sua existência. A fraqueza relativa do counterjet em comparação com o jacto é provavelmente devido ao movimento do counterjet distância a partir da linha de visão para a terra.
Pictora
A imagem rotulada mostra a localização do buraco negro supermassivo, o jato eo counterjet. Também rotulado é um "lobo rádio" onde o jato está empurrando em torno de gás e um "hotspot" causado pelas ondas de choque - semelhante ao estrondos sônicos de um avião supersônico - perto da ponta do jato.
As propriedades detalhadas do jato e counterjet observado com Chandra mostram que a sua emissão de raios-X provavelmente vem dos elétrons em espiral em torno linhas do campo magnético, um processo chamado emissão de sincrotrão. Neste caso, os electrões devem ser continuamente re-acelerado à medida que avançam ao longo do jacto. Como isto ocorre não é bem compreendida
Os pesquisadores descartou um mecanismo diferente para a produção de emissão de raios X do jato. Nesse cenário, os elétrons voando para longe do buraco negro no jet perto da velocidade da luz movimento através do mar da radiação cósmica de fundo (CMB) que sobraram da primeira fase quente do Universo depois do Big Bang. Quando um elétron em movimento rápido colide com um destes CMB fótons, pode-se aumentar a energia do fóton para a banda de raios-X.
O brilho de raios-X do jacto depende da potência no feixe de electrões e a intensidade da radiação de fundo. A luminosidade relativa dos raios-X vindos do jato e counterjet em Pictor A,  não coincidir com o que está previsto para este processo que envolve a CMB, e efetivamente eliminá-lo como fonte de produção de raios-X no jato.
Um papel que descreve estes resultados serão publicados no Monthly Notices da Royal Astronomical Society e está disponível on-line. Os autores são Martin Hardcastle, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, Emil Lenc da Universidade de Sydney, na Austrália, Mark Birkinshaw, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, Judith Croston da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Joanna Goodger do Universidade de Hertfordshire, Herman Marshall, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, MA, Eric Perlman, do Instituto de Flórida de Tecnologia, Aneta Siemiginowska a partir do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, em Cambridge, MA, Lukasz Stawarz da Universidade Jagiellonian na Polónia e Diana Worrall, da Universidade de Bristol.
Marshall Space Flight Center da NASA, em Huntsville, Alabama, gerencia o programa Chandra para a Ciência Missão Direcção da NASA em Washington. O Observatório Astrofísico Smithsonian em Cambridge, Massachusetts, controla as operações científicas e de voo de Chandra.
Fatos para Pictor A:
Crédito Raio-X: NASA / CXC / Univ of Hertfordshire / M.Hardcastle et al, Radio:. CSIRO / ATNF / ATCA
Data de lançamento 2 de fevereiro de 2016
Escala A imagem é 10 arcmin todo (cerca de 1,4 milhões de anos luz)
Categoria Quasares e galáxias ativas
Coordenadas (J2000) RA 49.70s 05h 19m | Dezembro -45 ° 46 '45 "
Constelação Pictor
Data de Observação 14 pointings entre janeiro 2000 e janeiro 2015
Observação Tempo 128 horas 53 min (5 dias 8 horas 53 min)
Obs. Identidade 346, 3090, 4369, 12039, 12040, 11586, 14357, 14221, 15580, 15593, 14222, 14223, 16478, 17574
Instrumento ACIS
Referências . Hardcastle, M. et al, 2016, MNRAS, 455, 3526; arXiv: 1.510,08392
Código de cores Raios-X (azul), Rádio (vermelho)
Rádio e raio X
Distância Estimada  Cerca de 480 milhões de anos luz (z = 0,035)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CIENTISTAS AFIRMAM TER ENCONTRADO O MAIOR SISTEMA SOLAR DO UNIVERSO

Concepção artística do planeta 2MASS J2126-8140 que orbita ao redor da TYC 9486-927-1
Um grupo de cientistas descobriu o maior sistema solar do universo já conhecido, formado por um planeta e uma estrela -- separados por bilhões de quilômetros de distância. As informações são de fontes acadêmicas da Universidade Nacional Australiana.
Os dois corpos estão separados por uma distância equivalente a 6,9 mil unidades astronômicas --uma unidade astronômica equivale à distância entre a Terra e o Sol. Ou seja, um trilhão de quilômetros, segundo um comunicado da universidade.
Esta distância é "aproximadamente três vezes superior" à do que era considerado, até agora, o maior sistema solar existente
O planeta, conhecido como 2MASS J2126-8140, leva cerca de um milhão de anos terrestres para completar uma volta em torno da estrela anã chamada TYC 9486-927-1.
O planeta formado por gás tem massa 12 a 15 vezes superior à de Júpiter.
"Surpreendeu-nos muito encontrar um objeto de massa baixa [o planeta] tão longe da sua estrela mãe", comentou Simon Murphy, da Faculdade de Astronomia e Astrofísica da universidade australiana.
O astrônomo Murphy e seus colegas notaram a relação entre o planeta e a estrela após perceberem que os dois astros se localizavam a 100 anos-luz da Terra. Análises seguintes mostraram que eles se moviam juntos.
Cientistas não sabem ao certo como o sistema solar pode ter se formado. "Não é provável que ele tenha se formado como o nosso sistema solar, de um grande disco de poeira e gás", disse Murphy.
A equipe de cientistas acredita que o sistema solar seja relativamente jovem e tenha surgido entre 10 a 45 milhões de anos atrás, em comparação com o nosso sistema solar, que tem cerca de 4,5 bilhões de anos. (Com as agências internacionais)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

UMA MISTERIOSA ESTRUTURA ESPACIAL INVISÍVEL QUE INTRIGA ASTRÔNOMOS

Ilustração mostra como seria a matéria transparente encontrada por cientistas
Ilustração mostra como seria a matéria transparente encontrada por cientistas
Com ajuda do telescópio gigante CSIRO, o astrônomo australiano Keith Bannister passou a vasculhar o céu todas as noites em busca de uma fonte eletromagnética na constelação de Sagitário.
Ele procurava por algo na Via Láctea o que fosse como uma lente transparente que distorcesse o que estava atrás dela.
E, assim, acabou encontrando uma gigantesca estrutura invisível, cuja existência só havia sido insinuada em algumas poucas ocasiões e por acidente.
Uma entidade transparente que flutua em nossa galáxia e que poderia ser a chave para resolver um dos grandes mistérios do universo.
"Para começar, não tínhamos ideia de como encontrar essa coisa. Só sabíamos que era um velho problema e que ninguém havia conseguido resolver de fato", conta Bannister.
Trata-se de uma massa do tamanho da órbita da Terra ao redor do Sol e que pode estar a cerca de 3 mil anos-luz de distância.
Segundo Bannister, esses "vultos" estão no fino gás que está entre as estrelas de nossa galáxia.
"São como uma taça de vidro. Se olhar através deles, o que está atrás fica distorcido", acrescenta.
A descoberta
A primeira vez que se tomou conhecimento destas estruturas foi nos anos 1980. Astrônomos observavam diariamente uma galáxia distante e viram como ela se comportava de uma forma estranha.
"Ela ficava mais e menos brilhante", conta Bannister. "No fim, não era a galáxia que se comportava assim, mas algo que estava em nossa galáxia e que funcionava como uma lente."
Alex Cherney/BBC
Estrutura misteriosa foi detectada pela primeira vez há 30 anos
O tempo passou, a tecnologia avançou, e esta equipe de cientistas australianos - que não trabalhou com os pesquisadores de 30 anos atrás - "caçou" um destes corpos estranhos.
Seu descobrimento foi publicado neste mês na revista Science. "Isso podia mudar radicalmente as ideias que temos sobre este gás interestelar", diz Bannister.
"Tudo depende do que descobriremos a seguir e da forma exata que tenha."
Se a estrutura for lisa, como uma folha de papel, não será tão relevante. Mas, se for oval, como uma avelã...
"Se tiver esta forma e isso se dever à gravidade, isso poderia ser a solução de um dos grandes problemas da astronomia, que é onde está toda a matéria normal do universo", explica o astrônomo.
Na astronomia, há ao menos dois problemas não solucionados: um é a matéria escura e outro é a matéria bariônica.
"E isso não é matéria escura", garante Bannister.
'Grande experiência'
"Os astrônomos pensam que 4% do universo é composto por essência, átomos das coisas com as quais somos feitos, você, eu, a Terra, o Sol... coisas normais", explica.
"O problema é que nós, astrônomos, não podemos encontrar essas coisas normais que pensamos que devem estar por aí. Estão perdidas, e não sabemos onde", destaca.
Se a estrutura que acabam de descobrir tiver a forma de uma avelã ou de uma bola de tênis, então, é provável que toda essa essência ou bárions estejam escondidas dentro destas lentes.
Mas Bannister está cauteloso. "Não estou seguro de nada até que consigamos medi-la."
Por enquanto, ele desfruta da satisfação de ter encontrado essa estrutura que deixam muitos astrônomos, inclusive ele, desconcertados.
"Tenho três filhos e, todo dia, íamos para o telescópio e eu ficava recebendo os dados com meus filhos sentados em meu colo. Eles me perguntavam o que estava acontecendo, e eu mostrava para eles a informação, que eles não compreendiam", relata.
"Mas eu estava emocionado, e eles estavam emocionados por causa dos belos dados que o telescópio nos estava oferecendo. Isso foi uma grande experiência."