domingo, 13 de setembro de 2015

BURACOS NEGROS SUPERMASSIVOS PRÓXIMOS DA TERRA SÃO DESCOBERTOS

Usando o Telescópio Espacial Hubble, da NASA, astrônomos descobriram que Markarian 231 (Mrk 231), a galáxia mais próxima da Terra com um quasar, é alimentada por dois buracos negros centrais que giram furiosamente um sobre o outro. A novidade foi publicada no “The Astrophysical Journal. A descoberta sugere que os quasares – os núcleos brilhantes das galáxias ativas – podem frequentemente sediar dois buracos negros supermassivos centrais que giram um ao redor do outro, como resultado da fusão entre duas galáxias. Como um par de patinadores, a dupla de buracos negros gera enormes quantidades de energia, o que faz com que o núcleo da galáxia hospedeira ofusque o brilho da população de bilhões de estrelas da galáxia, o que os cientistas identificam como quasares.
Os cientistas analisaram arquivos de observações do Hubble da radiação ultravioleta emitida do centro de Mrk 231 para descobrir o que eles descrevem como “propriedades extremas e surpreendentes. Se apenas um buraco negro estivesse presente no centro do quasar, todo o disco de acreção feito do gás quente que existe ao redor brilharia em raios ultravioletas. Em vez disso, o brilho ultravioleta do disco de poeira cai abruptamente em direção ao centro. Isso fornece evidências observacionais que o disco tem um grande buraco – como o de uma rosquinha – que rodeia o buraco negro central. A melhor explicação para os dados de observação, com base em modelos dinâmicos, é que o centro do disco é esculpido pela ação de dois buracos negros que orbitam entre si. O segundo e menor buraco negro orbita na borda interna do disco de acreção e tem seu próprio mini-disco com um brilho ultravioleta.
Novos métodos de pesquisa de buracos negros
“Estamos muito animados com esse achado, porque não só mostra a existência de um buraco negro binário perto de Mrk 231, mas também abre uma nova maneira de pesquisar sistematicamente buracos negros binários via a natureza de sua emissão de luz ultravioleta”, disse Youjun Lu, dos Observatórios Astronômicos Nacionais da China, da Academia Chinesa de Ciências. A estrutura do nosso universo, como aquelas galáxias gigantes e aglomerados de galáxias, cresce através da fusão de sistemas menores em outros maiores, e os buracos negros binários são consequências naturais dessas fusões de galáxias”, acrescenta o copesquisador Xinyu Dai, da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos.
Estima-se que o buraco negro central tenha 150 milhões de vezes a massa do nosso sol, e o seu companheiro tenha outras 4 milhões de massas solares. A dupla dinâmica completa uma órbita em torno de si a cada 1,2 anos. O buraco negro de menor massa é o remanescente de uma galáxia menor que se fundiu com Mrk 231. A evidência de uma fusão recente vem da assimetria da galáxia hospedeira, e as longas caudas de maré de jovens estrelas azuis.
O resultado da fusão tem sido fazer da Mrk 231 uma galáxia altamente energética, com uma taxa de formação estelar 100 vezes maior do que a nossa Via Láctea. Os gases que caem no buraco negro o alimentam, provocando fluxos de saída e de turbulência que incitam essa tempestade de nascimento de estrelas. A previsão é de que os buracos negros binários espiralem juntos e colidam dentro de algumas centenas de milhares de anos. Mrk 231 está localizado a 600 milhões de anos-luz de distância da Terra.
Fonte: Phys.org

sábado, 12 de setembro de 2015

GÊMEO DE JÚPITER DESCOBERTO EM TORNO DE GÊMEA DO SOL


Uma equipe internacional de astrônomos utilizou o telescópio de 3,6 metros do ESO para identificar um planeta como Júpiter a orbitar uma estrela do tipo do Sol, HIP 11915, à mesma distância da estrela que Júpiter do Sol. De acordo com as teorias atuais, a formação de planetas com a massa de Júpiter desempenha um papel importante na arquitetura de sistemas planetários. A existência de um planeta com a mesma massa e numa órbita semelhante à de Júpiter em torno de uma estrela do tipo do Sol abre a possibilidade de que o sistema planetário em torno desta estrela seja semelhante ao nosso próprio Sistema Solar. HIP 11915 tem aproximadamente a mesma idade que o Sol e, adicionalmente, a sua composição semelhante à do Sol sugere que possam existir também planetas rochosos em órbitas mais próximas da estrela.
Até agora, os rastreios de exoplanetas têm sido mais sensíveis a sistemas planetários que são povoados nas suas regiões mais internas por planetas massivos, com massas de, no mínimo, algumas vezes a massa da Terra. Este aspecto contrasta com o Sistema Solar, onde  existem pequenos planetas rochosos nas regiões interiores e gigantes gasosos como Júpiter mais para o exterior.
De acordo com as teorias mais recentes, a arquitetura do Sistema Solar, tão propícia ao desenvolvimento de vida, foi possível graças à presença de Júpiter e da sua influência gravitacional exercida no Sistema Solar durante a fase da sua formação. Este fato leva-nos a crer que encontrarmos um planeta gêmeo de Júpiter é um marco importante na busca de um sistema planetário que seja semelhante ao nosso.
Uma equipe liderada por brasileiros tem observado estrelas do tipo do Sol numa tentativa de encontrar um sistema planetário semelhante ao nosso. A equipe descobriu agora um planeta com uma massa muito semelhante à de Júpiter, em órbita de uma estrela do tipo do Sol, HIP 11915, e quase exatamente na mesma posição que Júpiter ocupa no nosso Sistema Solar. A nova descoberta foi feita com o auxílio do HARPS, um dos instrumentos mais precisos a detectar exoplanetas, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO no Observatório de La Silla, no Chile.
Embora já se tenham descoberto muitos planetas semelhantes a Júpiter a uma variedade de distâncias de estrelas do tipo solar, o planeta recentemente descoberto, tanto em termos de massa como de distância à sua estrela hospedeira, e em termos de semelhança entre esta estrela e o nosso Sol, é o análogo mais preciso encontrado até agora do Sol e de Júpiter.
A hospedeira do planeta, a gêmea solar HIP 11915, não é apenas semelhante ao Sol em termos de massa, mas tem também aproximadamente a mesma idade. Fortalecendo ainda mais as similaridades, a composição desta estrela é semelhante à do Sol. A assinatura química do nosso Sol pode estar parcialmente marcada pela presença de planetas rochosos no Sistema Solar, o que aponta por isso para a possibilidade de existência de planetas rochosos em torno de HIP 11915.
De acordo com Jorge Melendez, da Universidade de São Paulo, Brasil, líder da equipe e co-autor do artigo científico que descreve estes resultados, “a procura de uma Terra 2.0 e de um Sistema Solar 2.0 completo, é um dos esforços mais excitantes da astronomia. Estamos muito entusiasmados por fazer parte desta investigação de vanguarda, tornada possível pelas infraestruturas observacionais disponibilizadas pelo ESO.”
Megan Bedell, da Universidade de Chicago e autora principal do artigo científico, conclui: “Após duas décadas de busca de exoplanetas, estamos finalmente vendo planetas gigantes gasosos de período longo semelhantes aos do nosso próprio Sistema Solar, graças à estabilidade de longo termo de instrumentos “caçadores de planetas” como o HARPS. Esta descoberta é, em todos os aspectos, um sinal muito estimulante de que existem outros sistemas solares à espera de serem descobertos.”
São necessárias observações de acompanhamento para confirmar e delimitar a descoberta, mas HIP 11915 é, até agora, uma das mais promissoras candidatas a abrigar um sistema planetário semelhante ao nosso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

SONDA SPHERE MAPEIA A SUPERFÍCIE DE CERES

SPHERE mapeia a superfície de Ceres
Estas imagens, obtidas com duas semanas de diferença, mostram os dois hemisférios de Ceres e dão-nos as melhores observações feitas até hoje, a partir do solo, do planeta anão. Foram obtidas com o instrumento SPHERE montado no Very Large Telescope do ESO e fazem parte de um trabalho que está a ser levado a cabo desde meados de julho de 2015 e que pretende fazer um mapa polarimétrico da superfície deste objeto.
Orbitando na cintura de asteroides entre Marte e Júpiter, a região conhecida por Cinturão Principal, Ceres foi o primeiro asteroide a ser descoberto em 1801 e trata-se do maior asteroide do Cinturão Principal. O asteroide é o maior reservatório de água existente na vizinhança da Terra e pensa-se que a água se encontra sob a forma de gelo no manto do objeto.
A superfície do planeta anão tem cerca do tamanho da Índia e podemos observar vários pontos brilhantes intrigantes nestas novas imagens. Estes pontos foram também observados de forma cuidada pela sonda Dawn da NASA, que se encontra atualmente em órbita de Ceres. Os astrônomos têm estudado estes pontos, mas a sua verdadeira natureza permanece um mistério. Espera-se, no entanto, que ao comparar os dados obtidos pelo SPHERE com as imagens que a Dawn está enviando para a Terra, os astrônomos possam começar a descodificar este enigma.
Crédito:
ESO, B. Yang and Z. Wahhaj Utilização de imagens e vídeos do ESO
Are you a journalist? Subscribe to the ESO Media Newsletter in your language.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

SONDA QUE VISITOU PLUTÃO GANHA NOVO DESTINO NOS CONFINS DO SISTEMA SOLAR

sonda new horizons ganha novo destino
Depois de conhecer Plutão, New Horizons desvendará os segredos do Cinturão de Kuiper...
Após visitar Plutão, em julho de 2015, a sonda New Horizons já ganhou um novo destino. A NASA escolheu um potencial objeto localizado no Cinturão de Kuiper (KBO), que é uma região repleta de corpos menores que se estende desde a órbita de Netuno (30 UA do Sol) até cerca de 50 UA do Sol (1 Unidade Astronômica é igual a distância média entre a Terra e o Sol). E o objeto escolhido para ser visitado pela sonda é conhecido como 2014 MU69,  que encontra-se a quase 1.6 bilhão de km além de Plutão.
Este Objeto do Cinturão de Kuiper (KBO) foi um dos dois potenciais destinos recomendados pela equipe da missão New Horizons. Embora a NASA já tenha selecionado o objeto 2014 MU69 (apelidado de PT1 ou Alvo Potencial 1), haverá um processo natural de revisão para que esse próximo passo da missão se torne oficial.
"Mesmo com a nave espacial New Horizons se distanciando de Plutão, e enviando dados de seu encontro, já estamos olhando para o próximo destino desse grande explorador", disse John Grunsfeld, astronauta e chefe da Missão de Direcionamento de Missões Espaciais da NASA.
Sonda New Horizons vai conhecer objeto do Cinturão de Kuiper
Impressão artística da sonda New Horizons encontrando-se com um planetóide do Cinturão de Kuiper. Créditos: NASA / JHUAPL / SwRI / Alex Parker
Assim como em outras missões espaciais, a New Horizons pode fazer grandes descobertas e pesquisas importantes mesmo após o término de sua missão principal. Essa proposta será avaliada por uma equipe independente de especialistas.
Se tudo correr como previsto, a nave espacial new Horizons deverá começar suas manobras em direção ao seu novo alvo ainda em 2015. Ela deverá realizar uma série de quatro manobras no final de outubro e início de novembro para definir seu curso rumo a 2014 MU69. Qualquer atraso pode resultar em perda de combustível e até mesmo arriscar a missão.
"2014 MU69 é uma ótima escolha, porque é exatamente o tipo de objeto antigo do Cinturão de Kuiper que desejamos conhecer", disse Alan Stern, investigador principal da missão. "A New Horizons foi originalmente projetada para ir além do sistema de Plutão, e explorar objetos do Cinturão de Kuiper. A nave espacial transporta combustível hidrazina extra para um sobrevoo como esse; seu sistema de comunicação é projetado para trabalhar muito além de Plutão; o sistema de energia é projetado para operar por mais anos; e os seus instrumentos científicos foram projetados para operar em níveis de luz muito inferior ao que vai experimentar durante o sobrevoo em 2014 MU69. "
trajetória da sonda New Horizons antes e depois de Plutão
Ilustração mostra a trajetória da sonda New Horizons desde que saiu da Terra até chegar em Plutão, e seu caminho até chegar no objeto do Cinturão de Kuiper chamado 2014 MU69.
Créditos: NASA / JHUAPL / SwRI / Alex Parker
Mas encontrar um alvo adequado além de Plutão não foi uma tarefa fácil. As pesquisas começaram em 2011 com alguns dos maiores telescópios terrestres, e várias dezenas de KBOs foram detectados, mas nenhum estava ao alcance da New Horizons. Porém o Telescópio espacial Hubble conseguiu salvar essa missão-extra, e encontrou dois objetos que poderiam ser alcançados com o combustível restante.
Os cientistas estimam que o objeto 2014 MU69 tem aproximadamente 45 quilômetros, sendo 10 vezes maior e 1.000 vezes mais massivo do que os cometas típicos. Acredita-se que objetos como esse fazem parte dos blocos de construção de planetas e asteroides. Por conta de sua grande distância do Sol, conhecer esse corpo do Cinturão De Kuiper será como voltar no tempo, a cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.
A nave espacial New Horizons está em bom funcionamento, e continua enviando dados sobre seu encontro épico com o planeta anão Plutão, que ocorreu em julho de 2015, e o voo rasante que a sonda deverá fazer no objeto 2014 MU69 poderá revolucionar a nossa compreensão do distante e misterioso Cinturão de Kuiper.
Fonte: NASA
Imagens: (capa-ilustração/NASA) / NASA / JHUAPL / SwRI / Alex Parker

domingo, 6 de setembro de 2015

VLT DO ESO CRIA MAPA METEOROLÓGICO DE UMA ESTRELA ANÃ MARROM

O Very Large Telescope do ESO foi utilizado para criar o primeiro mapa meteorológico da superfície da anã marrom mais próxima da Terra. Uma equipe internacional fez um mapa das regiões claras e escuras da WISE J104915.57-531906.1B, também conhecida pelo nome informal Luhman 16B e uma das duas anãs marrons recentemente descobertas que formam um par a apenas seis anos-luz de distância. Os novos resultados serão publicados  na revista Nature.

As anãs marrons preenchem a lacuna entre os planetas gigantes gasosos e as estrelas frias de pouco brilho. Não possuem massa suficiente para dar início à fusão nuclear nos seus centros e apenas conseguem brilhar fracamente nos comprimentos de onda do infravermelho. A primeira anã marrom confirmada foi descoberta há apenas cerca de vinte anos e só se conhecem algumas centenas destes objetos tão elusivos.

As anãs marrons que se encontram mais próximas do Sistema Solar formam um par chamado Luhman 16AB  e situam-se a apenas seis anos-luz de distância, na constelação  da Vela. Este par é o terceiro sistema mais próximo da Terra, depois de Alfa Centauri e da Estrela de Barnard, mas só foi descoberto no início de 2013. Foi descoberto que a componente menos brilhante, Luhman 16B, variava ligeiramente em brilho a cada poucas horas, à medida que girava - um indício de que poderia ter regiões bem demarcadas em sua superície.
Os astrônomos usaram agora o poder do Very Large Telescope do ESO (VLT) para, não apenas fotografar estas anãs marrons, mas também mapear regiões claras e escuras na superfície de Luhman 16B.
Ian Crossfield (Instituto Max Planck de Astronomia, Heidelberg, Alemanha), autor principal do novo artigo científico que descreve este trabalho, sumariza os resultados: “Observações anteriores sugeriam que as anãs marrons poderiam ter superfícies manchadas, mas agora podemos de fato mapeá-las. Dentro de pouco tempo, poderemos ver padrões de nuvens formando-se, evoluindo e dissipando-se nesta anã marrom - eventualmente os exometeorologistas poderão prever se um visitante de Luhman 16B poderá contar com céus limpos ou nublados”.
Para mapear a superfície da anã marrom os astrônomos usaram uma técnica inteligente. Observaram as anãs marrons com o instrumento CRIRES montado no VLT, o que lhes permitiu não somente ver o brilho variável à medida que Luhman 16B gira, mas também observar se as regiões claras e escuras estavam se movendo em direção ao observador ou afastando-se dele. Combinando toda esta informação conseguiram recriar um mapa das regiões claras e escuras situadas na superfície.
As atmosferas das anãs marrons são muito semelhantes às dos exoplanetas gigantes gasosos quentes, por isso ao estudar comparativamente anãs marrons fáceis de observar , os astrônomos podem também aprender mais sobre as atmosferas dos planetas gasosos jovens - muitos dos quais serão descobertos num futuro próximo pelo novo instrumento SPHERE, que será instalado no VLT ainda este ano.
Crossfield termina com uma nota pessoal: “A nossa anã marrom ajuda-nos a aproximarmo-nos do nosso objetivo de compreender padrões de clima em outros sistemas solares. Desde tenra idade que fui educado para apreciar a beleza e utilidade dos mapas. É muito excitante começarmos a mapear objetos localizado além do nosso Sistema Solar!

sábado, 5 de setembro de 2015

O DISTANTE ÉRIS É GÊMEO DE PLUTÃO

Artist’s impression of the dwarf planet Eris
Calculado com precisão o tamanho do planeta anão no momento em que ocultou uma estrela de fraca luminosidade
Astrônomos mediram pela primeira vez de modo preciso o diâmetro de Éris, o longínquo planeta anão, no momento em que este passou em frente de uma estrela de luminosidade baixa. Este fenômeno foi observado no final de 2010 por telescópios no Chile, incluindo o telescópio belga TRAPPIST que se encontra instalado no Observatório de La Silla do ESO. As observações mostram que Éris é um gêmeo quase perfeito de Plutão em termos de tamanho. Éris parece ter uma superfície muito refletora, sugerindo que se encontra uniformemente coberto por uma fina camada de gelo, provavelmente uma atmosfera gelada. Os resultados foram publicados na revista Nature.


Em Novembro de 2010 o distante planeta anão Éris passou em frente de uma estrela de fundo de luminosidade baixa, num acontecimento a que chamamos ocultação. Estes eventos são muito raros e difíceis de observar, uma vez que o planeta anão se encontra muito longe e é muito pequeno. O próximo acontecimento do gênero envolvendo Éris terá lugar apenas em 2013. As ocultações oferecem-nos a maneira mais precisa, e muitas vezes a única maneira, de medir o tamanho e estimar a forma de corpos muito distantes do Sistema Solar.
A estrela candidata a ocultação foi identificada ao serem estudadas imagens obtidas com o telescópio MPG/ESO de 2.2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO. As observações foram planejadas cuidadosamente e levadas a cabo por uma equipe internacional de astrônomos de várias universidades (principalmente de França, Bélgica, Espanha e Brasil), que utilizaram, entre outros, o telescópio TRAPPIST (sigla do inglês TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope, eso1023), também instalado em La Silla.
“Observar ocultações de pequenos corpos do Sistema Solar situados para além de Netuno requer grande precisão e planejamento. Esta é a melhor maneira de medir o tamanho de Éris, além de ir até lá, é claro!” explica Bruno Sicardy, o autor principal do trabalho.
As observações da ocultação foram feitas em 26 locais diferentes espalhados por toda a Terra e que se encontravam na trajetória prevista da sombra do planeta anão - incluindo alguns telescópios de observatórios amadores. No entanto, só foi possível observar o evento diretamente em dois lugares apenas, ambos situados no Chile: um no Observatório de La Silla do ESO com o telescópio TRAPPIST e o outro em São Pedro de Atacama, onde se utilizaram dois telescópios. Os três telescópios registaram uma diminuição do brilho da estrela distante correspondente à altura em que Éris bloqueou a sua radiação.
As observações combinadas dos dois locais chilenos indicam que Éris tem uma forma praticamente esférica. Estas medições são bastante precisas no que dizem respeito à forma e ao tamanho do objeto, mas apenas se não tiverem sido distorcidas pela presença de montanhas altas, o que dificilmente existirá num corpo gelado tão grande.
Éris foi identificado como sendo um objeto grande situado no Sistema Solar exterior em 2005. A sua descoberta foi um dos motivos que levou à criação de uma nova classe de objetos chamados planetas anões e à reclassificação de Plutão de planeta para planeta anão em 2006. Éris encontra-se atualmente três vezes mais longe do Sol do que Plutão.
Embora observações anteriores utilizando métodos diferentes sugerissem que Éris era provavelmente 25% maior do que Plutão, com uma estimativa para o diâmetro de 3000 quilômetros, este novo estudo prova que os dois objetos têm essencialmente o mesmo tamanho. O novo diâmetro calculado para Éris é de 2326 quilômetros com uma precisão de 12 quilômetros, o que torna o seu tamanho melhor conhecido que o de Plutão, que tem um diâmetro estimado entre 2300 e 2400 quilômetros. O diâmetro de Plutão é mais difícil de medir devido à presença de uma atmosfera que torna impossível detectar diretamente a sua borda utilizando ocultações. O movimento do satélite de Éris, Disnomia, foi utilizado para estimar a massa de Éris. Descobriu-se que Éris é 27% mais pesado do que Plutão. Combinando este resultado com o diâmetro estimou-se que a densidade de Éris é de 2,52 gramas por cm3
“Esta densidade significa que Éris é provavelmente um grande corpo rochoso coberto por um manto relativamente fino de gelo,” comenta Emmanuel Jehin, que participou neste trabalho .
Descobriu-se que a superfície de Éris é muito refletora, refletindo 96% da luz que lhe chega (albedo visível de 0,96 . Esta valor corresponde a uma superfície ainda mais brilhante do que neve fresca na Terra, o que torna Éris dum dos objetos do Sistema Solar mais refletores, em simultâneo com a lua gelada de Saturno, Enceladus. A superfície brilhante de Éris é muito provavelmente composta por uma mistura de gelo rico em nitrogênio e metano gelado - como nos indica o espectro do planeta - que cobre todo o planeta com uma camada de gelo fina muito refletora com menos de um milímetro de espessura.
“Esta camada de gelo pode ter resultado da condensação em gelo da atmosfera de nitrogênio ou metano do planeta anão, que atinge a superfície à medida que o planeta se afasta do Sol ao longo da sua órbita alongada e entra cada vez mais num ambiente frio,” acrescenta Jehin. O gelo pode posteriormente voltar a transformar-se em gás à medida que Éris se aproxima do ponto mais próximo do Sol, a uma distância de cerca de 5,7 bilhões de quilômetros.
Com os novos resultados a equipe pôde também estimar a temperatura à superfície do planeta anão, obtendo um resultado de no máximo -238º Celsius para a superfície iluminada pelo Sol e menos ainda para o lado noturno de Éris.
“É extraordinário o quanto podemos aprender sobre um objeto distante pequeno como Éris quando o observamos a passar em frente de uma estrela tênue, utilizando telescópios relativamente pequenos. Cinco anos depois da criação da nova classe dos planetas anões estamos finalmente a conhecer bem um dos seus membros fundadores,” conclui Bruno Sicardy.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

TEORIA PLANETÁRIA VIRADA DO AVESSO



 A descoberta de nove novos exoplanetas em trânsitofoi anunciada no Encontro Nacional de Astronomia do Reino Unido (RAS National Astronomy Meeting, NAM2010).
 Quando estes novos resultados foram combinados com observações anteriores de exoplanetas em trânsito, os astrónomos surpreenderam-se com o facto de seis deles, numa amostragem de 27, orbitarem na direção oposta à da rotação da estrela hospedeira - precisamente o contrário do que se passa no nosso Sistema Solar. Estas novas descobertas põem em causa, de maneira séria e inesperada, as actuais teorias de formação planetária. As novas observações sugerem igualmente que sistemas com exoplanetas do tipo Júpiter quente não deverão, muito provavelmente, conter planetas do tipo da Terra.
“Esta é uma verdadeira bomba que estamos a lançar sobre o campo dos exoplanetas,” diz Amaury Triaud, estudante de doutoramento no Observatório de Genebra que, juntamente com Andrew Cameron e Didier Queloz, lidera a maior parte da campanha observacional.
Pensa-se que os planetas se formam no disco de gás e poeira que circunda a estrela jovem. Este disco protoplanetário roda na mesma direcção da própria estrela, e até agora esperava-se que os planetas formados a partir desse disco orbitariam, mais ou menos, no mesmo plano e que se moveriam ao longo das suas órbitas na mesma direcção que a rotação da estrela. É o caso dos planetas do Sistema Solar.
Depois da deteção inicial dos nove novos exoplanetas  com o instrumento WASP (do inglês, Wide Angle Search for Planets), a equipa de astrónomos utilizou diversos outros aparelhos para confirmar as descobertas e caracterizar os exoplanetas em trânsito encontrados tanto neste novo rastreio como nos mais antigos: o espectrógrafo HARPS, montado no telescópio de 3.6 metros do ESO, no observatório de La Silla, Chile, dados do telescópio suíço Euler, também em operação em La Silla, e ainda dados de outros telescópios .
Surpreendentemente, quando a equipa combinou os novos dados com observações mais antigas, descobriu que mais de metade de todos os exoplanetas do tipo Júpiter quente  estudados têm órbitas desalinhadas com o eixo de rotação das suas estrelas hospedeiras. A equipa descobriu inclusivamente que seis exoplanetas desta extensa amostragem (dos quais dois são novas descobertas) têm movimentos retrógrados: orbitam a sua estrela na direcção “errada”.
“Estes novos resultados desafiam claramente o conhecimento convencional de que os planetas devem sempre orbitar na mesma direcção da rotação das suas estrelas,” diz Andrew Cameron da Universidade de St Andrews, que apresentou estes novos resultados no Encontro Nacional de Astronomia do Reino Unido, que tem lugar esta semana em Glasgow.
A origem dos exoplanetas do tipo Júpiter quente tem sido um enigma, desde a descoberta do primeiro há 15 anos atrás. São planetas com massa similares ou maiores que a de Júpiter, mas que orbitam muito próximo da sua estrela. Pensa-se que os núcleos dos planetas gigantes se formam de uma mistura de partículas de rocha e gelo, material que se encontra apenas nas regiões mais frias e afastadas do sistema planetário. Desde modo, estes exoplanetas devem formar-se longe da sua estrela e subsequentemente migrar para órbitas mais interiores, muito mais próximas da estrela hospedeira. Muitos astrónomos pensam que este fenómeno se deve a interacções gravitacionais com o disco de poeira a partir do qual se formam. Este cenário desenrola-se ao longo de alguns milhões de anos e resulta numa órbita alinhada com o eixo de rotação da estrela hospedeira. Este cenário permite igualmente a formação subsequente de planetas rochosos do tipo da Terra. Infelizmente esta teoria não explica as novas observações.
Para explicar os novos exoplanetas retrógrados agora descobertos uma teoria de migração alternativa sugere que a proximidade deste tipo de exoplanetas às suas estrelas não se deve a interacções com o disco de poeira, mas sim a um processo de evolução mais lento que envolve uma “luta” gravitacional com companheiros planetários ou estelares mais distantes, durante centenas de milhões de anos. Depois destas perturbações gravitacionais levarem um exoplaneta gigante a uma órbita inclinada e alongada, este sofrerá fricções de maré, perdendo energia de cada vez que a sua órbita o aproxima da estrela. Deste modo, ficará eventualmente “estacionado” numa órbita quase circular mas inclinada de maneira aleatória, próximo da estrela hospedeira. “Um efeito secundário dramático deste processo seria o de que qualquer pequeno planeta do tipo da Terra seria varrido destes sistemas,” diz Didier Queloz do Observatório de Genebra.
Dois dos novos exoplanetas retrógrados descobertos mostraram já ter companheiros de grande massa, mais distantes, que poderiam ser as potenciais causas deste efeito. Estes novos resultados irão despoletar uma busca intensa de corpos adicionais noutros sistemas planetários.
Este trabalho foi apresentado no Encontro Nacional de Astronomia do Reino Unido (NAM2010, do inglês United Kingdom National Astronomy Meeting) que está a ter lugar esta semana em Glasgow, na Escócia. Nove publicações científicas submetidas em revistas internacionais da especialidade sairão nesta ocasião, quatro das quais utilizam dados obtidos com as infraestruturas do ESO. Na mesma ocasião, o consórcio WASP obteve um prémio da Royal Astronomical Society

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

UM CANDIDATO A PROTOPLANETA ENCONTRADO DENTRO DE SEU ÚTERO ESTELAR


Astrônomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO e obtiveram o que é, muito provavelmente, a primeira observação direta de um planeta em formação, ainda envolto por um espesso disco de gás e poeira. Se for confirmada, esta descoberta ajudará a compreender melhor como se formam os planetas, uma vez que será possível testar as teorias atuais em um alvo observável.
Uma equipe internacional liderada por Sascha Quanz (ETH Zürich, Suíça) estudou o disco de gás e poeira em torno da estrela jovem HD100546, uma estrela relativamente próxima situada a 335 anos-luz de distância da Terra. A equipe surpreendeu-se ao descobrir o que parece ser um planeta em formação, ainda envolto no disco de material que rodeia a estrela. O candidato a planeta será um gigante gasoso semelhante a Júpiter.
“Até agora, a formação de planetas tem sido um tópico desenvolvido essencialmente por simulações de computador”, diz Sascha Quanz. “Se a nossa descoberta for confirmada como realmente um planeta em formação, então pela primeira vez os cientistas poderão estudar de forma empírica o processo de formação planetária e a interação entre um planeta em formação e o seu meio circundante, desde a fase primordial.”
Imagens VLT e Hubble do sistema protoplanetário da HD100546
Esta imagem composta mostra duas imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA (à esquerda) e pelo sistema NACO montado no Very Large Telescope do ESO (à direita) do gás e poeira que rodeiam a estrela jovem HD100546. A imagem Hubble no visível mostra o disco exterior de gás e poeira que se encontra em torno da estrela. A nova imagem infravermelha do VLT de uma pequena parte do disco mostra um candidato a protoplaneta. Ambas as imagens foram obtidas com um coronógrafo especial que suprime a intensa radiação emitida pela estrela brilhante. A posição da estrela está marcada com uma cruz vermelha nas duas imagens.
Crédito: ESO/NASA/ESA/Ardila et al.
A estrela HD100546 tem sido muito estudada e foi já sugerida a existência de um planeta gigante situado cerca de sete vezes mais longe da estrela do que a Terra se encontra do Sol. O candidato a planeta agora descoberto situa-se na região exterior do sistema, cerca de dez vezes mais longe.
O possível protoplaneta foi detectado como uma tênue mancha situada no disco circunstelar, revelada graças ao instrumento de óptica adaptativa NACO, montado no VLT do ESO, e à técnica inovadora de análise de dados. As observações foram obtidas com o coronógrafo do NACO, que opera nos comprimentos de onda do infravermelho, suprimindo a intensa radiação emitida pela estrela na região onde se encontra o candidato a protoplaneta.
De acordo com as atuais teorias, os planetas gigantes crescem ao capturar parte do gás e poeira que restam após a formação da estrela. Os astrônomos descobriram várias características na nova imagem do disco em torno de HD100546, que apoiam esta hipótese de formação de protoplaneta. Estruturas existentes no disco circunstelar poeirento, que poderiam ser causadas por interações entre o planeta e o disco, apareceram próximo do protoplaneta detectado. Existem também indícios de que as regiões em volta do protoplaneta estejam a ser aquecidas pelo processo de formação.
Adam Amara, outro membro da equipe, está entusiasmado com a descoberta. “A investigação sobre exoplanetas é uma das novas fronteiras da astronomia mais excitantes e a obtenção de imagens diretas de planetas é algo ainda muito recente, que só agora começa a ser explorado, se beneficiando das recentes inovações nos instrumentos e nos métodos de análise de dados. Neste trabalho utilizamos técnicas de análise de dados desenvolvidas especificamente para a investigação cosmológica, o que mostra que a partilha de ideias entre diferentes campos pode levar a progressos extraordinários.”
Embora a explicação mais provável para as observações obtidas seja a existência de um protoplaneta, os resultados deste estudo requerem observações suplementares para se confirmar a existência do planeta e invalidar outros cenários menos prováveis mas também plausíveis. Entre outras explicações possíveis, o sinal detectado pode estar a ser emitido por uma fonte de fundo. É igualmente possível que o objeto detectado não seja um protoplaneta, mas sim um planeta completamente formado, que tenha sido ejetado da sua órbita original, próxima da estrela. Quando se confirmar que o novo objeto em torno de HD100546 é, de fato, um planeta em formação, envolvido ainda pelo disco de gás e poeira progenitor, teremos então um laboratório único para estudar o processo de formação de um novo sistema planetário.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O CENTRO TUMULTUADO DA NOSSA GALÁXIA É REVELADO PELOS ASTRÔNOMOS

imagens do centro da Via Láctea
- O buraco negro gigante e tudo que acontece na região central da Via Láctea pôde ser registrado em um estudo incrível!
Esta nova imagem de remanescentes de estrelas mortas e sua poderosa ação sobre o gás ao seu redor foi feita pela Agência Espacial Europeia utilizando o Observatório de raio-X XMM-Newton. Ela revela alguns dos processos mais intensos que acontecem no centro de nossa própria galáxia, a Via Láctea.
Os pontos brilhantes que se destacam na imagem são sistema estelares binários, em que uma estrela chegou no fim de sua vida, evoluindo para um objeto compacto e denso, como uma estrela de nêutrons ou até mesmo um buraco negro. Por causa de sua alta densidade, esse objeto consome sua companheira, aquecendo o material e fazendo-o brilhar em raios-X.
A região central da nossa galáxia está repleta de estrelas jovens e aglomerados de estrelas, e alguns estão visíveis como fontes brancas ou vermelhas na imagem, que se estende por 1.000 anos-luz.
o centro da Via Láctea em raio-X
O centro da Via Láctea, visto através de raios-X pelo Observatório XMM-Newton da Agência Espacial Europeia. Créditos: ESA / XMM-Newton / G. Ponti
A maior parte de toda essa ação está acontecendo no centro da Via La´ctea, onde as nuvens de gás estão sendo esculpidas por fortes ventos ejetados pelas estrelas mais jovens, bem como por supernovas, que é a grande explosão de uma estrela massiva quando ela chega no fim de sua vida.
O grande buraco negro do centro da nossa galáxia também é responsável por toda essa ação. Conhecido como Sagittarius A*, esse buraco negro tem uma massa maior do que milhões de sóis, e está localizado dentro da fonte difusa brilhante, um pouco à direita do centro.
Apesar dos buracos negros não emitirem luz, sua imensa força gravitacional atrai a matéria que está ao seu redor, e esse processo emite energia em vários comprimentos de onda, principalmente no raio-X. Além disso, duas grandes nuvens de gás aquecido podem ser vistas acima e abaixo do buraco negro.
Os astrônomos acreditam que essas grandes nuvens ou são causadas diretamente pelo buraco negro, que absorve e ejeta parte desse material, ou então pelo efeito cumulativo de inúmeras explosões de supernovas e de ventos estelares que ocorrem nesse ambiente.
o centro da nossa Galáxia em raio-x
Outra imagem do centro da Via Láctea, visto através de raios-X pelo Observatório XMM-Newton da Agência Espacial Europeia. Créditos: ESA / XMM-Newton / G.Ponti
Esta imagem mostra uma visão sem precedentes do núcleo energético da Via Láctea. Considerando todos os dados utilizados nessa imagem, somamos cerca de um mês e meio de observações ininterruptas.
A grande estrutura elíptica no canto inferior direito de Sagittarius A* é uma super-bolha de gás quente, provavelmente inchada por conta dos remanescentes de várias supernovas em seu centro. Embora essa estrutura já seja conhecida pelos astrônomos, este estudo confirma pela primeira vez que ela consiste de uma única bolha gigantesca, ao invés de vários remanescentes de supernovas alinhados no mesmo ângulo de visão.
Outra grande estrutura de gás aquecido, chamada de "Arc Bubble" (devido a sua forma de lua crescente) pode ser vista perto do centro da imagem, na parte inferior esquerda ao buraco negro supermassivo. Essa bolha de gás está sendo inflada pelos ventos fortes de estrelas em um aglomerado próximo, bem como por supernovas. O Remanescente de uma dessas explosões pode ser visto no centro da grande bolha.
O rico conjunto de dados compilados neste estudo contém observações feitas em todos os níveis de onda que abrangem a emissões de raio-X. Essas emissões em raios-X são emitidas por elementos pesados como silício, enxofre e argônio, que são produzidos principalmente em explosões de supernovas. Ao combinar diversas observações e diferentes dados, os astrônomos conseguiram revelar detalhes incríveis do centro da Via Láctea.
Além disso, essa incrível imagem nos revela a emissão (ainda que bastante tênue) de plasma quente nas partes inferiores e superiores da imagem. Esse plasma quente pode ser o efeito macroscópico de ejeções geradas pelas estrelas em formação ao longo de toda a região central da Galáxia.
Os astrônomos acreditam que, logo no início da história da nossa galáxia, Sagittarius A* tinha sua atividade muito mais intensa do que atualmente, sugando e ejetando massa a uma taxa muito mais elevada, assim como vemos em outras galáxias, e essa nuvem difusa de plasma quente pode ser o legado da atividade antiga do nosso monstruoso buraco negro.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

SERÁ VERDADE QUE TODOS OS PLANETAS DO SISTEMA SOLAR CABERIAM ENTRE A LUA E A TERRA?

Todos os planetas cabem entre a Terra e a Lua
O espaço entre a Lua e o nosso planeta é mesmo tão grande?
Todos os planetas cabem entre a Terra e a Lua Créditos: CapnTrip / reddit / divulgação
Já faz algum tempo que a internet foi bombardeada com um gráfico, mostrando todos os planetas do Sistema Solar no espaço entre a Terra e a Lua. O post foi originalmente publicado no site reddit, pelo usuário CapnTrip.
Logo surgiram diversas discussões, e muitas pessoas ficaram na dúvida: será que todos os planetas poderiam realmente se encaixarem no espaço entre o nosso planeta e seu satélite? Será que a Lua fica tão distante assim, e nós nunca nos demos conta disso?
Bom, então vamos aos números! E pra não haver dúvidas, os dados foram colhidos diretamente do site da NASA:
PLANETA                   DIÂMETRO MÉDIO (KM)
Mercúrio                           4.879
Vênus                               12.104
Marte                                6.771
Júpiter                              139.822
Saturno                            116.464
Urano                               50.724
Netuno                             49.244
Total                               380,008
todos os planetas cabem entre a Terra e a Lua
A distância média entre a Terra e a Lua é de 384.400 km, portanto, ainda sobram 4.392 quilômetros! Então a resposta é SIM, todos os planetas do Sistema Solar caberiam no espaço entre a Terra e a Lua!
E o que faríamos com esse espaço vazio de 4.392 quilômetros? Bom, poderíamos colocar o planeta anão Plutão, que segundo a NASA, tem 2.370 km de diâmetro, e ainda sobrariam mais de 2 mil km!
Mas não é tão simples assim. Devemos nos lembrar que estamos falando da distância média entre a Terra e a Lua. Quando a Lua está no perigeu (seu ponto mais próximo do nosso planeta), ela chega a 363.104 km da Terra, então Mercúrio e Vênus ficariam de fora dessa brincadeira... mas claro, se considerarmos o apogeu (ponto mais distante), que é de 405.696, caberiam todos os planetas do Sistema Solar, mais os planetas anões (Plutão, Éris, Haumea, Make-Make e Ceres), e ainda teria espaço de sobra para incluir os maiores asteroides do Sistema Solar...
Com isso, podemos perceber que até mesmo a Lua, que é o objeto celeste mais próximo da Terra, está incrivelmente distante de nós... o que dirá então dos outros planetas, como Júpiter, ou Urano e Netuno? É uma verdadeira imensidão... isso sem considerar outros sistemas estelares... outras galáxias... parece até que o nosso cérebro nunca vai se acostumar com estas distâncias do Universo..